
DEIXE-ME VIVER

Luiz Srgio

NOSSA CAPA: A capa foi escolhida entre as inmeras obras do grande
mestre Renoir. Por qu? alguns indagaro. Para ns, os espritos, esta
tela representa a vida e nada  mais belo do que ver o filho sendo
amamentado por sua me e esta lhe oferecendo no s o alimento, porm o
mais importante: o amor. Mostra a tela tambm a fragilidade do
recm-nascido, o quanto necessita de cuidados. , tambm, um louvor 
mulher que, esquecendo-se de si mesma, luta pela vida do seu filho,
dando-lhe o alimento mais completo: o leite materno. Enquanto algumas
mulheres matam, outras lutam pelos seus filhos. Este  o quadro que Deus
gostaria fosse plasmado em cada corao humano, para que ningum
atentasse contra a vida de um ser to indefeso. O quadro de Renoir d 
mulher a coroa de rainha; s ela tem poderes para alojar no seu ventre
um pequeno ser, aliment-lo, dar-lhe vida e, depois do seu nascimento,
oferecer-lhe o seio, fazendo com que ele se sinta amado e protegido. A
mulher tem o poder de deixar viver ou morrer, mas todas as crianas que
esto para nascer gritam: "deixem-nos viver!"

Francisca Theresa

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DEIXE-ME VIVER
Luiz Srgio
Psicografa: Irene Pacheco Machado

SUMRIO:
Prefcio  07
Mensagem ao Leitor.  11
Captulo I
OS REJEITADOS ATRAVS DO ABORTO  13
Captulo II
O DIREITO  VIDA  21
Captulo III
MARINA CONSTRI O SEU UMBRAL  29
Captulo IV
YURA - SEQELAS DA INSENSATEZ  35
Captulo V
NOVA INCURSO DE JONAS  39
Captulo VI
UMA AULA DE PUERICULTURA  47
Captulo VII
CONIVNCIA DOS PAIS  57
Captulo VIII
SUSTO RECOMPENSADO  65
Captulo IX
O IMPORTANTE TRABALHO DA DESOBSESSO  73
Captulo X
MDIUNS - OBREIROS DE JESUS  81
Captulo XI
NOVA OPORTUNIDADE  87
Captulo XII
BANHO DE LUZES
A MQUINA HUMANA    97
Captulo XIII
A MENSAGEM DE DEUS AOS DUROS DE CORAO  105
Captulo XIV
VTIMAS INOCENTES 121
Captulo XV
YVES, MAIS UMA VTIMA DO MATERIALISMO  131
Captulo XVI
"NOMATARS" 137
Captulo XVII
A INFLUNELA DE FABRCIO SOBRE A ME 145
Captulo XVIII
A SPLICA DOS ABORTADOS 155
Captulo XIX
REENCARNES PARA A RENOVAO DA TERRA 161
Captulo XX
NO ASTRAL INFERIOR
O VALE DA REVOLTA  165
Captulo XXI
O RESGATE DE EUGNIA  175
Captulo XXII
UM PONTO DE LUZ NAS TREVAS 183
Captulo XXIII
COLNIA AZUL: CIDADE-ESCOLA DOS NASCIDOS MORTOS 191
Captulo XXIV
NO POUSO DA ESPERANA 201
Captulo XXV
LAOS FAMILIARES INTERROMPIDOS 211
Captulo XXVI
INSEMINAO: OS NOVOS TEMPOS 221
Captulo XXVII
A OPORTUNIDADE DA VIDA ENCARNADA 229
Captulo XXVIII
A SEMENTE HUMANA DEVE CONTINUAR A GERMINAR 241

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PREFCIO.

O Parclito prometido por Jesus veio de forma a no escandalizar
 as pessoas. Kardec apresentou, intermediando os espritos,
 as verdades que podiam ser ditas no sculo passado. Foram depois
aparecendo espritos acrescentando novas verdades,
 sem desfazer o que ficou dito pelo Codificador e seus assistentes
 espirituais. Assim, sucessivamente, vm sendo acrescentadas
  Doutrina minudnelas sobre a Lei de Causa e Efeito,  proporo que
as mentes possam entender. Muitos no as aceitam,
 mas a vanguarda espiritual do Parclito entende e parte para novas
aquisies do saber. Seguindo essa linha de conduta, Luiz Srgio veio,
desde seu primeiro livro, "dosando a plula". Cada livro seu traz
novidades
 compatveis com o entendimento de seus leitores e de acordo com as
necessidades dos espritos irrequietos da modernidade. Conquistou os
jovens leitores de tal forma que pode agora trazer "alimentos"
proporcionalmente mais fortes a cada livro que apresenta. E, assim, veio
este "Deixe-me viver". Como diz o Evangelho,
 "...discurso duro de ouvir", mas necessrio, em face dos desmandos da
humanidade atual para atender ao preceito de Jesus  "conhecereis a
verdade e a verdade vos libertar".  trgico, mas lgico!

Quando assistimos s sesses de "tratamento orgnico", ou seja, quelas
em que os espritos usam de mdiuns de efeito fsico para curar o fsico
dos enfermos, v-se, s vezes, espritos que so trazidos para
tratamento orgnico, isto , recomposio do perisprito dilacerado ou
defeituoso. Tnhamos vaga idia de que havia alguma coisa sobre
desencarnados por acidente. Mas aparecem tambm espritos na forma
infantil e achvamos que eram pelos mesmos motivos traumticos, mas j
em vias de reencarnao.
 Lgico que, se isso fosse, estariam na forma embrionria,
 microscpica. Agora veio a explicao por este livro que temos a grata
satisfao, e at um certo orgulho, de prefaelar. Luiz Srgio nos traz
detalhadamente o sofrimento dos espritos
 ao serem abortados e que, pela perplexidade e incompreenso da falta de
amor dos pais, cristalizaram a forma fetal. Quem j assistiu a uma
curetagem uterina para retirada de restos de embrio ou feto mais ou
menos desenvolvido v a sangueira e os fragmentos dilacerados do
concepto e no imagina
 que ali est uma alma atormentada, aterrorizada. Nos prontos-socorros
 obsttricos do Rio de Janeiro, at a dcada de cinqenta,
 eram comuns os atendimentos de aborto inevitvel. Geralmente
 a paciente dizia: "foi um susto que levei e por isso abortei", mas
muitas vezes o obstetra encontrava fragmentos de madeira, talo de
mamoneira etc. dilatando o colo do tero, ocasionalmente
 tero perfurado por algum instrumento usado s ocultas. Eram casos
constrangedores, mas levados  conta da ignorncia. Notava-se,
entretanto, que esses abortos provocados
 apresentavam aspecto mais grave que os espontneos, acontecendo,
 s vezes, at o chamado "tero de Couvelaire", cujo sangramento
incontrolvel leva  morte, evitada somente com a retirada do tero.
Estes detalhes Luiz Srgio mostra com toda a crueza.

Este livro at que poderia chamar-se "O martrio dos abortados", to
vivamente mostra o sofrimento dos "rejeitados". Mas no fica s nisso...
Traz ensinamentos aos pais, aos jovens e faz lembrar aos mesmos que
"sexo no  parque de diverses" e que a mocidade est confundindo
inquietao sexual
 com amor, vindo, da, a raiz dos descasamentos fceis. A mulher que era
atavicamente reprimida viu-se liberada, mas saiu de um extremo e caiu no
outro; confundiu liberdade com libertinagem.
 Segundo Luiz Srgio, essa liberalidade, do ponto de vista espiritual,
foi a decadnela da mulher: "o homem tomou-se ganancioso
 e a mulher decaiu". Os quadros de obsesses, de desentendimentos
 entre os casais, segundo Luiz Srgio, tm origem
 no desejo de "gozar a vida" e levar vantagem sem importar-se
 com os demais, num egosmo atroz. Traz tambm o livro orientao para
as Casas Espritas, de modo a nos fazer lembrar os dizeres de Paulo de
Tarso: "importa
 que pratiqueis a s Doutrina", para o caso de novatos na Doutrina
 misturando credos e religies sem tratar da melhoria interior.

Leitor amigo, deleite-se com estas verdades de Luiz Srgio,
 mas prepare-se para "retificar as veredas do Senhor", porque,
 seno, haver "choro e ranger de dentes".

Luiz Srgio, aquele abrao do tio, amigo e admirador, Jlio Capil.

Braslia, 09 de outubro de 1992.

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ME, NO ME MATE, DEIXE-ME VIVER       ....

MENSAGEM AO LEITOR.

Deixai vir a mim os pequeninos e no os
 embaraceis (Marcos, X: 14). Quem atrapalha a evoluo de uma criana 
muito culpado
 e indigno de alcanar o Reino de Deus. Hoje a sociedade comenta,
apavorada, os seqestros, os assassinatos, os estupros, os furtos, as
drogas, mas se cala diante do frio e cruel assassinato
 de inocentes: o aborto. Em vrios pases o aborto cresce, at mesmo
protegido por lei; todavia, ningum se detm para pensar
 que esses crimes so praticados contra milhares de inocentes e
indefesos seres. A vtima no tem voz para suplicar: "deixe-me
 viver, no me mate", nem braos fortes para se defender. Essas crianas
esto sendo esquartejadas friamente, sem piedade,
 por mentes gananciosas e sem Deus. Quase ningum se importa;
 poucas campanhas se levantam em prol da vida desses pequeninos, vida
esta to importante como a de cada um de ns. Quem interrompe uma
gravidez est rasgando a passagem de algum para a escola da evoluo.
No esqueamos que o feto s est alojado no tero porque obedeceu a um
planejamento de Deus. Por que o homem no respeita semelhante obra?
Sabemos que muitas mulheres se julgam donas do seu corpo
 e com orgulho levantam bandeiras, dizendo: "eu me perteno,
 fao do meu corpo o que desejo, do meu ventre disponho como quero". E
assim vo matando sonhos, esperanas e causando
 dores.  certo, companheiros? Ser que no nos conscientizamos ainda de
que desde a concepo j h vida no ovo e de que a mulher  terra
frtil, destinada a alimentar a semente
 divina? Mas muitas fogem dessa responsabilidade, desejando
 apenas ser fmeas; mes, jamais. E matam cruelmente, de vrias e
estranhas maneiras. Que  o corpo da mulher? Um santurio, onde rgos
frteis
 mantm com vida um embrio. Nenhum cientista  capaz de criar um corpo
de mulher, e muitas no se respeitam, fazendo de si um objeto de desejo
e de consumo. At quando os defensores dos direitos humanos iro ignorar
esses brbaros crimes que so praticados diante de uma sociedade
esttica? Que a mulher se libere, mas respeite os seus sentimentos de
me e lute pela vida dos seus filhos. A mulher que aborta  uma
fracassada; ela no tem coragem de compartilhar sua vida com outra vida,
que dela tanto necessita. Por tudo isso, fui chamado  Universidade
Maria de Nazar para um novo trabalho e, quando soube do assunto, meus
olhos marejaram de lgrimas. Nada  mais triste do que a revolta de um
esprito no momento do seu assassinato - o aborto. Por isso aqui me
encontro, unindo minha voz  de milhes de almas indefesas que neste
momento sussurram em pungente apelo: "Me, deixe-me viver, no me
mate!"

Luiz Srgio.

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Captulo I
Os REJEITADOS ATRAVS DO ABORTO
Depois do meu ltimo trabalho, passei uns dias de folga e
aproveitei para estudar um pouco mais. Um dia, estando eu na
biblioteca, tirando algumas dvidas sobre fluidos, reencontrei
Conrad. Contentes pelo reencontro, ali ficamos conversando,
at que fui informado por Saturnino, outro querido amigo, que
estava sendo aguardado no Departamento do Trabalho. To logo
terminamos o assunto, despedi-me de Conrad e fui com Saturnino
at o local onde frei Luiz e irm Loreta nos aguardavam. Foime,
 ento, comunicado:
- Srgio, estamos muito apreensivos, pois vem aumentando,
 em escala surpreendente, o nmero de abortos praticados
friamente e, com isso, ocorrendo um desequilbrio no planejamento
 divino, pois muitos que precisam reencarnar sofrem a
rejeio dos pais, principalmente a da me, rvore que tem por
funo dar frutos. O aborto, irmo Luiz, ser o tema do seu prximo
 trabalho.
- Algo contra, Luiz Srgio? inquiriu Loreta.
- No, irm, nem imaginava que o assunto fosse to
preocupante.
- No s voc o ignora como tambm as autoridades, os
religiosos, a sociedade, enfim. Por isso aumentam cada vez mais
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esses pavorosos crimes.
- Estou ao inteiro dispor do Departamento e espero que a
equipe que trabalha comigo no plano fsico esteja apta a colaborar,
 para que tudo ocorra de acordo com a vontade divina.
- Sabemos disso. Agora, vamos aguardar o dia do incio
do socorro; at l, desfrute as nossas alamedas e se prepare para
mais uma rdua tarefa.
Obrigado, irmos. Que Deus nos ampare.
Retirei-me. Contemplando a bela universidade, sorri para
os imensos jardins e pensei: "como  possvel um esprito desejar
 ficar ao lado dos encarnados, quando temos este cu de amor!"
Aproveitei bastante o tempo em que ali fiquei para inteirar-me
da minha nova tarefa. Finalmente, chegou o dia esperado. Encontrava-me
 no meu alojamento, quando um jovem chamado
Manhuau foi-me avisar que me estavam aguardando para o incio
 dos trabalhos. Sa conversando com aquele jovem muito
educado e grande conhecedor do magnetismo das matas, at alcanarmos
 a sala oito, onde a equipe j se encontrava. Os irmos
 Luiz e Loreta fizeram a apresentao:
- Luiz Srgio, a esto os irmos que iro trabalhar com voc.
Meu corao se apertou ao procurar, em vo, os Raiozinhos
de Sol, pois todos ali me eram desconhecidos: irmo Misael mdico,
 irmo Zeus - mdico, irmo Alosio, irmo Amintas,
doutora Kelly e Hpila. Cumprimentei-os, meio sem graa. O
doutor Zeus falou:
- Muito prazer, Luiz Srgio, esperamos que todos possamos
 cooperar com o Cristo.
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Notei que eram espritos muito bonitos, de soberba linhagem.

- Srgio, temos a certeza de que o trabalho de vocs ser
benfico para o Departamento da Reencarnao, falou-me frei
Luiz.  Assim espero, amigo.
Fomos saindo e no  preciso contar a vocs que o papai
aqui, sem Enoque, Sadu e os outros, fica que nem peixe fora
d'gua. Mas, que fazer? O jeito  ir levando. O mdico Misael
instruiu o grupo:
- Primeiro, vamos conversar com Rafaela, conhec-la.
J tentou duas vezes mergulhar na carne e no a deixaram. Neste
 instante, ela se prepara para voltar mais uma vez, depois do
tratamento a que se submeteu aps ter sido abortada.
Chegamos  Colnia dos Rejeitados que, apesar de bela,
possui uma aura triste. Olhei ao meu redor e senti certa melancolia
 at nas flores, apesar de as fontes de guas cristalinas emitirem
 suave fragrnela de jasmim.
- Que lugar tristonho! As rvores parecem soluar, observou
 Hpila.
-  mesmo, amigo.
Ali estava,  minha frente, um departamento da Colnia,
ou melhor, o grande hospital. Fomos entrando. Paramos. Inmeros
 espritos avistamos, metade homem, metade criana; homem
 com fisionomia de beb e beb com fisionomia de homem.

Diante daquela cena inslita, nunca por mim divisada, indaguei,
 perplexo:
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- O que  isso, irmo Misael?!...      !   !;  
- So os abortados.
"Qu?
- Sim, Luiz Srgio, esto aqui em tratamento at
retornarem  carne.
- Iro assim, deformados? , (
- No. S depois de curados. Ficaram assim pelo choque;
 mesmo socorridos, a casa mental foi atingida.
Na enfermaria trs - Enfermaria de Jesus, vrios espritos
 recebiam da irm Paulina uma aula de amor. Ela os tratava
como crianas, cantava e orava, enquanto eles brincavam como
se realmente o fossem. Ali da porta, ficamos a observar.
- At quando ficaro assim? perguntou Hpila.
- A volta ao normal  um trabalho demorado, o abortado
se sente extremamente infeliz.
Seguamos devagar, quando nos defrontamos com Rafaela,
uma bela mocinha, acompanhada de uma irm, chamada Maria,
que fez a nossa apresentao:
- Rafaela, estes so nossos amigos, esto aqui em estudo.
Sorriu com carinho. Meu corao recebeu seu sorriso com
ternura e tambm lhe sorri. A irm elucidou:
- Rafaela inicia amanh o regresso  carne. Sendo um
trabalho de risco, ela parte para outro departamento e hoje estamos
 nos despedindo.
- Que bom, voc vai reencarnar. Gosta de seus pais? indaguei-lhe.

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- Nem sei se vou conseguir reencarnar, minha me no
me aceita, j me abortou...
- J? admirou-se Amintas
- Sim, e temo passar outra vez por semelhante situao.
- No, isso no vai ocorrer. Se Deus quiser, voc ser
recebida com amor.
- Deus o oua. s vezes sinto-me to cansada...
Ali ficamos conversando, enquanto os mdicos da equipe
visitavam outros departamentos. Percebemos o quanto aquela
criana precisava reencarnar. Amintas, comovendo-se, disse-lhe:
- Rafaela, desejo a voc muita luz.
- Obrigada, irmo.
Despedimo-nos. Alosio nos convidou a observar outros
lugares. Notamos que os cuidados eram imensos para com aqueles
 desprezados. Quando nos dirigimos a um desses locais, encontramos
 irm Severina.
- Cuidado, no se aproximem muito de Paulinho, ele est
furioso - alertou-nos.
- Quem  Paulinho? perguntei.
-  um esprito que j foi rejeitado oito vezes, respondeu-me
 Alosio.
- Oito vezes? E por que ainda tenta?
- Por ser necessrio. A me de Paulinho deve-lhe essa
oportunidade. Desta vez ser a ltima. Se ela o rejeitar, ele renascer
 no tero de uma santa mulher que, mesmo no tendo
ligao com ele, ir receb-lo. Ele ser como um adotado.
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- Adotado? Explique-me.
- Sim. Existem mulheres que, quando consultadas pelo
departamento reencarnatrio, aceitam ser mes de um rejeitado
e engravidam. Quantas vezes indagamos como um certo casal
pode possuir um filho to diferente dele!
- Obrigado, irmo, tomaremos cuidado. At j.
Aproximamo-nos de Paulinho e vimos que se encontrava
como se enjaulado. Seu quarto era amplo, nove por nove, talvez,
 mas dentro dele havia outro, com grades magnticas. Ele
chorava e gritava: "assassina, assassina! Eu te mato! Me dos infernos!"
Recitei uma orao que fiz para minha me. As palavras
foram ditas com tanto fervor, que ele se foi acalmando.
- Que f, hem, Luiz Srgio? Parece-me que vai dormir,
disse Hpila.
- Graas a Deus, falei.       "''!*-*>       <
O quarto possua somente uma cama. A parede sonora lhe
ofertava a companhia dos grandes mestres da msica clssica.
Hpila falou-me com ternura:
- Irmo, repita a sua prece. Achei-a linda.
Cerrei meus olhos e orei:
- Bendito s, meu Pai, por me teres ofertado uma me,
mulher que deixou desabrochar em seu ventre o meu esprito e
me amparou em criana. Foi o guia dos meus dias, o anjo das
minhas noites, a me das horas difceis, a amiga dos momentos
alegres, conciliadora nas minhas contendas, baluarte do meu
carter. Me, pronuncio o teu nome, bem baixinho para os outros,
 mas para o meu corao uma sinfonia de amor. s tambm
bendita, toda minha. S tu, me, me conheces como sou e me
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amas mesmo assim. Flor do meu caminho, alicerce do meu lar,
brisa da minha vida. Me querida, que Deus te abenoe, s meu
anjo protetor.
Minha orao adormeceu Paulinho, o que nos permitiu analislo.
 Pareceu-me doente, muito doente. Jamais supus a existncia de
tantas enfermidades nos rejeitados. Paulinho era uma das vtimas
do aborto. Como  possvel o profissional que recebeu um diploma
para salvar vidas ser um exterminador? Aquele garoto trazia no corpo
 as marcas das torturas fsicas e na mente a chaga da rejeio.
Dava-nos vontade de agasalh-lo em nossos braos, ao v-lo deitado,
 na posio fetal. Paulinho sofria terrivelmente pelos pavorosos
abortos praticados contra ele. Em sua casa mental pudemos reencontrar
 todos os aparelhos possveis, usados nas clnicas da dor.
Ficamos, por bom tempo, orando por ele. Depois, voltamos
 ao grande jardim florido da Colnia. Eles precisam muito
daquele belo lugar, ningum mais do que eles carecem de Jesus.
Os mdicos juntaram-se a ns.
- Ficaremos no "chal amor-perfeito", comunicou-nos a
doutora Kelly.
- No vamos agora ao plano fsico salvar as crianas?
perguntei.
- Ainda no. Conheceremos antes cada caso, para tentar
ajud-los.
- Desculpe, irm, mas os Raiozinhos no podem trabalhar
 com a gente?
- No, Luiz, no momento eles tentam salvar tambm outras
 crianas de Jesus.
- Espero que voc goste de ns, falou Zeus.
- Desculpe-me, sou meio "lel da cuca".
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- Conhecemos voc muito bem e sabemos que o irmo 
possuidor de um imenso corao, que tambm nos abrigar.
-  isso, amigos, eu amo vocs.
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Captulo II
O DIREITO  VIDA
Passeava meus olhos por toda a Colnia, enquanto pensava:
 "meu Deus, como  possvel entender que uma mulher seja
capaz de assassinar o prprio filho?" Nisso, fui chamado pela
minha nova equipe de trabalho:
- Luiz Srgio, vamos prosseguir com a visita aos doentes.

Assim o fizemos e chegamos a uma enfermaria. Os bebs
eram metade beb, metade adulto, como me referi antes. Uns
urravam, outros choravam, e ainda outros proferiam palavres;
todos muito revoltados. O encarregado daquela enfermaria permitiu
 que somente os mdicos entrassem e estes, quando o fizeram,
 foram cercados pelas vtimas do aborto. A doutora Kelly indagou:
- Quando eles voltaro  carne?
- No sabemos. Antes tero de sofrer algumas cirurgias
perispirituais e receber tratamento psicolgico. Se os irmos desejarem,
 podem assistir  luta dos psiclogos espirituais para
tratar essas mentes, pois muitos deles relutam em sarar.
Zeus aproximou-se de Mrio e lhe perguntou:
- Que deseja o irmozinho?
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- Quero mame, quero papai - respondeu, com voz infantil.

Zeus alisou sua cabecinha, dizendo, carinhosamente:
- Recorde, Mrio, que Deus, nosso verdadeiro Pai, jamais
 nos abandonou. Procure tomar-se filho dele e jamais ser
abandonado.
Mrio comeou a babar, com a mo dentro da boca. Jogou-se
 ao cho, retorcendo-se e gritando: "mame, papai, mame,
 papai..." Da porta, eu e os outros companheiros observvamos
 a triste cena. Eu fazia fora para parecer duro, mas o
meu esprito chorava de tristeza por verificar que, enquanto as
clnicas abortivas se alastram no Brasil e no mundo, o plano
espiritual colhe os lrios e os cura das violncias de que so
vtimas no plano fsico. Ningum pode imaginar o trabalho da
espiritualidade nas colnias que funcionam como verdadeiras
clnicas de recuperao. E tudo isso porque o homem e a mulher
julgam-se no direito de matar.
Observvamos o martrio dos rejeitados, quando vimos Solange,
 uma garotinha, ou melhor, um beb, toda deformada, que
gemia baixinho. A mdica de servio, chegando bem perto, envolveu-a
 com a luz azul, enquanto ela, suplicante, olhava para todos.
- Hoje vamos submet-la a mais uma cirurgia. Logo estar
 curada - falou a doutora para Solange.
O nen nada disse, mas seu olhar queria indagar: "para
qu? Para voltar ao plano fsico e ser novamente violentada atravs
 do aborto?" A mdica pareceu compreender Solange.
- Se agora tiver de voltar, ser atravs de uma mulher
que mesmo no tendo ligao espiritual com voc, ir receb-la
como filhinha querida. Existem, Solange, criaturas boas e mulheres
 divinas; no tema os encarnados. Existem criaturas maravilhosas,
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que tudo fazem pelos outros. Poucos so os maus.
Solange submetera-se a longo tratamento perispiritual. Fora
sugada pelo aborto, retirada do tero materno aos pedaos e j sofrera,
 at aquele momento, oito operaes, porm recusava-se a
apagar de sua casa mental os minutos cruis do seu assassinato.
- Que me, hem?
- Vamos assistir ao filme de Solange, Luiz Srgio.
Acionado, o projetor nos ofereceu a imagem de um casal
em sua vida social: barzinhos, festas, cinemas, teatros, enfim,
"aproveitando a vida", at que surgiu uma gravidez inesperada.
E justamente quando planejavam uma viagem para a Europa. O
que fazer com a criana? No pensaram duas vezes: abortar.
Assim, a me de Solange deu entrada numa clnica de aborto,
pagando alta quantia para se livrar dela. Nem achou caro. No
sabia ela o quanto este dinheiro iria render-lhe de dbito. Quantas
lgrimas teria de verter para pagar este hediondo crime! Queira
Deus que Solange um dia cruze o seu caminho e possa perdoarlhe.
 Jamais supusera existissem casais que por um nada matassem
 seu prprio filho. Acompanhamos, em seguida, o suplcio
de Solange, recebendo as pancadas de um mdico aborteiro.
Ningum pode imaginar esse horror. S no sofre mais o esprito
 do abortado, porque Maria de Nazar e Sua falange de abnegados
 espritos divinos fazem guarda nessas clnicas, para socorrer
 essas vtimas indefesas. No momento em que o esprito
est lutando para permanecer no tero, a equipe de Maria tenta
retir-lo, antes do crime, mas muitos deles reagem, por julgar
que a me ainda vai desistir do seu intento.
Fiquei louco de d. Solange acreditava que a me fosse
salv-la. Corria do aparelho, apavorada, rejeitando o socorro da
equipe de Maria.
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Enquanto o homem mata, Deus cria e perdoa os que no
respeitam a vida, mas ai daqueles que brincam com as obras de
Deus. A maternidade bendita  luz a clarear a Terra.
Solange foi esquartejada e jogada em uma lata de lixo.
Seu perisprito, todavia, foi socorrido pelos mdicos divinos.
Ningum conseguia apagar da mente de Solange a violncia
sofrida.
- E ainda vo mand-la de volta a to sangrento casal?
perguntei ao meu colega.
- No. Solange sofreu muito e agora entrar em uma outra
 famlia. Ser adotada no plano espiritual.
- Qu? Explique para mim, no estou compreendendo.
- Mas  fcil compreender: h muito esta criana espera
a boa vontade dos pais, e eles sempre relutando em receb-la.
As voltas dolorosas maltrataram Solange demais. Ser selecionado
 um lar, mesmo sem que ela tenha qualquer vnculo com o
casal escolhido, ou seja, dvidas pretritas. Queira Deus ela ame
como merecem aqueles que, por bondade, iro abrig-la. O casal
 em questo no tem filhos e h muito deixou de se preocupar
com essa possibilidade; agora vai receber Solange, uma criana
marcada pela ignornciado homem, mas rediviva pela bondade
de Deus. Sabemos que os espritos, unidos pelos sentimentos,
formam no espao grupos e famlias. Solange no pertence ao
grupamento espiritual da famlia que ir abrig-la. Os que seriam
 seus pais longe se encontram de Deus. Sabe que Solange foi
me do homem que hoje pagou para mat-la? Veja o que faz a
matria, entorpece os sentimentos, e se o homem no se espiritualizar,
 cada vez mais se distanelar de Deus.
- O que pode acontecer aos pais que a renegaram?
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- No sabemos. Mas um dia choraro de remorsos.
Outro caso lamentvel foi o de Fernando. Da cintura para
baixo possua a forma de um beb e da cintura para cima o formato
 de um homem. Seu olhar cintilava de dio. O mdico lhe
perguntou:
- Voc  o Fernando? ele assentiu, com leve movimento
de cabea. - Deseja conversar hoje?
- No, nada quero, somente morrer de vez.
- Sabe que isso  impossvel. E depois, o plano de Deus
espera por voc. Ter de voltar  terra e prosseguir viagem.
- Vocs so loucos e sanguinrios. Vejam o meu estado!
Obedecendo  Espiritualidade Maior, freqentei todos os cursos
 para o mergulho em novo corpo e hoje, o que restou de mim?
Uma deformao odiosa, pela rejeio de algum que prometeu
acolher-me em seu ventre. Tudo mentira! Nada quero, no acredito
 em mais nada. O mundo  feito de dio.
- Fernando, por favor, vamos buscar sua antiga forma,
ela est na sua mente, vamos correr para os braos de Jesus e
ver que  capaz de faz-lo. Nada pode tolher seus movimentos,
eles lhe pertencem, portanto, a sade est em voc, busque-a
agora, queira-a, meu irmo!
Fernando gritava:
no posso, no v que tenho um aleijo? Sou homem e beb.No, voc no 
 um beb. Voc  que insiste em recordar
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to triste fato. Esquea-o, irmo querido, e busque em sua
alma a forma verdadeira do seu corpo de homem. Agora vamos
imaginar cada rgo seu e ver surgir o verdadeiro Fernando.
- No posso, eles me matam! A mesa... os aparelhos... as
seringas... a dor, a dor, a dor queima, queima, queima!... No,
no me mate, me! Nada lhe fiz de mal, peo-lhe somente: deixe-me nascer!
- Fernando, o seu corpo, o seu corpo, Fernando! Moldeo
 novamente! Molde-o novamente como voc era antes!
- No posso! O lquido me queima, estou sendo assassinado
 friamente! O que fiz pra vocs, assassinos? Reduzem-me
a feto e, agora, covardemente, abusam da minha pequenez e me
matam! Por favor, deixe-me nascer, no os perturbarei jamais.
Abandonem-me depois para que outros me criem, mas no me
matem, covardes. Eu no tenho armas para me defender. Um
dia tero de pagar por isso e o meu dio ser eterno. Como posso
 cham-la de me, quando assassina um filho inocente e indefeso?
 Nem o animal pratica to cruel assassinato. Bandidos,
bandidos cruis!
Dizendo isto, desmaiou.
; - Luiz Srgio, todos os dias tentamos trazer Fernando de
novo  realidade, mas ele no esquece o aborto covarde que
sofreu.
Fernando foi retirado dali, mas os seus gritos ainda ressoam
 em meu esprito: "como vocs so cruis, eu no posso me
defender, sou to pequeno!... Vejam, o que lhes posso fazer de
mal? Apenas deixem-me nascer, no me matem, covardes."
- Meu Deus, que desespero!
- Tem razo, Luiz, esta Colnia  regada pelas lgrimas.
26



Ao virar-me para ver quem me falava, vi irm Roslia, a
querida irm das flores, o rouxinol de Deus. Encostei a cabea
em seu ombro e chorei como uma criana. Ela me consolou, carinhosamente:
- Querido Srgio, fique calmo, o trabalho vai exigir-lhe
muito equilbrio, no se esquea de que, enquanto o homem
despreza, a Espiritualidade Maior socorre e ampara. Todos recebem
 de Maria e de Jesus as bnos da eternidade.
- Irm, ser que o homem nunca se conscientizar de que
o seu corpo  frgil e um dia ter de guard-lo numa vala de
terra para que os vermes se alimentem dele? Ser que a mulher
no aprende com Maria a amar o seu filho como uma obra das
suas entranhas? At quando a mulher que aborta vai ser um objeto
 sem corao?
- Meu filho, no julgue. Elas so to infelizes! O ser que
no respeita no  respeitado. Nada  mais triste que isso.
Os mdicos ainda permaneceram ali, mas ns seguimos
irm Roslia at o refeitrio, onde outros rejeitados se encontravam.
 Irm Roslia foi cantando:
- Me, deixa-me nascer, ,       
Preciso muito de ti
Eu quero descer
 terra e crescer.
Deixa-me, me, ,., >      >
No me mates, no.
Se tu podes viver,
Por que me matar?
No me mates, no.
27



O refeitrio estava repleto. Aquelas crianas deformadas
pareciam filhos de uma guerra.
- Por que ainda esto assim?
- Cada um guarda na lembrana o cruel momento do aborto.
 E ainda por muito tempo eles iro sofrer o trauma dolorido
da maldade humana. Luiz Srgio, hoje, no mundo inteiro, o aborto
  praticado. So milhes de almas que voltam para o plano
espiritual em estado desesperador. Fala-se muito em direitos
humanos, mas ningum levanta a voz para defender a vida de
um feto. Eles so ainda tratados, por alguns homens, como uma
bola sem vida, desconhecendo que no zigoto j existe vida. Enquanto
 na Terra existir uma clnica de aborto, nela existiro lgrimas
 e desespero. O homem que defender esse covarde crime
sentir o ranger dos dentes. Ningum, nenhum ser encarnado
possui o corpo fsico imortal, e queira Deus no estejam ao lado
do tmulo os espinhos plantados pelo seu corao repleto de
egosmo, no dia em que depositar esse corpo na sepultura. Ningum
 tem o direito de infringir as leis da Natureza e nesta Colnia
 defrontamos com milhares de espritos que no puderam reencarnar,
 porque a ganncia de alguns profissionais e o egosmo
de algumas mulheres no o permitiram.
Fitando aqueles espritos, agradecemos a Deus pelo Seu
amor e perdo. Prometemos a Ele lutar pelo direito da vida, pelo
direito da mulher com Deus e orar por todos os que, fria e covardemente,
 assassinam seus prprios filhos.
28



Captulo III
MARINA CONSTRI o SEU UMBRAL
Os rejeitados olhavam para irm Roslia com muito amor,
pois eram tratados com carinho e respeito. Terminada a refeio,
 ela e mais duas irms saram para o jardim, onde inmeras
brincadeiras levavam aqueles espritos a esquecer, por breves
momentos, o dio de algumas pessoas por eles. Aproximei-me
de Aquiles, um garoto com aparncia de oito anos, olhar tristonho,
mas muito bonito.
- Gosta de brincar de pique-esconde?
- Sim, gosto muito, mas gosto mais  de ouvir histrias
da tia Roslia. Quer ouvir uma que julgo seja da minha prpria
vida?
-  mesmo? E voc pode contar-me?
Sorriu, iniciando a narrao:
- Vivia um casal de meia-idade em um palacete muito
belo na capital paulista. Eles no tiveram filhos, mas apegaram-se
  filha da empregada, que cresceu cercada de todo conforto e
amor. O casal adorava Marina e ela, j moa, "aproveitava a
vida". Preocupados, davam-lhe muitos conselhos que, geralmente,
 no eram obedecidos. Pouco parava em casa. Era modelo
fotogrfico. com o passar dos meses, tomou-se famosa, escolhida
 como capa de quase todas as revistas brasileiras. Um dia
29



Marina foi levada, atravs do sono, at o Departamento da Reencarnao,
 pois relutava em aceitar um esprito muito devedor
que precisava reencarnar. Implorou, chegou at a chorar, justificando
 que no podia ter filhos. O Departamento concedeu-lhe
um prazo, salientando que por nada retardaria mais a volta do
irmo  carne. Marina prometeu que, to logo estivesse em condies
 de ser me, tudo faria para conceber o filho. Foi mostrado
 que esse filho era um irmo do passado que ela, Marina,
lesara, tanto na herana quanto no carinho. Ela precisava receber
 o irmo, para que o planejamento espiritual fosse cumprido.
Marina sentia pavor de engravidar. Os filhos, no seu entender,
s serviam para atrapalhar e ela no tinha tempo, o sucesso era a
sua meta. Os pais adotivos a adoravam e almejavam um neto. O
tempo foi passando. Sua me verdadeira desencarnou, deixando
 Marina s com os velhos pais adotivos. Seguiram-se viagens
e compromissos. Um dia, a "sineta do amor"(1) ressoou no Departamento
 da Reencarnao e Marina se viu grvida. Horror,
desespero, lgrimas. Os pais prometeram ajud-la; ficariam com
a criana. Mas, e o seu corpo escultural? O que seria dela, gorda
e preocupada com um filho? Se a vaidade gritava "mata", o corao
 de mulher dizia baixinho "eu preciso ter um filho".
- Aquela tarde de setembro - continuou Aquiles - encontrou
 Marina sentada na sala de espera, aguardando o momento
 de se livrar do feto. J o sentia crescendo no seu ventre
de mulher. No queria pensar, nem havia contado sobre a gravidez
 para o homem com o qual vivia um louco e atormentado
amor. Celso lhe cobrava uma dedicao absoluta, morria de cimes
 dela, era apaixonadssimo e desejava casar-se o mais depressa
Para melhor compreenso desta passagem, consultar o livro Lrios 
Colhidos,
12 volume da Srie Luiz Srgio, Captulo IV - Gravidez.
30



possvel. Se ele tomasse cincia da gravidez, obrig-la-ia a ter o
filho. Marina meditava. Enquanto se encontrava pensativa, os
socorristas daquela clnica abortiva tudo faziam para que ela desistisse
 do crime. Os seus pensamentos estavam embaralhados. De
repente, surgia uma criana linda, pedindo-lhe: "deixe-me viver!
No me mate!" Mas, se os socorristas lhe chamavam pelo corao,
outros espritos lhe aguavam a vaidade. Era a luta entre o bem e o
mal. Na hora em que Marina deu entrada na sala mdica, o olhar
dos socorristas foi de desespero. Mais um crime seria ali praticado,
num matadouro de homens. O mdico, Roberto, usando dos mais
sofisticados mtodos, em alguns minutos destruiu o trabalho de anos
da espiritualidade. No momento da suco, Marina sentiu seu corao
 doer. Era o filho que se desligava do seu corpo. Olhou os pedaos
 de carne atirados no lixo e pensou: "ainda bem que no tem
vida". Ela, porm, no assistiu, do lado espiritual, a uma equipe
mdica entrar em ao e tentar, desesperadamente, impedir que o
feto sofresse demais. Contudo, mesmo recebendo boa assistncia
do departamento encarnatrio, o esprito no conseguia livrar-se da
dor da rejeio e se contraiu de tal maneira, que o seu perisprito
sofreu uma sobrecarga energtica e continuou criana. Uns conseguem
 crescer aqui na Colnia, outros se vem ora criana, ora adulto.
 No  raro voltarem totalmente alucinados pela forma violenta
do aborto. Esses so confiados a excelentes psicanalistas ou psiquiatras,
 tal o trauma que sofrem. Marina jogou o corpo do filho numa
lata de lixo, corpo este que ela, com seu parceiro, compuseram num
ato de amor. Marina deixou, naquela clnica, um pedao do seu
corpo e levou consigo um dbito enorme. O grupo de socorristas
sentia-se desolado; por mais que prestasse auxlio  criana, ela,
bastante perturbada, retorela-se nos braos dos enfermeiros e
gritava sem parar.
31



'- Quando Marina chegou  sua casa, foi repousar; sentia-se
 vazia e triste. Algo acontecera com ela. Mas isso durou
pouco tempo, pois estava novamente aproveitando a vida. Os
pais adotivos viveram pouco mais, vindo a falecer. Ela ficou
milionria, e a, viajando muito, largou o homem que dizia amar,
iniciando outro romance, agora com um poltico. Pobre Marina,
outra vez chamada ao compromisso, aceitou sem vacilar; era
fcil livrar-se de uma gravidez, porquanto existem clnicas com
excelente aparelhagem, completo tratamento e ela bem as conhecia.
 Volta o Departamento trazendo a mesma criana, s que
agora, se ela nascesse, iria dar um pouco mais de trabalho. O
perisprito havia sofrido com o ltimo aborto e o esprito ainda
estava perturbado. Quando Marina soube da gravidez, nem se
preocupou. Marcou uma hora e l, mais uma vez, extraiu o feto,
no sabendo ela que nesse segundo aborto o filho designado
para ela sofreu ainda mais. Foi dramtico. No s ele sofreu,
como tambm Marina, porque perdeu muito sangue, sentindo-se
 muito mal. Mas, outra vez olhou o depsito de lixo e pensou:
"nem estava formado ainda". Se ela fosse espiritualizada, teria
visto a expresso de horror e muitas lgrimas naqueles pequenos
 olhos. Marina logo estava recuperada e voltou a aproveitar
a vida. Os parceiros eram trocados conforme o momento vivido.
 Agora se dizia apaixonada por um jovem, cerca de cinco
anos mais novo, que sonhava ser pai. Marina no engravidava.
Passou por vrios tratamentos, at que um dia anunciou ao homem
 amado a gravidez. Quanta felicidade! A espera no foi fcil,
 sofreu, mas com um repouso absoluto at o parto, a criana
nasceu. S que ao sofrer tanta violncia, aquele esprito voltou 
terra com algumas deficincias. Marina no se conformava, e os
amigos diziam: "coitada!", no sabendo que foi Marina a culpada
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daquelas leses no filho. O marido queria um filho perfeito;
ao sab-lo deficiente, no o aceitou e Marina se viu sozinha.
Revoltada, criava o filho, ou melhor, sustentava-o materialmente,
 pois era criado por Elza, uma velha bab. Ela continuava na
mesma rotina e nunca mais foi me. s vezes olhava o filho
doente e uma lgrima molhava o seu rosto. Remorso? No sei.
Acho mesmo que de revolta. A rica, cobiada e linda mulher
tinha um filho doente. Era demais para ela. Nunca Marina perdoou
 a Deus, a injustia de Deus, como ela sempre dizia.
- E o garoto, o que foi feito dele? perguntei a Aquiles.
- Para felicidade de Marina, desencarnou com doze anos.
Teve uma parada cardaca. Os remdios que tomava eram to
fortes que o corao no agentou. Mas quando isso aconteceu,
o menino j tinha estudado e aprendido muito no corpo fsico.
- Para que hospital ele foi quando desencarnou?
- Veio para c. No se esquea de que  um rejeitado.
- E Marina? O que foi feito dela?
- Desencarnou. Um dos seus amores, com imenso cime,
 lhe tirou a oportunidade de pagar os seus dbitos na carne.
Hoje sofre nos umbrais, grita por clemnela, mas ningum pode
aproximar-se dela. Plantou a dor e est colhendo o desespero.
- E por que voc no vai at l busc-la?
- Simplesmente porque at ontem eu era um doente. Somente
 hoje, depois de muito tratamento, vejo-me quase refeito
da violnciaterrquea. Vou pedir permisso para ajudar minha
me e queira Deus ela agora me aceite - falou, com os olhos
rasos de lgrimas.
No s ele chorava, eu chorava muito mais e pensei: "como
 triste desejar aproveitar a vida, esquecendo-se de respeitar as
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outras vidas!" Que Deus perdoe aqueles que matam os sonhos
alheios.
Abri as Escrituras: Sabedoria, Captulo VII, versculos 1 a 6:
Salomo era apenas um homem.
Tambm eu sou um homem mortal, igual a todos, filho
 do primeiro que a terra modelou, feito de carne, no
seio de uma me, onde, por dez meses (lunares), no sangue
 me solidifiquei, de viril semente e do prazer, companheiro
 do sono. Ao nascer, tambm eu respirei o ar comum.
 E, ao cair na terra que a todos recebe igualmente,
estreei minha voz chorando, igual a todos. Criaram-me
com mimo, entre cueiros. Nenhum rei comeou de outra
maneira. Idntica  a entrada de todos na vida, e a sada.
34



Captulo IV
YURA^- SEQELAS DA INSENSATEZ
A medida que me inteirava das histrias daqueles espritos,
 mais me comovia. Como pode o homem ignorar o mundo
espiritual, se aqui e ali um adoece, outro desencarna? Mesmo
assim, a Humanidade est cada vez mais materialista e  esse
materialismo que hoje faz aumentarem as clnicas do aborto.
Muitos fingem ignor-las, mas elas funcionam e at em lugares
respeitados pela sociedade.
Aqui, na Colnia dos Rejeitados, estamos vivendo ao lado
das vtimas da liberdade sexual. Na nossa frente, os rejeitados,
os filhos assassinados por mulheres que no aprenderam a respeitar
 a si mesmas.
A enfermeira Loreta, indicando uma garota de dois anos,
Yura, que cantava junto  irm Roslia, disse-me:
- Veja, Srgio, aquela menina: no momento do desencarne,
 ou melhor, na hora do aborto, plasmou esse corpo de uma
criana de dois anos e aqui se encontra h quatro anos. Por mais
que receba tratamento, teima em no crescer e encarnar de novo.
Vamos at l, quero que a conhea.
Ao nos aproximarmos, ela buscou o colo da irm Roslia,
encolhendo-se toda, trmula de medo e choramingando, assustada.

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- No fique assim, querida, o titio j vai embora, disse-lhe eu.
Alisei seu cabelo e me retirei. Loreta me acompanhou, pedindo
 desculpas.
- Sabe, Srgio, vou-lhe contar a vida e a luta de Yura para
nascer. Dizem que  da sua ltima encarnao o nome que hoje
usa. Foi mulher lindssima quando viveu no plano fsico. Desencarnou,
 mas precisou retornar ao seio da sua antiga famlia.
A, iniciou-se a sua tortura. Aps longo aprendizado, chegou o
momento da volta  carne e com apenas dois meses de vida
uterina recebeu violenta carga negativa de repulsa e dio. Por
mais que implorasse que a deixassem viver, sentiu a violncia
do homem encarnado, infligindo-lhe um dos mais cruis mtodos
 abortivos: aquele no qual sentiu sobre a sua frgil pele a
queimao. Desesperada, viu-se tragada por uma gua fervente
e, para no sofrer demais, plasmou em sua mente que era uma
linda menina de dois anos de idade. O corpo foi jogado fora,
mas sua alma foi amparada pela mo sublime de Maria de Nazar.
Outras tentativas reencarnatrias se fizeram e o mesmo fato ocorreu.
 Abrigada por espritos abnegados, Yura reluta em voltar 
carne e at hoje no se reequilibrou.
- Meu Deus, julgava eu que a droga fosse a pior coisa do
mundo, a assassina cruel dos sonhos e da dignidade humana,
mas diante de tantas clnicas abortivas, cheguei  concluso de
que o aborto, diante da droga,  um mal assustador. Ningum
pode imaginar quantos fetos so assassinados diariamente por
profissionais inescrupulosos, vidas interrompidas por pessoas
gananciosas. Assim como Yura, vrios e vrios espritos esto
sendo arrancados do tero materno com selvageria e nada se
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diz, nada se faz; quando se faz  para pedir a liberao desse ato
covarde em nossa Ptria. O aborto no s interfere no plano
divino como tambm faz muito mal  mulher e muitas delas j
bem cedo sofrem as suas conseqncias. Hoje estamos vendo
at adolescentes praticando esse ato to cruel e desumano: o
aborto.
- Voc tem razo, Luiz Srgio, a mulher que interrompe
covardemente uma gravidez um dia sofrer no s com os remorsos,
 como tambm por ter violentado o prprio corpo.
Sem deixar de fitar Yura, agradeci a Deus por todas as grandes
 almas que cooperam com o seu prximo. Orei tambm por
todos aqueles que egoisticamente s pensam em si mesmos.
Encontrava-me cansado. Fui saindo, contando os meus
passos. Meu corao chorava baixinho em imaginar o compromisso
 de um aborteiro, o seu desespero ao transpor a porta da
espiritualidade, quando o dinheiro ganho facilmente no lhe servir
 para nada e a conscincia culpada pelo remorso ser um
fardo pesado de carregar. Querendo fugir dali, passei por Hpila
sem v-lo. Era demais para mim conviver na espiritualidade com
as conseqncias daqueles erros humanos. Os aborteiros no
podem aquilatar quantos pais, mes, filhos e parentes queridos
desencarnados foram por eles impedidos de renascer, atrapalhando
 assim todo o trabalho do Departamento da Reencarnao.

- Luiz Srgio!... - chamou-me Hpila.
- Sim, irmo. O que deseja?
- Apenas convid-lo a descermos, hoje vanjos integrar,a
equipe das encarnaes difceis.
- Difceis, amigo?
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- Sim, dos provveis rejeitados, pois comumente o abortado
  um esprito muito ligado  me ou ao pai que hoje o despreza.
 O grupo nos espera no anfiteatro oito; dirijo-me para l,
se o irmo desejar ficar aqui, l o esperaremos.
Olhei o meu novo companheiro, analisando-o: alto, porte
atltico e muito educado. Sorri-lhe, agradecido, mas ainda fiquei
 na pracinha algum tempo, onde as flores me sorriam, encorajando-me
 a prosseguir na minha luta evolutiva junto a todos
os que sofrem. Quando cheguei, a turma orava para iniciar o
trabalho na crosta da Terra. Acomodei-me no final do anfiteatro
e me senti aliviado com as preces ali proferidas, como se uma
nova energia me banhasse o corpo e o esprito. O ambiente era
de uma paz to grande, que pensei: "isto  um pedao do Cu".
Muitos oravam sentidas preces, cada qual mais bela que a outra,
levando-nos s lgrimas. Era o departamento reencarnatrio que
pedia a todas as mes encarnadas: "deixe-os viver!"
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Captulo V
NOVA INCURSO DE JONAS
Ao sairmos dali, caminhamos at a sala da doutora sis.
Ela nos recebeu muito sorridente.
- Luiz Srgio, j conheceu a Colnia?
- S alguns departamentos, que me deixaram bastante
triste. O encarnado nem imagina, ao praticar o aborto, o mal que
est fazendo, destruindo o trabalho de tantas pessoas em apenas
alguns momentos. E o pior: o aborto no s maltrata o feto,
como leva o seu esprito a um terrvel desequilbrio.
- Hoje, Luiz Srgio, pratica-se o aborto com uma facilidade
 enorme; mesmo no Brasil, onde  considerado crime, at
em hospitais ele  praticado sem piedade. Alguns ginecologistas
dizem que a paciente vai fazer uma cauterizao e realizam o
aborto.
- Verdade, irm?
- Luiz Srgio, no Brasil so bem corriqueiros estes fatos.
- Irm, por que matam tanto?
- Porque acham que os filhos do trabalho e muitas mulheres
 no possuem amor suficiente para a renncia que a maternidade
 exige. Trabalhando junto s crianas encarnadas, constato
 o desleixo em que muitas so criadas. Inmeras pessoas
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julgam desnecessrios certos cuidados com o beb e este, muito
frgil, logo sofre as conseqncias da falta de higiene.
- Mas j ouvi dizer que o excesso de cuidados  prejudicial
 a uma criana.
- O exagero, sim, mas uma criana necessita de ambiente
limpo, roupas confortveis e me amorosa. Os sacrifcios
despendidos nos primeiros meses sero compensados pela sade
 futura do beb. O leite materno ainda  o melhor alimento e
feliz da me que tudo faz para amamentar seu filho. No sendo
isso possvel, a alimentao artifielal tem de ser feita com todo
critrio. Muitas mes, por comodismo, no esterilizam a mamadeira;
 enquanto a criana precisar us-la, deve ser esterilizada.
Gostaria que as mes compreendessem o quanto so benficos
para seu filho certos pequenos cuidados.
- Dizem que  prejudicial muito cuidado com a criana.
Por exemplo, se cair a chupeta ao cho, no procurar lav-la,
porque a criana precisa imunizar-se. E verdade?
- Muitas pessoas, sem conhecimento de higiene, tambm
no lavam o que cai no cho. A defesa imunolgica  adquirida
atravs do fortalecimento da prpria criana. Sujeira no  defesa,
 ao contrrio,  a inimiga nmero um da criana. Hoje, Srgio,
 defrontamo-nos com muitas crianas das classes baixa,
mdia e alta, enfim, de todas as classes, carentes de amor e cuidados,
 criana que o odor forte a acompanha, por falta de asseio.
 A criana que regurgita demais, isto , vomita muito, deve
ser limpa a cada vmito. A me cuidadosa lava o rosto e o pescoo
 a cada regurgito do seu beb. Precisamos cuidar bem de
um beb, do contrrio ele carregar pela vida afora doenas causadas
 pelo desleixo. Est vendo, Luiz Srgio, por que muitas
mulheres preferem matar do que criar? Um beb no d trabalho
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quando  tratado com amor, e gostaramos que todas as mulheres
 despertassem para a maternidade, tudo fazendo para alimentar
 a sua criana, tomando suas vidas um cntico de esperana.

- Existe criana que sofre, no  mesmo?
- E como, Luiz Srgio! Infelizmente, poucos renunelam
em prol de um beb. A criana, para muitos casais,  um fardo
difcil de carregar. Feliz do ser que recebe de Deus um esprito
para cuidar e consegue cumprir satisfatoriamente sua tarefa. Os
minutos, as horas dedicados a um beb sero benficos para o
seu equilbrio. Os dois primeiros anos de um reencarnante so
importantssimos.
- Irm, gostaria que a senhora escrevesse um livro. J
tenho at o ttulo: "Como cuidar do seu beb".
Ela sorriu, dizendo:
- Vou pensar. Mas, Luiz Srgio, deixemos este assunto
para mais tarde e vamos juntar-nos ao grupo. Neste momento
est sendo preparada a reencarnao de Jonas. Ser de grande
proveito para todos ns.
Segui ao lado da doutora sis, pediatra to amada de todos
ns, que trabalha no s pelas crianas espirituais, como est
sempre ao lado das mes encarnadas ajudando-as a cuidar com
dignidade dos seus filhos. Ao chegarmos ao departamento, j se
encontravam l os doutores Misael, Zeus e Kelly. Aguardamos a
chegada de Amintas, Hpila e Fabiana. Todos reunidos, o doutor
 Zeus nos comunicou:
- Vocs acompanharo Jonas at o lar que precisa receblo;
 eu e Misael aqui ficaremos torcendo pela vitria de todos,
sis, a nossa irm pediatra, junta-se ao grupo por conhecer muito
 bem esse lado do mundo fsico. Desejamos-lhes muita paz e
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amor e que Deus guie todos vocs.
Como j conhecia sis, procurei ficar ao seu lado. Hpila
logo tambm tomou-se um grande amigo meu.
Dali, fomos at a casa-lar, onde Jonas morava. Fomos recebidos
 por Cipriano e Janurio. Jonas demorou a aparecer na
sala e quando o fez me pareceu plido e tristonho.
- Boa-tarde, amigos, sejam bem-vindos  minha casa.
Kelly falou:
- Jonas, hoje  noite precisamos estar junto aos seus futuros
 pais para acertar a sua volta.
- Doutora Kelly, conhece a minha relutnela em retornar
ao fsico, pois j sofri muito e gostaria de aqui ficar para sempre.

- Bem sabe que  impossvel, mas esperamos que agora
tudo corra bem.
Endereou-nos um olhar to tristonho que eu fiquei morrendo
 de pena. Abraou Cipriano e Janurio com um carinho
imenso. E, assim, daquela casa nos retiramos, levando Jonas
conosco. Chegamos ao plano fsico. Chovia muito, na cidade
onde paramos, bastante encoberta pelo nevoeiro.
- Parece at o meu corao chorando, no de tristeza,
mas de saudade, disse Jonas. >; ;;
Acerquei-me dele e falei:
- Irmo, eu amo voc, conte comigo.
- Obrigado, Luiz Srgio. No se preocupe comigo, sou
mesmo muito emotivo e sempre que venho morro de saudade da
Colnia.
Logo adentrvamos a casa de Rebeca, um luxuoso apartamento.
 Jonas emocionou-se ao v-la e seus olhos marejaram de
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lgrimas. Rebeca foi ao telefone, falou, falou e depois desligou,
zangada. Enquanto estava ali sentada, Kelly colocou Jonas bem
perto dela e ele, com um olhar muito triste, a fitava com carinho.
 Em seguida deitou no seu colo e ela sentiu algo estranho,
pensando: "no sei por que, s fico achando que engravidei.
Veja se pode! Fernando anda to estranho comigo, e depois, quem
vai cuidar do beb quando nascer? Deixa pra l, nem quero mais
pensar". Jonas lhe acariciou o rosto; logo aps, ela se levantou
para esperar Fernando, o namorado. Mal este chegou, formaram
uma briga feia de cime e ns nos retiramos, s voltando quando
 j estavam mais calmos. Fernando foi para perto dela, mas
foi repelido. Ele franziu a testa e falou:
- Querida, vou-me embora, no estou bem.
- No, no vai. Estou louca para ficar com voc - disse,
mudando o comportamento.
E assim Rebeca foi acalmando Fernando. Ns nos retiramos,
 respeitando a intimidade do casal. O apartamento, muito
bem decorado, era o lar de Rebeca. H muito morava sozinha e
naquele momento os encarregados do reencarne esperavam a
hora de atuar. Jonas seria o filho de Fernando e Rebeca, e aguardava
 o momento. Passei a notar que Jonas parecia diferente de
ns; agora andava e falava com dificuldade. Perguntei a Isis:
- Por que Jonas est to estranho?
- H um ms ele est em processo de ligao fludica
direta com os pais. Gradativamente vem ele perdendo os pontos
de contato com o plano espiritual e os seus centros de fora
mudando de rotao para que seu organismo perispiritual possa
ganhar plasticidade, necessria  vida como encarnado.
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- E o esprito sofre com esse processo?
- Ao ser escolhido para reencarnar,  necessrio despojar-se
 de certos elementos que foram incorporados ao seu perisprito
 quando ele desencarnou e foi viver no mundo espiritual.
 uma nova vida que vai iniciar-se e para isso tem de estar preparado.

- Coitado do Jonas, quanto trabalho d uma volta ao corpo
 carnal!
Nisso, entraram no apartamento outros irmos que compreendi
 pertencerem ao Departamento da Reencarnao. Um
deles, Filognio, disse a Jonas:
- Sente-se aqui.
Ele nos olhou com o mais tristonho olhar de despedida.
Sentado, Jonas orou e Filognio, segurando sua cabea, falou:
- Pense que voc vai tomando a forma pr-infantil.
E aquele homem foi diminuindo diante de ns. Mas o olhar
continuava sendo o mesmo: de medo da despedida. Rodeado de
todos os tcnicos, recebia deles uma energia azulada. A forma
perispiritual de Jonas foi gradativamente tomando-se pequena.
Aqueles espritos eram corao e mente; a fora que emitiam
dava a Jonas uma nova forma diminuta. Acerquei-me de Kelly e
perguntei num sussurro:
- Nem todas as reencarnaes so idnticas, no  mesmo?

- Sim, s vezes o esprito tem o corpo perispiritual reduzido
 em colnias espeelais. Cada caso  um caso.
Esperei o momento da ligao de Jonas. E, logo aps, isso
aconteceu. Ele foi colocado no ventre perispiritual de Rebeca,
que recebeu uma luz radiante do Alto. Como os rgos femininos
44


so abenoados por Deus! Naquele momento, capacitados
mdicos espirituais colocaram um ser com o seu corpo reduzido
para que esse mesmo ser, junto com a valiosa mquina fsica da
mulher, pouco a pouco fosse confeccionando uma outra veste,
que permitiria ao esprito de Jonas viver no plano fsico. O organismo
 maternal  que fornecia o alimento para o novo corpo
de Jonas. Aquele corpo reduzido, mnimo mesmo, tambm atuaria,
 ajudado pelo organismo materno, para confeccionar o seu
futuro corpo carnal. Rebeca carregava agora no seu ventre um
esprito que precisava do corpo materno para ressurgir revestido
 de um corpo de carne.
O organismo feminino foi criado para procriar. Nele so
encontrados os elementos necessrios ao retomo da vida espiritual
 para a vida fsica. A mulher, como j disse em outro livro, 
considerada uma incubadora divina e deve ser respeitada por
todos os que defendem a Natureza. Sem a mulher-me o mundo
estaria no fim. sis segurou-me o ombro e dali samos.
- E Rebeca, como vai receber Jonas? indaguei.
- Esperamos que ela se conscientize da sua tarefa de me.
Os outros tambm saram em busca de um local para descansar.
 Logo estvamos em um Centro Esprita, sendo recebidos
 por Laerte, que nos alojou. Eu no conseguia esquecer-me
de Jonas nem de Rebeca. Ser que Fernando iria aceitar o filho?
Assim fiquei muitas horas pensando, at levantar-me e buscar
no Evangelho a luz para o meu esprito. Abri na Epstola aos
Hebreus, Cap. XIII, v. 18:
Orai por ns. Estamos persuadidos de que temos a
conscincia em paz, pois estamos decididos a proceder
condignamente em todas as coisas.
45


Captulo VI
UMA AULA DE PUERICULTURA
A equipe do reencarne abrigou-se em um Centro Esprita.
Naquela Casa, participamos de vrios trabalhos. Poucos compreendem
 o funcionamento espiritual de uma Casa Esprita, a
qual podemos chamar de hospital de Deus, tal a sua funo. A
cada instante  trazido para o Centro um esprito recm-desencarnado
 em perturbao, ou aqueles que muitas vezes relutam
 em sair do plano fsico. O mais comum, o que mais se v,
so os recm-desencarnados, principalmente por acidentes. Os
freqentadores das Casas Espritas muitas vezes nem imaginam
o quanto so teis ao plano espiritual, at mesmo nas reunies
pblicas. Existem nessas reunies espritos capacitados que fazem
 a colheita dos fluidos necessrios ao socorro dos doentes.
A parte espiritual no pra. O movimento  to intenso que chega
 a assustar, tantas so, hoje em dia, as mortes violentas.
- Por que, mesmo desencarnando em outro pas, muitos
so socorridos no Brasil? indaguei  doutora Kelly.
- Lembre-se, Srgio, de que o Brasil foi escolhido para
ser a Ptria do Evangelho e nela est a ponte que liga os dois
planos. Por isso, as Casas Espritas precisam conscientizar-se
desse trabalho; uma mesa medinica presta auxlio tanto aos
mdiuns quanto s equipes de socorro, no sendo necessrio ao
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esprito que se apresenta narrar o seu sofrimento; ele simplesmente
 recebe do medianeiro as energias que lhe faltam. Esses
grupos so mnimos, mas de grande valia; neles so realizadas
muitas cirurgias perispirituais, verdadeiras cirurgias plsticas,
com o auxlio de modestos mdiuns, que, conscientes do trabalho,
 emprestam o seu corpo para outrem que se viu de repente
longe do corpo fsico.
Naquela Casa, assistimos s atividades de um grupo de
cura perispiritual. Constatamos, com alegria, que o dirigente
encarnado, com seus fluidos puros, carter reto, possuidor de
elevada moral, ajudava cada mdium no momento que dele se
aproximava. Na sala, silncio completo. Quando o dirigente
passava por trs do mdium, ele o ligava com o desencarnado,
que projetava o pensamento no crebro do mdium. Nesta fuso,
 os dois se tomavam um, benefielando o doente. As rodas
energticas do mdium davam ao paciente o calor que ele sentia
faltar. Mesmo sem se manifestar, o desencarnado benefielavase
 com os fluidos do mdium.
Nesse tipo de trabalho de socorro, o mdium est muito
mais ligado ao esprito manifestante do que lhe emprestando as
cordas vocais. Naquele recinto, presentes vinte e cinco mdiuns,
uns sessenta doentes desencarnados foram socorridos sem um
rudo sequer. Os trabalhadores annimos tinham conscincia do
valor da mediunidade com Jesus. Eles estavam praticando a
mediunidade humilde, mas gloriosa. O silncio era sua prece,
demonstrando-nos que Deus no habita no tumulto.
- Um dia, em todos os Centros, encontraremos grupos
como este, de auxilio queles que esto partindo, s vezes de
maneira violenta, comentei com Hpila.
- Luiz Srgio, voc gosta de escrever sobre mediunidade,
 no  mesmo? indagou Amintas.
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- Sim, procuro elucidar aqueles que muitas vezes se encontram
 perdidos, achando que no so mdiuns e que no servem
 para coisa alguma. Procuro dizer a todos os que chegam a
uma Casa Esprita: a mediunidade  linda, mas o mais belo dom
 o dom de servir e todos ns podemos fazer algo pelo nosso
prximo. Feliz hoje em dia daquele que tem f. Quem procura
uma Casa Esprita est buscando espiritualizar-se e queira Deus
seja bem orientado. Temo, irmo, pelas pessoas que sentem uma
vontade louca de incorporar espritos; elas podem jogar a rede
da mediunidade e pescar tristeza e ridculo em vez de peixes.
Certas pessoas, abusando da boa-f dos que as consultam, no
tem hesitado em profanar nomes respeitados e tomarem suspeitas
 uma cincia e uma doutrina que vieram para salvar e regenerar
 o homem. Mediunidades desequilibradas tm afastado muitas
 pessoas do estudo srio do Espiritismo. Por isso, todos ns,
que assumimos uma obrigao com os livros espritas, recebemos
 a incumbnela de falar aos espritas: "cuidado, no brinquem
 com as dores alheias, querendo passar-se, a troco de pequenas
 gentilezas, por quem precisa ser respeitado: o
desencarnado".
Amintas ainda me falou:
- Tem razo, existem muitos mdiuns bons, ou melhor,
timos, mas o perigo  que mediunidade no  doutrina; todos
so mdiuns, uns com maior poder energtico que outros, e, em
vez de amar e se instruir, a maioria deseja apenas ser medianeira.
Tenho pelos verdadeiros mdiuns imenso respeito. So os novos
 apstolos de Jesus, que tero ainda por muito tempo de sofrer
 pela verdade. Sero difamados, acusados e mesmo assim
tero de trabalhar no silncio do seu santurio medinico. Tero
uma vida de renncia, o corpo exausto, mas a conscincia firme
na luta pela verdade. Bela tarefa, ainda que, freqentes vezes,
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dolorosa. O mdium com Jesus recebe muito pouco no plano
fsico. Em compensao, tem de cumprir imperiosos deveres,
sem esquecer que suas faculdades no lhe so outorgadas para
uso prprio. Para bem desempenhar seus compromissos, deve o
mdium aceitar as provas, saber perdoar as ofensas, que no so
poucas, e esquecer as injrias. Sua trajetria no ser talvez das
mais fceis, mas,  medida que crescer em humildade, a glria
do dever cumprido atapetar o seu caminho com as flores do
amor e da paz. Feliz daquele que ao chegar do outro lado pode
olhar de frente os seus mentores e dizer: "eu venci o mundo, e o
mundo no venceu a minha f em Deus". A histria do Espiritismo
 est repleta de grandes mdiuns e no  mais digno ns os
respeitarmos do que desejar igualar-nos a eles? Se somos bons
mdiuns, s o tempo ir nos responder. At l, seguremos bem
forte o Evangelho e os livros doutrinrios e peamos a Deus
foras para nos tomarmos defensores das verdades divinas, lutando
 por uma mediunidade repleta da glria de uma conscincia
 em paz.
Amintas foi interrompido pelo chamado da doutora sis, a
querida pediatra. Uma criana ia ser atendida por ela. O mal:
infeco intestinal.
- Irm, por que a criana est no Centro para tomar passe?
-  natural, Srgio. Os pais so espritas e a trouxeram
para ver se ns, os espritos, fazemos alguma coisa.
Calei-me, pensando: "o melhor era a me lev-la a um hospital".
 A menina queimava de febre; o passista, ao ministrar o
passe, intudo pela doutora Isis, falou:
- Leve a garota ao hospital, ela precisa tomar soro, j est
desidratada.
-  preciso mesmo?
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- Sim, irmo. Ela precisa de um bom mdico.
O casal saiu do Centro em busca de socorro mdico. Perguntei
  doutora Isis:
- A irm no poderia ter ajudado a garotinha?
- Sim, Luiz, poderia ter atuado sobre o duplo etrico e
energizado o rgo doente, mas ns, os mdicos espirituais, temos de 
respeitar o mundo fsico, onde existem os mdicos encarnados.
 Nem tudo podemos fazer. E depois, esta garota est
sempre acometida de problemas digestivos.  comum os pais,
quando o beb  pequeno, desejar aliment-lo demais e com
dois meses j lhe oferecem frutas; se estas, entretanto, no forem
 sadias, traro  criana srias conseqncias. Outras vezes
os adultos esto se alimentando e o beb deseja comer. Por graa,
 do do prprio prato o alimento que no foi feito para ele.
Como oferecer a uma criana de dois meses um alimento que
ela no tem condio ainda de mastigar? Um beb precisa  do
seio materno.  necessrio conscientizar as mulheres de que no
existe leite fraco, existe  falta de vontade de amamentar. O leite
materno  completo. Ele d condio dos rgos prematuros desenvolverem
 suas importantes funes. Por isso no  aconselhvel
 forar a mquina infantil com alimentos fortes da nossa
mesa, no apropriados para esse delicado organismo. Os pais
acham lindo o beb se alimentar da comida dos adultos, mas
este fato poder levar a criana a contrair doenas futuras. 
comum, mesmo nas classes mdia e rica, o descaso para com as
crianas. Vemos mes limpando a boquinha do beb com as fraldas.
 O certo  tratar as crianas como somos tratados. Nenhum
adulto utiliza suas roupas ntimas para fazer a limpeza do seu
rosto ou da sua boca; existem toalhas apropriadas e os guardanapos.
 Por que, sendo o beb bem mais frgil que ns, no 
respeitado?  bem comum ver as criancinhas carregando ao pescoo,
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 como suporte das suas chupetas, as suas fraldinhas ou as
arrastando pelo cho. Uma criana bem cuidada - e isto  um
dever da famlia - dificilmente ter problemas intestinais. A
teoria de que no devemos cercar as crianas desses cuidados,
porque ela no adquire defesas imunolgicas,  conversa de quem
no as ama. Elas vo adquirindo as defesas  medida que entram
em contato com outras crianas ou com os adultos.
A doutora sis fez uma pausa, depois continuou:
- O que no se deve fazer  trancafiar um beb em casa;
o primeiro contato com pessoas estranhas ele sentir. Se se colocar
 chupeta suja na sua boquinha, no se mantiver suas mos
limpas, roupas cuidadas, higieniz-lo no momento de mudar as
fraldas, dificilmente esta criana ter sade. O trabalho para com
a criana de hoje gera a tranqilidade no adulto do futuro. H
dias, Srgio, estamos cuidando de uma garotinha com sria infeco
 urinaria, porque a me no fazia o asseio ao trocar suas
fraldas, apenas a limpava com a prpria fralda e assim as bactrias
 atingiram a uretra. O trabalho com uma criana doente 
muito maior que os cuidados normais que se deve ter com um
beb. Se a criana aprender a ser limpa, dificilmente colocar as
mos sujas na boca. Criana mal cuidada  reflexo do desleixo
dos pais. As infeces intestinais comumente so causadas pela
falta de cuidado com os utenslios do beb. Enquanto o beb
mamar em mamadeira, esta precisa ser fervida, porque o leite
penetra no bico e este fica impregnado de bactrias. Muitas crianas
 adquirem at micose labial por causa disso.
- Mas existem mdicos que dizem que os cuidados exagerados
 prejudicam o beb, irm sis.
- Exagerados, sim. Mas estamos tratando dos cuidados
normais. Se o adulto no gosta de sujeira, por que o beb tem de
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conviver com ela? Uma boa me, aquela que renuncia a tudo
nos trs primeiros anos do seu filho, ser recompensada pelo
que fez, pois ter um filho saudvel na adolescncia e na idade
adulta.
- Irm,  to comum as mes limparem a boca do beb
com as fraldas... E  prejudicial mesmo?
- No s  prejudicial como desagradvel e, creio eu, se
o beb pudesse protestar, ele o faria, principalmente quando carrega
 ao pescoo uma pea ntima. Os pais, quando o beb vai
crescendo, costumam deix-lo sujo para adquirir a famosa defesa,
 a comea a cada do beb: doenas e mais doenas. O exagero
  prejudicial, mas  muito fcil constatar se estamos agindo
 certo ou errado.
- Irm sis, sei que voc sempre diz que a doena se inicia
 pelos ps.
Ela sorriu.
-  mesmo, meus pais j me diziam isso. E no trato com
as crianas, constatei que elas sentem por demais ao exporem
seus ps no cho, principalmente nas lajotas que so frias.
- Irm,  certo dar para um beb um bom bife para ele
chupar?
- Imagine que h adultos que do at feijoada para seus
bebs!... Acho isso comodismo.  mais fcil dar o que est feito
do que fazer uma boa sopinha ou outro alimento, de acordo com
a delicadeza de seus prematuros rgos. No possuindo dentes,
toma-se mais difcil a digesto do bife, podendo at engasgarse.
 E depois, o beb fica muito tempo deitado. Se um velho ou
um doente no suporta alimentao forte, por que a criana teria
de suport-la?
- Essa criana doente que atendeu vai ter de receber um
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tratamento forte com antibiticos e outros remdios, pois est
com infeco intestinal, no  mesmo?
-Acredito que o pediatra oriente a me e queira Deus ela
respeite o seu filho, dando-lhe os cuidados que ele merece.
- Vamos acompanh-los?
- Infelizmente no podemos, outros servios pedem nossa
 presena. Mas em outro momento darei uma chegada at a
casa da pequena doente.
""';     -POSSO ir?
- Sim, meu amigo, pode sim.        ; ?
Assim, chegamos at a sala de projeo, onde o aborto era
o tema do dia. com pesar, constatou-se que  dele a maior incidncia
 de morte no plano fsico. No Brasil, sua prtica  enorme,
 ningum pode imaginar quanto.
Naquele momento, foi projetada a prtica de abortos em
uma clnica caseira. Um mdico, em sua prpria casa, praticava
os abortos e recebia por eles alta soma. Esse dinheiro vai parecer
 uma pesada corrente em seus ps na hora do desencarne;
no vale a pena o conforto do mundo fsico quando nos esperam
terrveis sofrimentos. Naquele vdeo, vimos o homem que estuda
 para salvar vidas roubar de espritos frgeis o direito de viver.
 Naquele dia em que foi realizado o filme de estudo, trinta
fetos foram jogados fora, com toda frieza, s naquela clnica.. E,
como Pilatos, o mdico apenas lavava as mos. Todavia, no seu
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pcrisprito, o sangue dos inocentes deixou as marcas da dor e do
desespero at o dia do julgamento.
Ficamos discutindo sobre o assunto e, mais uma vez, constatamos
 que se mata muitas crianas no mundo, sem piedade, e
no Brasil ainda pedem a liberao do aborto!... Muitos reclamam
 justia, falando de direitos humanos, no entanto, ao nosso
lado, em nossos lares mesmo, negamos a um ser o direito de vir
ao mundo para continuar sua evoluo espiritual. At quando,
meu Deus, o homem vai matar o seu prximo, sem piedade?
Apagado o vdeo, todos se levantaram e orei:
"Senhor, tem piedade de quem pratica o aborto, mas tem
piedade maior daqueles que podem evitar esse assassinato e permanecem
 indiferentes, por julgarem que em um feto no existe
vida. Os aborteiros, pelo dinheiro fcil, esto violentando as leis
da Natureza. Senhor, por caridade, faze descer sobre todo o Planeta
 a luz do esclarecimento, para que os homens deixem nascer
aqueles que se submetem a toda uma trajetria de reencarne e
depois so assassinados a sangue frio por seres sem f e sem
amor. Apieda-Te de todos ns e faze de cada homem um instrumento
 da Tua paz."
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Captulo VII
CONIVNCIA DOS PAIS
Terminada a exibio dos vdeos, ainda ficamos algumas
horas tecendo comentrios sobre o assunto, quando um dos encarregados
 do socorro pediu nossa ajuda para uma jovem de
dezesseis anos que naquele dia ia revelar ao namorado sua gravidez.
 Kelly e Hpila logo se prontificaram a auxiliar e dali samos
 em busca de Rosalinda. Encontramo-la diante do namorado
 e este, assombrado, dizia:
- Eu no posso assumir essa responsabilidade, vamos dar
um jeito nisso.
- Mas eu quero o meu filho!
- Ento, minha querida, se vire sozinha, no conte comigo.
 Estou comprando um imvel e depois Vou para a Europa
fazer mestrado. Meus pais enlouquecem se eu falar da sua gravidez,
 Rosalinda. O que eu posso fazer  conseguir a grana para
voc se desfazer da coisa.
Olhei os meus amigos, principalmente uma nova
caravaneira que se juntara a ns: Glessi. Ela, com a expresso
de surpresa, era a imagem da preocupao. Aproximou-se do
rapaz, que nada tinha de bom no corao, e este, apesar de intudo
por ns, continuava no firme propsito de assassinar o prprio
filho. Encontrava-se tranqilo com a sua deciso.
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Glessi ento chegou perto da garota, mas ela, sentindo-se
sozinha, retrucou ao namorado:
- Arrume ento a grana. Tenho uma colega que j abortou;
 pedirei a ela o endereo do mdico hoje mesmo. A que horas
 voc me entrega o dinheiro?
- s duas da tarde, est bem?
Aqueles dois nem pareciam j ter desfrutado algumas horas
 de carinho, pois conversavam com a maior frieza.
-A que ponto chega um relacionamento carnal sem amor
e sem respeito, comentou Amintas.
Seguimos a mocinha e tudo fizemos para que tivesse fora
suficiente para enfrentar sua gravidez. Mas ela no concebia ter
um filho sem a presena paterna e ali, estirada na cama do seu
belo quarto, chorava desesperadamente. A me entrou e lhe perguntou:

- Por que chora, querida?
- Estou grvida e abandonada por Leandro - disse-lhe,
intuda por ns.
A me sentou-se, tamanha a surpresa.         .;,,...
- O qu? Abandonada? Voc  que pensa! Ele  obrigado
a se casar com voc. Vou chamar o Mximo.
- Mame, por favor, no o quero  fora. Se ele no me
ama, como posso casar-me com ele? '
A me xingou tanto, fez tanto escndalo at a chegada do
marido, que Rosalinda estava decidida a fugir de casa. Pensamos:
 "com o marido as coisas melhoram". Mas que nada! Mximo
 apenas no gritou, pediu para a filha e a mulher se sentarem
diante dele e ponderou:
- Nada de desespero, aconteceu, aconteceu. Eu sempre
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achei, filha, que voc estava abusando da liberdade. Mas quero
que fique bem claro: eu no suporto um escndalo em minha
carreira pblica. A poltica no permite esses fatos to desagradveis.
 Precisamos, juntos, encontrar uma soluo que no atrapalhe
 minha candidatura. Estou preparado para as prximas eleies
 e no  voc, minha nica filha, que vai prejudicar-me.
Mesmo que Leandro desejasse casar-se, no estamos em condies
 de fazer uma festa  altura da nossa posio social. E, como
vocs duas esto dizendo que ele no deseja se casar, for-lo
seria desastroso. Isso nunca. Tenho alguns amigos mdicos que
podem fazer caridosamente a interrupo desta gravidez. Irei
procur-los e logo estaremos livres deste fato to desagradvel.
Posteriormente, vocs duas partem para a Europa e Rosalinda
ficar estudando l.
! - Quer se ver livre de mim tambm?
- Pense como quiser, filha. Ningum vai atrapalhar minha
 projeo poltica.
A me acariciava os longos e belos cabelos da filha. Esta
chorava, por sentir o quanto estava sozinha. Ns fizemos de tudo,
mas Mximo e a esposa no queriam envolver-se em escndalo
e Rosalinda estava grvida de algum que no a queria por esposa.
 Era demais para aquele orgulhoso pai. Perguntei a Kelly:
- E vamos deixar que realizem o aborto?
- O que fazer, Luiz Srgio? O livre-arbtrio pertence ao
homem e ningum pode roubar-lhe esse direito.
Um dos amigos influentes de Mximo preparou em sua
clnica o aborto de Rosalinda. Na sala de espera, o olhar de ansiedade
 de todos ns. Quando ela deu entrada na sala abortiva,
pareceu-me que aquelas paredes choravam; era um lugar de desespero.
 Existem muitas clnicas espritas da Falange de Maria
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de Nazar que fazem planto de socorro para salvar almas. Porm
 ali, diante de ns, um mdico que recebeu de Deus o dom
de curar estava preparando-se para matar um indefeso ser. Presenciamos
 o desespero do feto; ele se debatia apavorado ao pressentir
 sua morte. Rpido, muito rpido, o ato cruel. O mdico
tinha muita prtica. Pena que ele, ao interromper a gravidez de
Rosalinda, no pde perceber as lgrimas nos olhos daquela forma
 fetal e o seu martrio. Era uma linda menina, e como gritava
apavorada. A doutora sis amparou o esprito que cruelmente
fora rejeitado pelos pais; envolveu-a em seus braos e dali saiu,
levando-a com carinho. Olhei Rosalinda: apenas uma criana e
to marcada pela vida. Pensei: "ser que ela vai parar por aqui
ou vai ainda assassinar muitos outros filhos?"
Samos atrs de sis, que tudo fazia para acalmar o esprito
que sofrera a rejeio; mas ele apenas gemia, o corpo todo queimado,
 sentindo a cruel realidade de um aborto. Enquanto isso,
Rosalinda era cuidada pelo mdico amigo de seu pai. Ela nem
imaginava que sua filha agora tambm recebia cuidados mdicos
 e, como todos os abortados, sofria a pior das dores: a da
rejeio, sis, ajudada pelos socorristas, encaminhou-se para um
Centro Esprita e l, com a ajuda de outros mdicos, foi a criana
 levada a um trabalho espiritual, recebendo fluidos tranqilizantes
 que aliviaram a queimao que sentia em seu corpo. Perguntei
 ao mdico do Centro at quando a criana iria ficar ali.
- Logo ser levada para um hospital da erraticidade, onde
aguardar nova oportunidade.
- Meu Deus, quem pratica o aborto no imagina como
est infringindo as leis de Deus! Soube que nessas clnicas fazem
 de trinta a quarenta abortos por dia.
-  mesmo, Luiz Srgio, essas intervenes esto aumentando
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de tal maneira, que ningum  capaz de avaliar seu crescimento.
 Em nosso Centro j contamos com uma enfermaria exclusivamente
 para socorrer os abortados. Em um Centro Esprita
 deve tambm existir a prece para os rejeitados. Para voc ter
uma idia, atendemos mais abortados do que suicidas. Hoje o
aborto  praticado sem piedade no mundo inteiro.
Virei-me para a garotinha e falei a Kelly:
- Gostaria de ver como se processou a sua encarnao.
O doutor Salles nos convidou a acompanh-lo e foi passando
 o filme sobre Rosalinda, seu namorado Leandro e o contato
 dos dois com o esprito que acabaram por rejeitar.
- Quem  a velhinha? perguntei ao doutor Salles.
- A me de Mximo, av de Rosalinda.
- A me dele?
- Sim. Ela adora a neta, por isso se props a voltar como
sua filha. Ela criou Rosalinda at os seis anos.
Vimos Leandro e Rosalinda sendo levados  espiritualidade
e ela adorando o contato com a v. "Que bom que a senhora vai
voltar, e ainda mais como minha filha. Lutarei pela sua felicidade".
 Tudo muito certinho, os dois prontos para receberem a filha.
 O contato entre eles era de muita paz. Assistimos 
comovente despedida da av com seu esposo, ele ainda ficaria
alguns anos no mundo espiritual, entretanto ali na enfermaria
dos abortados jazia um corpo de criana, todo dolorido. Mais
machucado ainda se encontrava o seu esprito por saber-se desprezado
 pelo filho e pela neta que adorava. Como ser o ltimo
capitulo desta histria? No sabemos quanto tempo permanecer
 no corpo de criana e se Rosalinda um dia vai conseguir ter
filhos.
- Como  complicado o nascimento, muito mais que a
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"morte.
- Muito mais, Luiz. No reencarne ns precisamos dos
encarnados e muitos desrespeitam as leis de Deus. No desencarne
 so os espritos que esperam e ajudam os desencarnantes.
- Um dia o homem vai respeitar o feto como um ser vivente,
 doutor Salles?
- No sei, no, irmo. Hoje em dia o que mais se v 
mulher abortando, mas esperamos que haja um ponto final nestes
 atos to tristes.
Pedimos permisso para ir at a casa de Rosalinda.
Encontramo-la desolada, dizendo ao pai que na hora do aborto
viu sua av virar criana e depois ficar velhinha; que ouviu sua
voz implorando: "Rosalinda, deixe-me viver!" O pai deixou cair
uma lgrima. Se de remorso, eu no sei, talvez de vergonha, por
ser to covarde, um escravo da posio social que ocupa, servo
do orgulho.
- Rosalinda ainda vai aprontar, faltam-lhe amor e Deus
em sua vida.
- Hoje em dia, Luiz,  as jovens comportam-se
despudoradamente diante dos homens, com roupas sumrias,
desde as roupas de banho, at as de passeio; e depois, ao sofrerem
 as conseqncias de atos impensados no possuem coragem
 suficiente para enfrentar a mesma sociedade que tentam
agredir com seus gestos de revolta.
Muitas Rosalindas existem por a, talvez a sua prpria filha,
 que voc, leitora, acha linda por mostrar o corpo quase nu,
expondo-o ao pblico que no tem piedade. , minha gente, a
liberdade excessiva est matando a pureza e, o que  mais grave,
 interrompendo a viagem de muitos espritos para o plano
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fsico.  preciso que se faam, urgentemente, campanhas de alerta
aos jovens. Um dia eles tambm envelhecero e feliz do velho
que, ao trazer  lembrana o seu tempo de jovem, no tenha
apenas remorso para recordar.
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Captulo VIII
SUSTO RECOMPENSADO
- Vocs conseguem socorrer todos os espritos dos abortados?
 perguntei, impressionado,  enfermeira espiritual, Salette,
que trabalhava como socorrista na clnica do aborto.
- Nem todos, meu amigo. Alguns espritos, ao sofrerem a
violnciado aborto, colam-se no centro de fora bsico de sua
me e, por mais que faamos para retir-lo dali, ele reluta em
abandon-la.
- E qual a conseqncia dessa situao?
- A mulher se v repleta de remorsos, vive chorando e s
vezes contrai doenas de difcil diagnstico. Tudo fazemos, at
a retirada do rejeitado, pois  ele quem mais precisa da nossa
ajuda.
- No me diga, Salette, que existem estes casos.
- E no so poucos, Luiz. Quem busca uma clnica de
aborto, na maioria das vezes, encontra sofrimento e lgrima. J
imaginou se no Brasil for liberado este frio assassinato? Se a lei
probe o aborto e os homens pouco a respeitam, matam sem
piedade, se for liberado ento...
- Irm, percebi que o mdico jogava os fetos no lixo; e
depois, qual  o fim dado a esses pobres corpinhos?  "<
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- Uns os enterram, outros os queimam. Mas isso nada
representa comparado ao que fazem ao esprito.
Despedi-me daquela abnegada mulher e, em recolhimento,
 abri as Escrituras. Caiu no Captulo XIV, do Eclesistico:
Bem aventurado o homem que no deslizou pelas palavras
 da sua boca e que no foi torturado pelos remorsos do
pecado.
Cada homem dar contas de sua vida, isto , de tudo o que
fez de bom ou de mau, diante do tribunal de Deus. Ser que
quem interrompe uma vida no se detm um minuto para pensar
no mal que est fazendo aos planos de Deus? Ningum imagina
o trabalho das equipes da reencarnao, nem o tempo que levam
para preparar a volta de um esprito  carne. E a, algumas pessoas
 duras de corao cortam o lao fludico da maneira mais
covarde, interrompendo a viagem de uma alma que precisa descer
 ao educandrio da vida para prestar exame. Recordei o cuidado
 dos tcnicos examinando os mapas cromossmicos, a geografia
 dos genes nas estrias cromossmicas.  um trabalho delicado,
 que o homem encarnado, por ignornciae orgulho, destri
 sem piedade. Ningum renasce por acaso, tudo obedece s
leis da Natureza e, com o nascimento, descobre-se que essas leis
so ricas e delicadas. A hereditariedade dos genes, distribuda
nos cromossomos, requer dos tcnicos um trabalho de amor que
o encarnado no tem o direito de interromper. A doutora Isis me
chamou  realidade:
- Luiz, fomos chamados com urgncia, algo terrvel est
para acontecer. O Jonas est em vista de ser mais um rejeitado.
 No me diga, sis!
-  verdade, Srgio.
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 - Meu Deus, como  possvel? Por que Rebeca no quer
o filho?
- Simplesmente, porque Fernando est noivo de outra.
- E o que faremos?
- O doutor Filognio j est ao lado de Rebeca, tentando
auxili-la.
- Queira Deus ele consiga.
Diante disso, voltamos rapidamente ao apartamento de
Rebeca. Filognio aplicava-lhe passes; ela chorava desesperadamente
 ao telefone, conversando com Fernando e este lhe dizia:

-  to fcil se livrar de uma gravidez, e voc fazendo
drama!...
- Fernando, eu estou esperando um filho seu, e vai mandar-me
 mat-lo?
- Vocs, garotas, so engraadas: liberadas at certo ponto,
 no momento que "pinta" um filho, precisam do homem para
cri-lo. Vire-se, minha filha! Fiquei noivo de Juliana e no quero
 que me procure mais. Acabou, Rebeca. Foi bom, enquanto
durou. Para a criana s posso dar um bom mdico que tome
menos cruel a interrupo da sua vida.
- Voc  um monstro, Fernando! Eu o odeio!
Desligou o telefone e chorava muito. Filognio, com carinho,
 fez com que ela adormecesse e, com amor imenso, mostrou-lhe
 Jonas, o seu filho que, alojado, j vivia em seu ventre.
Rebeca decidiu-se:
- No Vou abortar, preciso ter o meu filho, ele ser s meu.
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Samos, aliviados. S sis no se alegrou.
- No est contente? indaguei-lhe.
- No. Temo pela vida de Jonas. Rebeca, ao lado de
Filognio, est recebendo dele os fluidos da maternidade, mas o
que acontecer quando Filognio voltar para o Departamento,
onde o esperam inmeros trabalhos?
-  mesmo, irm, no havia pensado nisso. Ento, por
que no ficamos no p de Rebeca?
-  o que vamos fazer.
..,,,;.     Filognio, ao despedir-se, recomendou:
- Cuidado, amigos, o caso  delicado.
Passaram-se vrios dias. Rebeca encontrava-se desesperada
 com a separao de Fernando e este, por sua vez, nem se
lembrava mais da sua existncia. Jonas j estava com trs meses
de vida fetal e ns no podamos mais ficar ao seu lado. Oramos,
 ao despedir-nos da me e do filho, e confesso que chorei
de emoo ao ouvir esta prece:
- Jesus Cristo, filho de Deus, irmo querido, amparai
aqueles que desencarnam, mas ajudai muito mais aqueles que
retomam ao corpo fsico para reiniciar a caminhada. Ajudai,
Senhor, todos ns, principalmente as mulheres que, sozinhas,
precisam cuidar dos seus filhos. Dai a todas, Senhor, a certeza
da Vossa ajuda, fazendo-as perceber o quanto so importantes
para Deus na sua misso silenciosa de mes. Amparai aquelas
que muitas vezes precisam de foras para no sucumbir diante
do abandono a que so relegadas. Que todas as mulheres compreendam
 o quanto so protegidas por Deus e que nenhuma delas
 oua o lamento de um esprito lhe implorando: "me, deixe-me viver!"
68



Retiramo-nos da casa de Rebeca; mas no demorou uma
semana, recebemos novo pedido de socorro. Encontramos
Rebeca j na sala de espera de uma clnica maldita. Tentvamos
demov-la de sua inteno, mas ela, olhar perdido no tempo,
estava no duro propsito de no deixar Jonas nascer. Quando
tudo nos parecia perdido, sentei-me ao lado de Rebeca e me fiz
visvel. Ao deparar comigo, assustou-se um pouco:
- Nem vi o senhor entrar!... Sua namorada est l dentro?
- No, no est. Jamais traria uma mulher a este inferno.
Todas as mulheres precisam de um jardim de flores, um altar e
um corao para serem resguardadas de qualquer adversidade.
- No estou entendendo. Ento, o que o senhor faz aqui?
- Simplesmente estou aqui em nome de Deus lhe implorando:
 deixe o seu filho nascer, ele  um pedao do seu ser.
Nisso, a megera da enfermeira anunciou:
- Senhora Rebeca... - olhou espantada para os lados,
depois indagou:
- Est falando sozinha?
Assustada, Rebeca me buscou. No me vendo, perguntou
 enfermeira:
- No viu um moo conversando comigo?
- Est enganada, aqui no h ningum.
Quando Rebeca olhou para a porta, mais uma vez me fiz
visvel, e lhe disse:
- No mate, por favor!
Ela desmaiou. O mdico e a enfermeira, assustados, no
69



quiseram mais atend-la naquele dia. Quando me juntei ao grupo,
 envergonhado da minha atitude, pedi perdo a Kelly. Ela me
advertiu:
- Hoje voc pde fazer isso, mas que seja a ltima vez.
Os espritos no podem expor-se a tanto.
Rebeca voltou para casa, mas ficou muitos dias apavorada,
 tinha medo at do vento. Sentindo-se sem coragem para
abortar, buscou a proteo da me e esta, com carinho, iniciou o
belo enxoval de Jonas. S que eu, por infringir a lei do livrearbtrio,
 me vi diante de um grupo de irmos, no para ser julgado,
 mas para me fazer entender que um esprito no pode assustar
 um encarnado. Rebeca s no abortou Jonas, porque morreu
de medo da minha apario. Prometi a Filognio jamais usar a
fora; mas que foi bom, isso foi! Principalmente quando Rebeca,
meses mais tarde, deu o seio para que o belo filho lhe sugasse o
leite. Os pais lhe deram a maior assistncia. Mais tarde, receberam
 Fernando, que fora ver o filho e desejava registr-lo. Rebeca,
demonstrando seu amor materno diante do antigo namorado,
fez com que Fernando a amasse novamente e at a pedisse em
casamento. Final feliz!
Dali sa, cantarolando, e encontrei sis.
- Doutora, estou me sentindo um verdadeiro cupido;
flechei a felicidade para Rebeca, no  mesmo?
- No s a felicidade, mas voc, Luiz, vai fazer com que
Rebeca busque na Doutrina Esprita a explicao para o que
aconteceu naquela clnica.
- Sabe, irm sis, eu queria era fazer isso para o mdico.
Pena  que s Rebeca me viu.
- Pare, Luiz, com essas brincadeiras, assim vai se tomar
um duende!
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- Salve-me, irm! Leve-me at o Hospital de Jesus, quero
 ser curado!
- Vamos trabalhar, irmo, outros casos nos esperam.
71




Captulo IX
O IMPORTANTE TRABALHO DA DESOBSESSO
Demos mais uma chegada ao Centro Esprita e l, no vaivm
 dos muitos freqentadores, percebemos como a Doutrina
Esprita  o Consolador prometido por Jesus. com emoo, Presenciamos
 o tratamento das obsesses, onde legies de espritos
inferiores eram esclarecidas pelos evangelizadores espirituais.
Chegavam vampirizando os doentes, denotando-se nestes o olhar
vazio, sem sonhos e realidades. Na observao cuidadosa de um
subjugado  que se nota a que ponto chega uma influenciao.
Os corpos saem do nvel e os trevosos buscam as rodas
energticas e se alimentam atravs delas. O esprito encarnado
vai perdendo as foras e ficando  merc dos vampiros. Observei
 os mdiuns em trabalho: muito bonita a tarefa desses irmos.
Eles talvez nem imaginem como so protegidos. Notei que os
trevosos no conseguiam divisar os mdiuns, para segurana
dos tarefeiros de Jesus.
Deu entrada no salo o jovem Clarindo, que era levado ao
consumo de litros e litros de bebida alcolica; foi iniciado o
tratamento doutrinrio, muito mais para os acompanhantes indesejveis
 do que para o jovem. Tentavam eles continuar na
mesma vida que levavam antes de desencarnar e, para saciar
seus vcios, juntaram-se a Clarindo condenando-o, sem piedade,
  destruio.
73



Relutaram em entrar na cmara de passes, mas j no salo,
recebendo fluidos magnticos tranqilizadores, meio apatetados,
foram-se aproximando dos encarregados do trabalho. Estes no
perderam tempo: ligaram um aparelho no crebro deles e numa
rotao bem alta comearam a aplicar choques energticos. Um
deles, que vamos chamar de Tarclio, relutou enquanto pde para
no ser tratado, mas com um conhecimento muito grande daquele
 trabalho, os encarregados foram levando-o at um dos
mdiuns. Quando Tarclio tocou nas auras do mdium, estas,
como se fossem uma garra, o abraaram e ele foi ficando
anestesiado, sendo logo socorrido. Falei a Hpila:
- Fcil este tratamento, no  mesmo?
;    - Sabe quantos passes esses acompanhantes j tomaram?
;    - Quantos?
- Vinte. S agora sero encaminhados para os postos de
socorro.
-  mesmo? Isto me faz lembrar de algum que deseja
pegar passarinho: joga a comida dentro da gaiola e deixa aberta
a portinha, at que ele resolva entrar.
  um trabalho repleto de pacincia. 
O jovem, de cabea baixa, orava, sentindo-se outro homem,
 e queira Deus ele tambm ajude a espiritualidade, porque
casa mental limpa, corpo so.
- Srgio, repare bem as fisionomias das pessoas, disse
Amintas. O contato com as entidades trevosas vai, pouco a pouco,
 fazendo-as adquirir as feies desses desencarnados e at
assumir suas atitudes.
74



Nisso, entrou no salo uma senhora gritando estridentemente,
 segurada por alguns irmos, no s encarnados, como
desencarnados; ela urrava, mais parecendo bicho. Por mais que
buscssemos os seus acompanhantes, no os vamos. At que
conseguiram lev-la  cabine e o encarregado espiritual, utilizando-se
 de um aparelho, foi localizando no duplo etrico
fisionomias retorcidas. Confesso que me assustei. Vou tentar
narrar para vocs o que Presenciamos.
Em cada roda energtica surgiam minsculas figuras e estas
 iam-se alongando, deformadas, como quando jogamos uma
tinta num papel e esta se espalha. Na roda energtica vamos as
fisionomias nas ilaes, uma gosma que se espalhava disforme.
Cada roda energtica possui sua cor caracterstica, mas quando
subjugada pelos trevosos elas se misturam, e naquela irm todas
as rodas estavam subjugadas. A fisionomia da irm era de terror.
Os passistas usaram o mesmo tratamento. A espiritualidade no
dispunha de uma sala especial para atendimento desses casos
mais graves. Sugiro aqui que uma Casa que trabalhe com
desobsesso tenha uma cabine especial, composta de alguns
mdiuns videntes respeitados. Quando chegassem irmos em
tal estado de alucinao, deveriam ser encaminhados para esses
departamentos, onde a espiritualidade montaria a cabine com
aparelhos apropriados, capazes de operar melhor em semelhantes
 casos. Mesmo assim, aqueles abnegados mdiuns deram uma
ajuda enorme quela irm e ela se acalmou. Perguntei ao encarregado
 daquele passe:
-Vocs conseguiram tirar alguns daqueles subjugadores?
-Ainda no, estes casos so mais demorados. Breve teremos
 salas especiaise a resposta ao atendimento ser mais rpida.

75



- Que bom. Acredito que quando forem criadas essas cabines
 especiaisos espritos encarregados da desobsesso tero
melhores recursos para curar os doentes.
Gostaria de desenhar no papel a irm e os seus acompanhantes,
 bem como o que estava ocorrendo diante dos nossos
olhos espirituais. Vou tentar desenh-la com os seus algozes:
Espero que vocs compreendam o desenho. Na verdade,
este caso deixou-me muito preocupado. Por isso, perguntei 
encarregada do trabalho por que a irm adquiriu tais companhias.

- Luiz Srgio, ela violou as leis de Deus e, sem piedade,
tirou o direito de nascer desses que hoje pedem justia, colados
ao seu corpo.
76



- O qu, irm? Esses verdugos so os rejeitados que hoje
se vingam da aborteira?
- Sim, Luiz. Ela j est sofrendo antes de desencarnar.
O que  muita sorte, pois no corpo fsico toma-se mais fcil a cura.
- E nesses casos os socorristas no conseguem dar abrigo
 aos espritos rejeitados?
- No. Muitas vezes os espritos rejeitam a ajuda e colam-se
 aos seus assassinos para cobrar deles o direito de viver.
 No se esquea, Luiz Srgio, de que nem todos os espritos
 so bons, tambm os maus reencarnam. Naquele caso de
Marina, o esprito era familiar, de boa ndole, e jamais seria
um verdugo. Mas os que vimos agora, estes no se conformam
 de terem sido retirados sem piedade do ventre materno.
- Meu Deus, por isso a necessidade de uma sala especial
para esse trabalho.
- Veja s, irmo, aqui estava eu observando cada caso e
nem imaginava que estivesse em trabalho, defrontando com antigos
 abortados que hoje se vingam.
- A irm alcanar a cura e queira Deus ela tenha guardado
 na mente os gritos de dio das suas vtimas.
- Vimos sete irmos, no  mesmo?
- No, ali estava alojada uma legio de sofridos.
Observei ainda mais a irm, que agora conversava, e busquei
 as fisionomias nas suas rodas energticas. Elas, que antes
estavam assim, ,
77



agora se encontravam assim:
Os corpos gelatinosos tinham desaparecido e os espritos
pareciam dormir.
- Mas eles no podem ser retirados?
- No, ainda  cedo. A irm s tem quatro meses de tratamento,
 esperamos que ela se conscientize dos seus erros e ela
mesma limpe as suas rodas energticas.
- Mas como, irm?
78



-Atravs de sua reforma ntima. Se a irm pegar o Evangelho
 de Jesus e buscar com humildade a renovao interior,
ajudada pelos mentores da Casa, ter a cura.
- Se ela no melhorar, tambm no se livrar dos seus
inimigos?
- O amor vence o dio. No dia em que a irm descobrir o
verdadeiro amor e dedicar sua vida a Deus e ao prximo, tudo
se modificar e ela ser novamente algum til  sociedade. At
l, sentir o "ranger dos dentes". O Centro Esprita far mil coisas
 para auxiliar a irm, entretanto, compete a ela curar sua alma
auxiliando os espritos enleados nas sombras da vingana. Ela
ter de cultivar o amor, ter compaixo para com todos, enfim,
sofrer uma transformao divina.
Queira Deus ela se salve e que os seus algozes encontrem
o caminho da paz. Observei outros casos, mas nenhum me deixou
 to impressionado.
Quando ia saindo, parei, pois os meus amigos acompanhavam
 o tratamento em um jovem viciado. Encantado fiquei quando
o mdico espiritual tocou o crebro do irmo; a sede do complicado
 departamento mental pareceu-me tambm um complicado
aparelho eletrnico. Observava-se uma substncia cinzenta alojada
 ali. O crebro ainda  um mundo quase desconhecido do
homem e ns, diante daquele jovem, descobrimos sua ligao
com outro crebro, o de um jovem tambm, mas desencarnado.
Pareciam dois crebros idnticos. O encarnado estava to ligado
 com o desencarnado que dava a impresso de um s esprito.
Buscamos as trs regies do crebro e nelas os espritos encarregados
 da cura operaram com choques magnticos atravs dos
passes e ali mesmo foi feita a separao mental daqueles dois
espritos. No momento dessa separao, o jovem encarnado jogou-se
79



ao cho, retorcendo-se como num ataque histrico. Seu
crebro recebera energia purificada, quando acostumado estava
com a ligao trevosa. Agora o crebro do jovem Caio trabalhava
 por conta prpria, no mais ligado com o outro crebro. Pudemos
 observar os neurnios recebendo as sensaes exteriores
dos passistas e tambm do seu interior, da conscincia. A mente
de Caio orientava todo o seu universo molecular e dela partia
agora o comando. Acreditvamos que bem depressa o equilbrio
voltaria ao esprito de Caio. A massa cinzenta do crebro do
irmo ia paulatinamente voltando ao normal; j no me pareceu
mais doente. Perguntei a Hpila:
- Ser que ficou curado?
- Acho que ainda vai precisar de alguns passes at voltar
a comandar a si mesmo.
- E o irmo que o levava ao vcio? ,
- Ser tratado, mas no se esquea, Srgio, de que Caio
no foi levado ao vcio pelo doente espiritual. O doente  que se
ligou a ele por afinidade.
Sempre na Terra existe algum que carrega algo que irmos
 desencarnados desejam para ficar mais tempo no mundo
fsico. Se o encarnado procurar ser digno, esses irmos no desejaro
 tanto viver na crosta da Terra. Quem procurar viver em
esprito no sofrer a tortura da obsesso, doena to material.
com o correr do tempo, o homem se ver longe dela.
Diz Francisca Theresa: "Quem se toma um operrio do
Senhor, fiel s Suas obras, jamais conhecer a lgrima da obsesso."

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Captulo X
MDIUNS - OBREIROS DE JESUS
Recordei-me de Nari, Jac e Onor, louvando a Casa Esprita
 que dedica um dia da semana para o tratamento da
desobsesso. O que se deve evitar  grupo de estudo medinico
fazendo trabalho desobsessivo com dirigentes sem preparo. O
estudo medinico  necessrio ao mdium, pois este tem de conhecer
 o mundo dos espritos. Os espritos que so trazidos at
os grupos medinicos no so obsessores; a espiritualidade no
coloca espritos por demais cruis diante de um aprendiz. Engana-se
 quem imagina que receber obsessor desenvolve mdium.
H nas escolas de mdiuns equipes preparadas para atuar nesses
grupos. Doentes so levados, sim, mas obedecendo a uma disciplina
 espiritual. Tais grupos podem socorrer suicidas recm-desencarnados,
 espritos perturbados, que no so obsessores.
Para tais casos existe um dia da semana dedicado  cura desses
irmos, que no pode ser realizado com mdiuns iniciantes. Volto
a frisar: doente no  obsessor, esprito sofredor no  esprito
trevoso. Aconselho a quem dirige um grupo medinico tomar
certos cuidados; o esprito que est atuando sobre o mdium
iniciante j passou pela portaria da Casa e se ali est  porque se
encontra internado no pronto socorro de Jesus.
Se a sua Casa possui um trabalho de desobsesso semanal,
os encarregados espirituais no vo se servir de isolados grupos
81



com pessoas sem preparo. Cuidados devem ser tomados: no 
justo um mdium gritar e se retorcer, dizendo-se incorporado
com um obsessor, e um doutrinador usar palavras duras para
com um esprito doente que ali est buscando a cura para as suas
chagas. Na mediunidade do futuro no mais veremos tais tristes
fatos. Os dirigentes se conscientizaro da responsabilidade de
elucidar algum que est chegando  Doutrina.
Como sabemos, so muito poucos os mdiuns inconscientes;
 sendo consciente o mdium, ele tem de ter certeza que parte
de outra inteligncia a manifestao que se opera nele. O que
mais se v hoje em dia  mdium buscando os fenmenos e no
o conhecimento. Ao invs de trabalhar mediunicamente sem
segurana,  muito melhor conscientizar o mdium a no ter
pressa. O homem de carter serve de vrias maneiras e numa
Casa Esprita servio  o que no falta.
Vamos cooperar com os trabalhos da Casa, principalmente
no tratamento da obsesso, onde milhares de pessoas buscam
socorro. No dia reservado a esse trabalho, um vidente pode observar
 os ptios repletos de espritos sofredores ali levados pelos
 encarregados; nesses dias a Casa muda de aspecto, toda ela 
preparada. Dos departamentos de socorro, chegam abnegados
espritos trazendo o seu amor e as suas experincias. Toda a
Casa se transforma num hospital de doentes mentais, as paredes
ganham filtros poderosos e chapas energticas que protegem os
doentes, os enfermeiros, enfim, todos os que ali se encontram.
Por isso, foi escolhido pela Espiritualidade Maior um dia para
tal socorro, que merece de todos os espritos superiores respeito
e carinho.  muito necessrio esse trabalho, e feliz da Casa que
bem o realiza.
bom seria se todos os Centros Espritas tirassem os
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doutrinadores dos grupos de desenvolvimento e concentrassem
em um nico dia o trabalho destinado  desobsesso. Sabemos
ns que a Casa, possuindo um dia especial para esse tipo de
assistncia, contar sempre com espritos capacitados, verdadeiros
 tcnicos no assunto.
Os que gostam de doutrinar espritos sofredores devem ser
aproveitados para elucidar e doutrinar encarnados que buscam a
Casa Esprita e precisam reformular o seu interior, porque o obsessor
busca aquele que pensa igual a ele. Terminado o tratamento, o doente
 deve ser conduzido a uma escola de evangelizao, onde
doutrinadores, que antes trabalhavam nos grupos tentando doutrinar
 obsessores, agora tero a tarefa de ajudar o homem a melhorarse.
 Tentar doutrinar obsessores  louvvel. No entanto, quando levados
 aos trabalhos de desobsesso, onde o mdium no tem uma
ligao direta com eles, so doutrinados por espritos acostumados
a este trabalho, espritos estes de elevada condio moral. O encarnado
 est mais sujeito aos deslizes da vida fsica e o obsessor, via de
regra bastante inteligente, ao descobrir falhas no doutrinador encarnado,
 procura vingar-se dele, acompanhando-o at seu lar, levandoo
  desarmonia.
Hoje, na Universidade Maria de Nazar, encontramos dirigentes
 de Centros Espritas em desdobramento atravs do sono. So
eles orientados para o perigo que vem ocorrendo com determinados
grupos que invocam obsessores, para desenvolver a mediunidade
daqueles que esto chegando aos Centros, muitas vezes julgando
que a dor de cabea, as doenas, as desavenas familiares so decorrentes
 da falta de desenvolvimento medinico.
Os grupos de educao medinica tero espritos de escol
para treinar os mdiuns, e todos esses grupos daro socorro aos
recm-desencarnados, tal a procura dos socorristas por grupos
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disciplinados. Podem ser tentadas a psicografia, a psicofonia, a
vidncia, mas acima de tudo  imprescindvel conscientizar o
mdium de que ele  um operrio da obra de Jesus, com a obrigao
 de respeitar as verdades divinas e dar a mo ao seu semelhante.

O bom mdium no  aquele que possui vrios dons
medinicos, mas o que no brinca com o Esprito Santo. Se o
mdium apresentar uma faixa moral respeitvel e o dirigente o
conhecer muito bem, depositando nele real confiana, ser aproveitado
 na Casa. Os conhecedores das obras bsicas formaro
um grupo semanal onde se estudar e buscar instruo dos espritos
 orientadores da Doutrina Esprita no Brasil.
Os dirigentes de um Centro Esprita no podem se "aposentar",
 precisam freqentar grupos semanais onde se faz a ligao
 com o Alto e onde os orientadores espirituais da Casa os
mantero cientes do que se passa em todo o Centro. Nesses grupos,
 o estudo da Doutrina  sublime, e os dirigentes podem tambm
 aproveitar para analisar as recentes obras psicografadas,
para bem orientar os freqentadores da Casa, evitando o que
vem ocorrendo: um iniciante esprita misturando as religies,
lendo de tudo e tirando concluses erradas, fazendo uma verdadeira
 salada, onde o tempero  um vinagre chamado ridculo.
Temos compromisso para com aqueles que batem  porta
da Casa Esprita, portanto, devemos criar departamentos com
pessoas humildes, aptas a apresentar, aos que chegam, Deus,
Cristo e Caridade - que vm a ser os mandamentos das leis de
Deus, a evangelizao dos espritos e a Doutrina Esprita,
reformulando o homem para viver como encarnado, mas consciente
 da vida espiritual.
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Sem Deus no existe respeito, sem Cristo no existe humildade,
 sem Caridade no existe salvao.
Portanto, espritas, no vamos matar os profetas, expulslos
 ou ignor-los. Vamos tentar compreender o que o Evangelho
nos narra e diante de qualquer dvida abraar Jesus e compreender
 Kardec.
O Espiritismo  o farol a apontar o caminho.
A Doutrina  a raiz; o esprito, a rvore; os frutos, os exemplos
 da caridade. A Doutrina  Jesus em ao. Sem Doutrina
Esprita o mdium  um pote sem gua. A Doutrina esclarece ao
homem a razo da vida e por que devemos respeit-la. Um homem
 que brinca com a Doutrina Esprita longe se encontra de si
mesmo.
Bendita luz que deu vida aos meus olhos espirituais. Eu,
ao recordar os amigos, me vi na obrigao de louvar a Deus, por
ter um dia deixado Jesus vir  Terra e Ele nos ter prometido o
Consolador, que hoje seca as lgrimas e leva a criatura a Deus.
Bendito Allan Kardec, que fez adormecer em si o homem
letrado e famoso e fez surgir o homem verdadeiramente
espiritualizado, que no temeu a crtica nem a pobreza. Tomou-se
 um digno filho de Deus, trabalhador da Espiritualidade Superior
 na Terra. Toda a Espiritualidade louva o Codificador, porque
 devido  sua inteligncia, hoje o homem tem conscincia de
que  preciso esforar-se para se ver livre da ignornciado materialismo.
 Graas s suas obras, os mdiuns no so mais chamados
 de feiticeiros, mas, sim, de obreiros de Jesus.
Enquanto tiver permisso, tocarei nesse assunto to srio
- mediunidade - esperando que atravs dos meus livros possa
 eu fazer algum feliz. E nada infelicita mais um mdium do
que a insegurana.
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Captulo XI
NOVA OPORTUNIDADE
Voltando ao plano espiritual, buscamos novamente a Colnia
 dos Rejeitados e, desta vez, fomos levados at a ala dos
recm-chegados. Antes de entrar na enfermaria, recebemos passes
 reequilibrantes e vestimos uma roupa especial. Olhando aqueles
 fetos, formas diminutas, meu corao chorou; que triste quadro!...
 Alguns se encontravam protegidos por mnimas incubadoras,
 at do tamanho de uma caixa de fsforos, recebendo luz.
Trancafiados em um perisprito reduzido, vamos espritos quase
 dementados, porque seus pais os rejeitaram, mandando-os de
volta.  como se fizssemos um pedido pelo reembolso postal e
ao chegar a encomenda ns a devolvssemos. Para remet-la,
foi preciso embal-la muito bem. E agora, era isso o que abnegados
 espritos estavam tentando fazer: desempacotar o filho
rejeitado. Uns, ao receberem os primeiros socorros, recuperam-se;
 outros julgam que permanecendo diminutos tero uma nova
oportunidade. Enquanto isso, os pais e os mdicos irresponsveis
 esto em outra... Mas a vtima geme de revolta nas inmeras
 incubadoras das maternidades espirituais.
Chegamos perto de um lindo e forte beb; o aborto fora
realizado estando ele com cinco meses de vida fetal. Este esprito
 foi muito machucado. Juntamente com ele desencarnou a me,
mas ela no se encontrava ali. Por mais que os mdicos tentassem
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despertar-lhe a conscincia, ele relutava. Encontrava-se na
posio fetal, quase imobilizado; ficava horas e horas chupando
o dedo. Triste caso. A me, uma jovem de dezesseis anos, gemia
com a dor do remorso. Interrompeu no uma vida, mas, vrias;
com seu ato impensado, rasgou inmeras folhas do planejamento
 divino. E o pior  que isto est acontecendo a cada minuto.
Fitvamos, condodos, aquelas formas humanas resguardadas
 da fria do homem, mas em cada um daqueles coraes
encontrava-se plasmado um rosto de mulher que, por falta de
amor, os havia rejeitado.
Fui saindo devagar. No meu corao estava uma coroa de
espinhos de tristeza por tantos absurdos praticados por pessoas
sem f e sem caridade. Os jovens esto cada vez mais livres,
mas,  medida que se soltam em libertinagem, vo ficando presos
 de remorsos e dores. Se o homem apalpasse o seu corpo e
buscasse nos seus antepassados a verdade da vida, veria que
no somos, quando encarnados, mais que um amontoado de ossos
 cobertos de albumina e fibrina; a carne que aloja a nossa
alma um dia ter de se decompor; por mais seja ela embelezada
e tratada, no suportar o passar do tempo; a sua composio de
oxignio, hidrognio, nitrognio e carbono nada  diante do
Esprito criado por Deus, composio divina retirada do Universo.
 Se o homem se auto-analisasse, no bateria tanto a cara
na porta do sofrer.  ele quem planta o seu prprio infortnio.
Em recolhimento no jardim, ainda conservava gravada em
minha mente cada cena daquela enfermaria: dementes criaturas
recebendo cuidados especiaisdos espritos abnegados, enquanto
 os seus algozes j se preparavam para novos crimes, sempre
interferindo no plano de Deus; o materialismo nem por um momento
 permite sejam tocadas as suas conscincias. A doutora
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Isis aproximou-se de mim e eu indaguei:
- Ser que no existe um modo de gritar para o povo: "pare!
No ultrapasse a risca divina; poucos tero outra oportunidade"?
- No fique assim, Srgio, tudo ter fim um dia, principalmente
 a falta de respeito s leis de Deus.
Os outros companheiros ligaram-se a ns e dali rumamos
ao anfiteatro, onde um irmo, que comandava uma falange de
socorristas, discorria sobre o aborto. Nas clnicas aborteiras as
suas equipes trabalhavam sem cessar, estudando o porqu de os
homens ainda possurem a coragem de matar um inocente feto.
Alojado em minha cadeira, pensava: "j imaginou se todas
as mulheres tivessem a idia de abortar? Triste fim da Humanidade..."

A seguir, entrou o mdico encarregado do socorro aos rejeitados.
 Cumprimentou a platia e esta se iluminou com a luz
da sua bondade. Esse esprito trabalha sem parar em prol daqueles
 que tiveram a viagem interrompida. Olhei-o com amor e pensei:
 "que bom seria se todos fossem iguais a voc". Infelizmente,
 h Homens e homens. Iniciou a preleo:
- Irmos em Cristo. Deus, na Sua plenitude de bondade,
cria incessantemente e povoa o Universo. O homem ganhou de
Deus a vida e por ela ter de lutar. A vida  eterna, indestrutvel,
por ser obra divina, mas ela  dividida em etapas. Primeiro, passamos
 por vrios estgios e ganhamos o paraso, que  o Universo.
 Em cada reino, o esprito adquire tendncias que no podemos
 ainda chamar de experincias. Depois, levado  at o
esclarecimento. Continua a escalada, sempre amparado por Deus,
atravs dos Seus ministros. Ao sair do reino animal, alguns homens
 no se despojam de alguns elementos desse reino. Mas
no se justifica, j no mundo hominal, o homem alimentar as
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reaes de um irracional ou proceder como se ainda o fosse.
No mais se justificam suas atitudes grosseiras. Ao passar de
um reino para outro, o homem conheceu o Paraso e recebeu de
Deus esclarecimentos sobre a perfeio. Portanto, quando erra,
erra por vontade prpria, no por ignorncia. Deus matematicamente
 planejou a vida do ser nas suas escaladas evolutivas. Culpar
 Deus pelos fracassos  fcil; o difcil  assumir que somos
seres sem conhecimento, sem Deus, fracos, covardes e inseguros,
 que precisam bater por medo de apanhar. A covardia do
homem o leva a temer os fatos da vida sem enfrent-los. Ao
primeiro fracasso, vira as costas para as verdades e se cobre dos
andrajos da incompetnciae vai assassinando os sonhos e as
esperanas dos seus companheiros, no se importando com as
conseqncias, que so terrveis quando abusamos do livre-arbtrio.
 Por que o homem tira a vida de seu semelhante? Porque
dentro dele a morte fez morada. Por si s ele  um morto, quando
 nada espera da vida aps vida por julgar a vida espiritual
apenas um linguajar dos religiosos. Parece que  um ser privilegiado.
 Vai sempre obtendo vantagens e se inflando de orgulho,
egosmo e vaidade, at que a combinao de oxignio, hidrognio,
 nitrognio, carbono e outros componentes, chamada carne,
volta ao p e ele se v nu e perdido em um mundo que fez de
tudo para ignorar. Assim mesmo ser orientado, mas a sua casa
mental registrou episdios marcantes pela dor que ele multiplicou
 sobre o Planeta. O "ranger de dentes" ser terrvel. O grito
de socorro ser abafado pelos fluidos do seu prprio esprito,
fluidos estes pesados de egosmo e de maldade. Deus  mau?
pergunto. Claro que no. Temos asas e as cortamos, preferimos
os ps chumbados na matria do egosmo e da vaidade, e nada
fazemos pelo nosso crescimento.
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- Agora, que fazer? continuou o orador. Chorar pelas oportunidades
 relegadas pelo nosso orgulho? Ser mais fcil ouvir a
Deus e andar certo. Ele nos ofertou o Declogo, que nos pede: no
mate, no roube, e quem pratica o aborto no s mata covardemente,
 como rouba o direito de um esprito viver na carne, direito que
todos os falidos tm. Ningum vem ao corpo fsico fazer turismo.
Cada ser vem ao plano material em busca do remdio da evoluo
para o seu esprito. Por que lhe negar o direito da vida uterina, 
primeira
 infncia, adolescncia, idade adulta? Por qu? Apenas porque
 queremos mat-lo, vermo-nos livres dele? No, meus irmos,
mil vezes, no! Ningum pode tirar a escada da evoluo dos ps de
um esprito falido; quando ele tomba, ns tombamos juntos, e queira
 Deus que o homem pare, mas pare mesmo, com esta idia de
matar uma criana, que implora para nascer. A criana no vem 
terra somente para enfeit-la, ela traz para cada homem uma estrela
de luz e esperana e ningum tem o direito de apagar esta chama de
vida. Se em vrios pases a mulher tem o direito de matar, possui
tambm o de arcar com as conseqncias desse ato. bom trabalho.
Terminadas as palestras, voltamos  Colnia dos Rejeitados.
 Procurei irm Roslia e junto a ela percorri os belos jardins
floridos, no sem antes notar que seus imensos olhos azuis estavam
 mais belos, combinando com o seu camisolo, tambm azul.
Suas lindas tranas, cor-de-mel, davam-lhe um ar divino. Sentindo-se
 analisada, falou:
- Obrigada, Luiz Srgio, pelo olhar de carinho.
- Irm, parece uma santa,  muito bonita.
- Bondade sua. A beleza que julga ver em mim est no
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seu corao. Mas, por que o irmozinho est to triste?
- O aborto, irm,  um crime cruel, e como os homens o
ignoram!
-  verdade, Luiz Srgio. As autoridades fingem ignorlo.
  mais fcil. Venha comigo, Vou lev-lo a conhecer uma bela
criana: Mariana.
Caminhamos at o chal oito, onde as tias cuidavam de
Mariana, que estava em preparo reencarnatrio. Ao ver Roslia,
correu a lhe abraar e as duas conversaram muito. Roslia tentava
 convencer Mariana a reencarnar, mas esta dizia:
- Para que, senhora, se os meus pais no me querem? J
tentei duas vezes...
- Mas agora ser bem recebida, acredito eu.
- Espero, irm Roslia.
Mariana nos deixou, tinha de submeter-se a tratamentos
necessrios ao seu retomo  carne.
- Posso ficar aqui para acompanhar a volta de Mariana?
- Sim, irmo. Teremos prazer em t-lo conosco.
Ali mesmo, no chal, iniciou-se a preparao da descida
de Mariana. A noite, durante o sono, seus pais, Roberto e Tatiana,
eram elucidados sobre o compromisso encarnatrio. E Mariana,
todas as vezes que tinha de abraar os pais, recordava os dois
momentos cruis, quando o aborto lhe negou a vida fsica. Por
isso, relutava em abraar os futuros pais, chegando a perguntar:
- Por que me querem agora, se antes tanto mal me fizeram?

Tatiana respondeu:
92



- Antes no podamos ter filhos, estvamos estudando.
Agora temos estabilidade financeira para receb-la.
Mas Mariana no acreditava nos futuros pais. Temia sofrer
 novamente. E assim a nossa equipe acompanhava a luta
daqueles espritos. Mariana ia retornar ao corpo fsico e seus
pais a aguardavam ansiosos.
Enfim, chegou o dia. Tudo certo. Ns ramos s emoo, principalmente
 quando Mariana foi ligada pelos construtores divinos
ao tero de Tatiana. Este grande guardio a acolheu com tal carinho,
 que at os encarregados deste belo trabalho sentiram-se intrusos.
 Agora era o corpo fsico de Tatiana que iria abrigar o corpo
perispiritual de Mariana e, junto a ele, iniciar a criao de um novo
corpo fsico. A forma reduzida de Mariana j interpenetrava o perisprito
 de Tatiana. Iniciara-se a grande jornada.
Todo este trabalho era seguido de perto por excelentes tcnicos
 da reencarnao. Mariana alojara-se no tero materno e
seria alimentada por Tatiana. A forma diminuta de Mariana era
o modelo para o seu futuro corpo carnal.
A mquina fsica da mulher possui elementos to valiosos
que ela deveria sentir-se uma deusa, a deusa da reproduo. Infelizmente,
 muitas mulheres no se conhecem, julgam que os
rgos genitais so os rgos do prazer, somente. Um dia a mulher
 vai-se conhecer melhor e se fazer respeitada.
Voltamos a olhar o corpo reduzido de Mariana no interior
do valioso tero materno; ele guardava com carinho a minscula
 forma e desde o momento que esta se alojou nele, foi recebendo
 as energias necessrias para o seu crescimento intrauterino.
 Observando a parte fsica, Presenciamos o molde comeando
 a tomar consistncia - era o fsico que estava sendo
formado, graas ao poder do Criador. Na volta de Mariana,
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compreendemos a bondade de Deus: ali, naquele pequeno corpo,
encontrava-se uma chama de vida e graas a ela logo estaria em
condio de recomear. O esprito no retroage, mas a forma
fsica, sim, e Mariana voltou a ser infinitamente pequena para
galgar a glria do renascimento.
- Meu Deus, que maravilha! exclamei, extasiado, diante
do milagre da vida.
Desde o instante do ligamento, o corpo de Tatiana fornecia
 os elementos necessrios ao corpo e ao esprito de Mariana.
E o embrio, todo iluminado, iniciava uma longa caminhada.
Realizada a sublime ligao pelos tcnicos divinos, nada
mais nos prendia ali. Retiramo-nos.
- Posso acompanhar esta gravidez? Ser que Tatiana no
vai abortar novamente? perguntei  doutora sis.
- Acho que no. Ela e o marido esperam ansiosos a chegada
 de um filho.
- Mas ela j praticou o aborto.
- Sim, mas agora  diferente, pois aguardam ansiosamente
essa gravidez.
- Irm, como o ser encarnado desconhece o transtomo
que ele causa  espiritualidade quando pratica o aborto!
-  mesmo. Poucos possuem sensibilidade para compreender
 o valor da vida.
Deixamos a casa de Tatiana e aproveitamos para prestar
auxlio nas casas abortivas, que so verdadeiros matadouros.
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Quem pratica o aborto ter de pagar ceitil por ceitil. Estvamos
 trabalhando, quando chamados fomos at a
espiritualidade. Na Colnia dos Rejeitados, a doutora Isis nos 
esclareceu:
- Luiz Srgio, precisamos prestar auxlio a Tatiana, pois
ela est em vias de abortar.
- Ela no quer a criana? interroguei, apreensivo.     *   {
- No  isso, irmo. Devido  violnciados dois abortos
anteriores, o cordo umbilical est apresentando um quadro que
pode dificultar o andamento da gestao. Iremos em auxlio a
Tatiana e recordei que a sua equipe de estudos talvez desejasse
estar presente. ""
- Obrigado, irm, serei eternamente grato.
E assim fomos para a casa de Tatiana, onde a encontramos
muito bem, com sua gravidez no quinto ms. Quando Tatiana se
deitou, os mdicos aproveitaram para prestar socorro, e qual no
foi a minha surpresa ao constatarem que no cordo umbilical
havia um n, impedindo a circulao do sangue, portanto, prejudicando
 o desenvolvimento da gestao. com grande conhecimento
 e habilidade, foi o cordo afrouxado pelos mdicos,
voltando ao normal. Mas a doutora Ellen falou a sis:
- Agora impedimos, mas o cordo umbilical de Mariana
foi atingido nos abortos anteriores, sendo esta a causa deste n
cego. O cordo umbilical est dilatado, bastante flexvel, e quando
 o feto se movimenta, pode ocorrer o n.
- Explique-me, doutora, solicitei  irm Ellen.
- No momento do aborto o feto se debate, desesperado, e
nessa luta o cordo tenta proteg-lo e se dilata. Numa nova gravidez,
 ele apresenta esta anomalia, que pe em risco a gestao.
Mas tambm pode ocorrer com mulheres que no praticaram o
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aborto. So crianas que no desejam reencarnar, e no esforo
para se desprenderem do fsico, afrouxam o cordo e este pode
sofrer os chamados ns cegos, muito raros de acontecer naquelas
 que nunca abortaram, porm com certa freqnciaem mulheres
 que j passaram por essa experincia.
Olhei Mariana no tero de Tatiana e fiquei contente por
Ellen ter desfeito o n umbilical que poderia interromper a gestao.

- Ser que no ocorrer novamente?
- Esperamos que no, e se acontecer, queira Deus cheguemos
 a tempo.
Dali samos e, com o corao repleto de preocupao, pedi
a Deus por Tatiana e Mariana: "desejo, Senhor, v-las unidas
como me e filha".
As lgrimas acariciavam meu rosto, mas o meu Esprito
confiava no poder de Deus.



Captulo XII      '
BANHO DE LUZES
A MQUINA HUMANA
Se o encarnado buscasse as verdades espirituais, no viveria
nas trevas da ignorncia. Quem conhece as conseqncias de um
aborto jamais o comete. Por falta de esclarecimento muitos males
acontecem na Terra-o aborto, um deles. Quantos casais planejam
a chegada do beb, entretanto, quando a criana no est nos seus
planos,  expulsa de maneira cruel atravs do assassinato.
J de volta  Colnia dos Rejeitados, fui com meu grupo
at o auditrio onde uma platia muito estranha ouvia atentamente
 uma preleo de Olavo. Olhei aqueles corpos, sem encontrar
 palavras para descrev-los. Alguns espritos, bem deformados,
 possuam rosto de criana e corpo de adulto; outros, corpo
 de criana com braos e pernas de adulto.
Olavo tecia comentrios sobre o porqu de o homem se
dizer dono de si mesmo, sempre pronto a rebelar-se contra a
sociedade, dizendo-se livre, porm, na hora da verdade, tudo
fazendo para no assumir os fatos:
- O desejo est em oposio s tendncias morais. A
mulher s pratica o aborto quando se sente incapaz de assumir
uma vida, sendo esta a causa de muitas buscarem ajuda nas 
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clnicas abortivas. Mas os abortados precisam conscientizar-se de
que o aborto  um ato fsico e o esprito no deve ficar reavivando
os fatos tristes que enfrentou. Sei que carrega no corpo a chaga
da rejeio, mas nem por isso deve considerar-se rejeitado. Cada
crebro  uma casa, um mundo, enfim, um universo, e somente
seu dono pode arrum-la. Se ficarmos ornamentando nossa casa,
nosso mundo, com os enfeites da revolta, da vingana, do dio,
teremos um crebro perturbado e uma casa mental em desalinho,
 fugindo do universo de Deus. Sabemos que no momento
do violento aborto o crebro, defendendo-se, deseja, em alguns
segundos apenas, dar outra vez nova modelagem ao corpo. Nesse
 desespero ocorrem as anomalias da forma perispiritual. No
esqueamos que, para chegar  condio de feto, tivemos de
aprender a nos concentrar de tal modo que, por vontade prpria,
dssemos ao corpo perispiritual a forma diminuta.
Olavo mudou o tom da voz, falando suave e pausadamente:

- Agora, neste auditrio, vamos olhar as lmpadas que se
encontram no teto e vamos dar um novo colorido  nossa casa
mental. Vamos, ainda, buscar no inconsciente o apagador e, depois
 de ter retirado da nossa mente os fatos cruis j vividos,
vamos fazer crescer a vontade da cura e plasmar com amor um
corpo perfeito para ns. Vamos fixar as lmpadas e agora, como
se fssemos pintores, tocar cada parte do nosso corpo, dando-lhe
 as formas das quais ele precisa.
Estabeleceu-se completo silncio. As luzes ganharam uma
nova irradiao e todos aqueles espritos, de olhos bem abertos,
fixavam as lmpadas para depois cerrarem os olhos e pouco a
pouco foram moldando, cada qual, um novo corpo. Quando olhei
novamente aqueles corpos, antes to deformados, pude
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constatar que agora voltavam a possuir uma forma mais equilibrada.
Olavo parabenizou-os:
- Conseguiram! De hoje em diante todos sabem que a
chave da felicidade se encontra dentro de ns e que, para viver
em paz, precisamos amar a Deus e ao prximo.
Muitos no conseguiram conter o pranto, tal a emoo que
os dominava, ao perceberem que a cura havia-se operado. Terminada
 a sesso de terapia, vrios enfermeiros foram retirando
os irmos. No eram mais crianas, eram espritos que haviam
retomado  sua antiga roupagem perispiritual. Acerquei-me de
Hpila e indaguei:
- Ser que o dio acabou?
- Acho que no, ainda tero de buscar novos tratamentos.
- Irmo, at que foi fcil o retomo  forma antiga...
- Sim, Srgio. Pode ter-nos parecido fcil, mas no sabemos
 quantas sesses de terapia eles tiveram com Olavo.
Enquanto ns dois conversvamos, Olavo aproximou-se.
- Como passam, garotos?
- Graas a Deus, muito bem.
- Por que a visita, desejam algo?
- Estamos aqui em estudo e ficamos boquiabertos com o
que ocorreu neste recinto.
- De quantas sesses eles precisaram?
- No sei, foram tantas, que perderia meu precioso tempo
 se fosse cont-las. O importante  que cada qual buscou no
interior da alma os elementos psquicos adquiridos ao longo da
vida uterina, procurando descobrir quais foram os acontecimentos
 que mais o marcaram, se a reduo da forma fsica ou, 
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principalmente, a violnciada hora do aborto.
- O que faz para ganhar a confiana desses doentes, irmo?

- Acho, Luiz Srgio, que eles enxergam em mim um defensor
 da verdade e notam a minha inquebrantvel f na razo.
Alm do mais, sempre gostei de crianas. Durante vrios anos,
quando encarnado, trabalhei numa clnica neurolgica para crianas.
 Hoje usei o sono hipntico, fazendo-os recordar as circunstncias
 que deram origem s suas deformaes perispirituais.
S isso foi feito, meu amigo.
- Eles voltaro a reencarnar atravs da mesma me?
- Penso que no, nem acho prudente recolocarmos algum
 que j sofreu tanto ao lado dos seus algozes. Pode parecer
benfico para ambas as partes, mas, como estudioso do inconsciente,
 acho injusto tal procedimento. Foi gratificante observar
a felicidade daqueles espritos antes to deformados. A violncia
 na Terra, a cada instante, faz tombar uma vtima. Os anos
passam, mas o mundo interior de cada homem no muda, talvez
porque em cada ser exista um universo ainda com regies desconhecidas
 da prpria cincia.
- Sabemos que o irmo sofreu muito quando encarnado e
o seu pas vivia momentos difceis. Como conseguia manter seu
equilbrio?
- Convivendo com desequilibrados, sentia-me um rei,
mesmo com todas as dores por que passei, no s com os bisturis
 e os mdicos, como tambm em ver o meu pas dominado. A
doena cruel, que ia corroendo-me pouco a pouco, era a companhia
 diria. Mas tudo teve um fim. Entretanto, a separao da
ptria amada foi o pior. Sou um homem que sempre acreditou
no ser humano e luta para que todos sejam felizes. Quando o
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inimigo batia  minha porta, eu via nele a outra face, aquela oculta
dele mesmo. Graas a Deus, de ningum guardei mgoas.
- Irmo, por que a mulher pratica o aborto?
- Ela  levada pelos preconceitos internos.
- Pode explicar melhor?
- Sim, meu amigo. Por mais que a mulher se diga dona
do seu corpo, ela ainda no o conhece, e por no conhec-lo,
dele abusa. Quando percebe que no pode controlar a natalidade,
 a no ser atravs de mtodos anticoncepcionais, v-se incapacitada.
 Por mais que pretenda, no consegue ser sexualmente
igual ao homem. Para dominar seu corpo, ter de lhe amortecer
as funes. Ela me recorda os obesos: querem emagrecer sem
parar de comer. No dia em que a mulher enriquecer sua mente,
ser dona de seu corpo. Diz-se liberada, mas  prisioneira dos
preconceitos. Arraigada aos preconceitos do passado, continua
a ser um objeto usado e descartado. A mulher inteligente obtm
primeiro sua liberdade intelectual, depois a profissional, para
depois fazer a escolha do que deseja realmente na sua condio
de fmea. Acredito mesmo que uma mulher inteligente e realizada
 profissionalmente jamais praticar o aborto. Quem o pratica
 hoje em dia so as mais jovens, por temerem as conseqncias
 dos seus atos. Dizem-se liberadas, mas as de hoje so mais retrgradas
 do que as de ontem, pois fazem e no assumem. Antigamente
 os jovens no cometiam tantos erros, pois as vezes que eram
imprudentes assumiam o que faziam. Hoje, no. A juventude liberada
 est por demais medrosa. Tambm praticam o aborto as
domsticas, que vivem para servir, mas no vivem felizes, e para
elas um filho a mais  trabalho aumentado. H tambm as mulheres
 de baixa renda que temem a gravidez, porque no vem
meios de criar um filho. Portanto, encaramos o aborto como um
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fato social. A mulher s o pratica porque ainda se julga um ser pequeno.
 A mulher superior, equilibrada, no mata, busca nas fibras
do seu organismo fsico os elementos que podero ajudar a sua alma
no instante em que ter de viver este momento novo, porque o seu
organismo est recebendo outra vida: um filho. Se esta mulher j
est realizada intelectual e profissionalmente, acredito que jamais
pensar em matar. Porm, a mulher-objeto, que s serve de forma
de prazer ao macho, esta mulher no lhe quer bem,  ser perigoso,
porque perigosos so todos os seres pequenos que rastejam sob os
ps dos homens, e ela, na primeira oportunidade, usar o ferro.
Ela, a mulher-objeto, no possui ainda a base do equilbrio. Portanto,
 Luiz, todas as mulheres que abortam precisam fazer anlise; ainda
 no se descobriram, algumas nem sabem o que  ser mulher. As
verdadeiras mulheres possuem o instinto materno, elas so os grandes
 vultos da Humanidade.
- Mas, Olavo, hoje, em alguns pases, pratica-se mais o
aborto do que nascem crianas.
- Tem razo. Nunca se viu tanta mulher sem comportamento;
 despem-se, drogam-se, prostituem-se, sem vacilar. Elas ainda
julgam que a igualdade de direitos est no sexo e esquecem que as
grandes mulheres e os grandes homens fizeram a Histria atravs
da inteligncia e do sentimento. Hoje a menina deita-se com o companheiro
 porque est na moda, e no por se completar nele. Resultado:
 homens e mulheres repletos de neuroses.
- Estou abismado, Olavo, sempre o julguei um defensor
das livres atitudes, achando que o homem, para ser feliz, tem de
fazer tudo que julga certo.
- Pelo visto, conhece-me pouco. Sou a favor da liberdade
 da alma. No acho certo, para livrar-se de algo, ficarmos prisioneiros
 de outra coisa. Isto  transferncia de responsabilidade.
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S devemos dar o passo se a perna estiver firme. No sou
adepto dos tombos, acho que o homem precisa ficar forte para
saber andar, ou pular. Um bom psiclogo tem de ajudar o homem
 a se libertar das amarras, das neuroses, e no descartar
uma, adquirindo outras. O sexo hoje  cantado em versos; fala-se
 de sexo como se ele estivesse exposto em uma vitrine, e no
como se deve falar: de algo puro e natural, cujo respeito o homem
 ainda no lhe d.
- O senhor  contra a nudez?
- Jamais serei contra a nudez. Se ela fosse pecaminosa,
ns no viramos ao mundo nus. S no  bom para a mente
humana usarmos o nu como se fosse um aperitivo para ser tomado
 antes de qualquer banquete. O nu  uma das expresses
mais singelas da nossa alma; quando a veste de seda ou linho se
desfaz, surgindo o corpo, fica defronte dos nossos olhos a mquina
 fsica, comandada por uma inteligncia chamada esprito.
Se ns, envergonhados, cobrimos as partes ntimas,  a nossa
alma que no deseja se mostrar. Mas se caminhamos livremente,
 sem nos envergonharmos,  a nossa alma que j se despiu
dos preconceitos e tambm confia nos olhos que a vem. Est
vendo, Srgio, no somos contra a nudez, somos contra as fantasias
 que o homem carrega na alma e que a fazem por demais
maldosa. Mas chegar o dia em que na Terra todos os homens
iro se respeitar. Dizem os livros espirituais que o homem encontrar
 a fonte e, ao se banhar, conhecer a sua verdadeira personalidade;
 a, sim, a Terra ser composta de verdadeiros homens,
 os que j passaram por ela e souberam viver em esprito.
O "papo" estava timo, mas Josef veio buscar Olavo; em
outra ala sua presena era requisitada. Despediu-se, dizendo-me:
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- Srgio, fite bem o seu corpo, nele esto marcadas as
partes importantes, e atravs delas  que ns paramos ou prosseguimos.
 O corpo  mquina, o esprito tambm, pois quando
uma pra, a outra comanda, portanto, ningum deve sentir-se
incapaz. Deus ofertou-nos a inteligncia para que no deixemos
as nossas mquinas pararem por incompetncia. At mais.
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Captulo XIII
A MENSAGEM DE DEUS AOS DUROS DE CORAO
Terminada a palestra de Olavo, fez-se pequeno intervalo,
que aproveitamos para colocar o pensamento em dia. Estvamos
 fixando na tela mental os assuntos que gostaramos de saber,
 se tivssemos oportunidade de perguntar ao prximo orador,
 quando soou o sinal caracterstico do reincio das aulas.
Deu entrada no recinto um simptico senhor, aparentando
meia-idade; a luz que dele partia era tranqilizante. Ao fit-lo,
nossos espritos sentiam-se reconfortados. Sua voz suave ressoava
 na platia, elevando-nos at o Pai:
- Que Deus, Criador incriado de todo o Universo, derrame
 sobre Seus filhos as energias mais puras, para um crescimento
 espiritual que lhes trar paz. O homem, apesar dos chamados
 divinos, ainda reluta em abraar Deus e o seu prximo,
por isso a dor e o desespero lhe fazem companhia. Mas como
fazer para levar aos duros de corao a mensagem de Deus,
mesmo sabendo que s ela nos pode curar? Quantos irmos padecem
 de doenas terrenas, muitas contradas por eles mesmos,
devido  falta de conhecimento das coisas de Deus? Quantas
criaturas dementadas buscam fugir da realidade, porque esta no
lhes apresenta condies de uma vida fcil? A Terra vive momentos
 difceis, a loucura apossa-se das mentes fracas e vazias
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e a ociosidade leva o homem a fugir da sociedade, que cobra de
cada um uma atitude digna. Hoje a sociedade sofre ao ver as
famlias lutando para salvar seus filhos e estes se prostituindo,
praticando delitos, dominados pelo alcoolismo e pelo txico.
Mesmo assim, os pais ainda temem aproximar-se de uma fonte
de esclarecimento e luz: a Doutrina Esprita. Encontramos o brio
tombado na sarjeta, a menina se prostituindo, o viciado trancado
 nas celas de uma priso.
- Quem pode salvar o homem - continuou o orador - 
a famlia e esta tem de encontrar nas Casas Espritas a verdade e
o amor. Hoje, no ano de 1989, ainda notamos falhas no Direito
Penal, porque cada cidado carrega, dentro de si, um universo
de glrias ou de fracassos. Cada delinqente precisa de tratamento
 mdico, principalmente de um bom psiquiatra. Julga-se o
homem, mas esquece-se de curar sua alma, e  esta que se encontra
 doente. com pesar, visitamos os crceres, superlotados
de criaturas que mais parecem feras, mas, como ns, filhos de
Deus, ansiosos por momentos de felicidade. No existem bandidos,
 existem, sim, banidos da sociedade, que no necessitam
de grades, mas de bons mdicos, psiclogos, socilogos e juristas.
 Enquanto o homem prender e maltratar outro homem, a violncia
 dominar a Terra. O criminoso  um doente - absurdo
ser maltrat-lo. Ele deve receber adequado tratamento e ser posto
simplesmente na impossibilidade de causar dano, mas no como
esto fazendo hoje: superlotando prises, nada fazendo pela alma
doente. O pior criminoso tem uma luz de bondade, pois tambm
 filho de Deus. Precisam, as autoridades do mundo fsico, unir
a cincia mdica  cincia penal, s assim conseguiro fazer
cessar as violncias. No dia em que se conhecer melhor o homem,
 a justia reinar na Terra. A Doutrina Esprita tem tudo
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para ajudar o ser, ela  o Consolador prometido por Jesus. A
Doutrina Esprita nos ensina a virar pelo avesso a nossa alma e
tentar limp-la. Ela d ao homem o conhecimento de si mesmo;
ela no critica o prximo, mas nos toma severos conosco mesmos.
 Quem tiver a felicidade de descobri-la e coloc-la no corao
 espantar os monstros da imperfeio. Quem est encarnado
 est sujeito a praticar delitos, por isso disse Jesus: orai e
vigiai. O homem pouco conhece de si mesmo, mas a Doutrina
Esprita ensina-o a descobrir-se. No dia em que ela dominar a
Terra, no teremos mais prises, cada um cuidar de aperfeioar-se
 na bondade. Enquanto a Terra no se tomar esprita, cada
casa, cada ncleo familiar tem por dever caminhar junto  cincia.
No podemos, de maneira alguma, cair nos erros das antigas instituies
 que, julgando-se donas da verdade, atacavam quem no as
compreendessem e pecavam pelo fanatismo. Hoje, os espritas, mais
que nunca, necessitam pregar a verdade, no apegados ao
mediunismo, mas dando a Deus o que  de Deus e a Csar o que 
de Csar. Os espritas precisam conviver com os dramas da sociedade.
 A Casa Esprita tem de ser transformada em um hospital de
Deus. A Doutrina no perecer se os seus adeptos forem fiis aos
ensinamentos do Cristo e da Codificao. Preciso  que no fiquemos
 para trs, horrorizados com os fatos que hoje ocorrem. Devemos
 enfrent-los, usando os esclarecimentos evanglicos como escudo,
 sem jamais nos julgar sbios, ou santos. O esprita moderno
precisa conviver junto aos sofredores, refletindo a bondade divina
nos seus atos. Ele no precisa vestir-se de preto nem ter aparncia
fnebre; s precisa adorar a verdade e lutar por ela.
'- Hoje aqui me encontro enlaando, com todos os presentes,
 o meu corao, em prol da Humanidade, principalmente
com todos os jovens que hoje fogem dos compromissos e buscam
 os vcios. No os condeno, apenas peo aos encarregados
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que os assistam, educadores ou pais - mdicos ou juristas, que
recordem que em cada homem existe uma alma que sofre e sonha,
 e que no  totalmente m, somente precisa de tratamento e
amor. O jovem, ao se drogar, est em busca de algo; a mulher,
ao abortar, julga livrar-se de algo que a atrapalha. Ambos so
doentes precisando de amor e esclarecimentos, mas nem por isso
devem receber de um esprita uma crtica sequer; eles precisam
de ns e as Casas Espritas precisam urgentemente esquecer um
pouco os espritos e dirigir-se aos encarnados. Eles esto necessitados
 demais. O Centro Esprita que fica prestando ajuda apenas
aos espritos sofredores e nada faz pelo encarnado est longe da sua
tarefa. Precisamos auxiliar o encarnado para que ele no d trabalho
 quando desencarnar. Os espritos ajudam os homens a conquistar
 a paz do seu prximo e os homens cooperam com os espritos
com suas preces e com seu trabalho em prol dos espritos doentes.
Para o tratamento das obsesses, dia especial, com mdiuns preparados;
 para estudo medinico, contato com espritos escolhidos pelos
 mentores da Casa, quando os recm-desencarnados so levados
para as Casas transitrias. Ningum deve colocar um mdium
iniciante para auxiliar um obsessor. No devemos confundir obsessor
com esprito doente. A Casa que desejar acompanhar o avano do
mundo moderno tem de lutar pela reforma ntima de cada um, porque
 as doenas mentais crescem  medida que o homem vai correndo
 atrs dos bens temporais e se apega  avareza. O esprita precisa
jogar fora a veste corroda de orgulho e vaidade, pegar a charrua do
trabalho e do desprendimento e cantar a cano do amor. O esprita
precisa conscientizar-se do real valor do esprito, para no cair nos
erros das outras religies, que se perderam e caducaram por ter desejado
 ultrapassar a privacidade do homem, tolhendo a sua liberdade.
 Deus, perfeito como , d a cada filho o livre-arbtrio. Condenar,
 amedrontar, castigar, tudo isso no passa de pobreza de
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sentimentos. O bom espirita no atira pedras e, sim, flores, por conhecer
a lei do retomo. Uma Casa Esprita precisa de pessoas capazes de
lidar com os mais srios problemas e atender a todos com solicitude,
 respeito, prudncia e sigilo. Cada caso  um caso; as dores so
dores, no importa como esto sendo suportadas. Ao termos contato
 com um doente, devemos demonstrar-lhe amor e carinho e, com
cuidado, oferecer-lhe ocupao. Nada melhor que a terapia do trabalho
 para uma alma enferma. No esquecer de incentivar no
iniciante o estudo da Doutrina, porque s ela pode nele incutir, para
sempre, o extremado amor  verdade. Para um bom esprita no
existem pessoas totalmente perversas, todos somos gnios do bem
ou do mal, mas todos sados da inteligncia do Todo-Poderoso. O
Espiritismo  to velho quanto a Terra, mas graas a Jesus ele se
consolidou nas Suas pegadas de f, amor e caridade. Jesus, o Mdium
 de Deus, deixou-nos o exemplo de como se deve tratar os
coxos, cegos e dementados, e tambm como se deve portar um
mdium evangelizado:  s voltarmos as folhas da Histria e nos
defrontarmos com os fatos medinicos marcados nos Evangelhos,
todos eles repletos de equilbrio e disciplina. Depois, o Codificador
lapidou o Espiritismo e entregou ao mundo a Doutrina Esprita,
diamante da verdade e da paz. Ningum mais nega os fenmenos
espirituais; podem discordar deles, mas sabem, e como sabem! que
eles existem. Muitos comparam as Casas Espritas aos cemitrios:
sabem que eles existem mas no gostam de visit-los; , para suas
almas materialistas, verdade muito dura.
'- Estou aqui, neste anfiteatro, junto a vocs, pedindo a
Deus por todos e tentando oferecer a cada trabalhador do mundo
 fsico um pouco das minhas experincias, desejando que a
Terra cresa em direo a Deus, e que em cada estao divina Casa
 Esprita - existam criaturas sabendo orientar aqueles que
longe se encontram das verdades espirituais. O Espiritismo tem
109



de acompanhar o avano da cincia e hoje, com o progresso da
tecnologia, no se concebe os espritas estticos somente sentados
 em mesas medinicas, desejando doutrinar espritos
desencarnados, enquanto a cada segundo desencarnam pessoas
de maneira cruel, e muitas sem qualquer preparo espiritual. Devemos
 amparar a criana, o jovem, enfim, o ser humano, apresentar-lhes
 Cristo, no de maneira autoritria, nem fantica, mas
vivendo cada esprita de um modo diferente da vida que vivem
os homens apegados  matria, longe da avareza, da bebida, do
fumo e dos desvios sexuais. O esprita tem por obrigao tomar-se
 um ser evangelizado em casa, na rua e no trabalho, no
usando as palavras para doutrinar, mas sendo um exemplo de
vida para todos os que dele se aproximam. O esprita que s vai
ao Centro no dia de reunio de seu grupo est na Doutrina, mas
ela ainda no entrou no seu corao. Os "mortos" precisam dos
"vivos", mas hoje os "vivos" precisam uns dos outros para no
morrerem de dor e solido. Quem s freqenta os grupos
medinicos precisa perguntar, na Casa, onde ela est necessitando
 de ajuda e, nesta, devem existir grupos de trabalhos manuais,
 artesanato, pintura, teatro, biblioteca. O servio social deve
receber de todos os freqentadores um carinho especial. Casa
sem caridade  Casa sem alicerce. Mdiuns espritas: lutem por
uma vida doutrinria e tenham a certeza de que o Cristo est
onde a mo ampara, cura e levanta. Que Deus nos abenoe, hoje
e sempre. Csar.
Aquela voz ficou por muito tempo em meus ouvidos. Quanta
 sabedoria! S me retirei quando Hpila voltou-me  realidade:
110



; Srgio, na enfermaria oito teremos uma aula sobre aborto.
- Obrigado, amigo.
Levantei-me e, juntos, dirigimo-nos at o local. Enquanto
no chegvamos, trocamos idias, e foi o meu amigo quem falou
 primeiro:
- O irmo Csar, com conhecimento, mostra-nos a obrigao
 que temos com o nosso esprito, que no podemos
negligenci-lo. No caminho da evoluo no existem atalhos,
todos temos de lutar pela perfeio e todos esto propensos aos
erros, sendo esta a causa por que nunca devemos censurar algum.
 Recordo o irmo Jac: "Na longa estrada das reencarnaes,
 posso ter errado no passado, podendo errar no presente e
no futuro. Por isso, a ningum devo condenar". Pela palestra
sentimos que em cada homem est um pouco de bondade e de
imperfeio, mas todos precisamos do farol divino: a f, a esperana
 e a caridade, para no nos perdermos nesta imensa estrada
da vida. Devemos buscar no prximo a bondade latente em cada
esprito, e tudo fazer para compreend-lo, como sempre procuramos
 compreender e nos perdoar. Quando defronto com confrades
espiritas to duros no julgamento de irmos, recordo que Jesus, perfeio
 divina, disse aos apstolos: no vim para julgar e, sim, esclarecer.
 No dia em que os espritas falarem menos e exemplificarem
mais, veremos nos Centros Espritas almas renovadas. A Terceira
Revelao  a arca de No que veio  Terra esclarecer o homem
sobre a morte e ensinar que todos temos por obrigao atingir o
estgio do amor duplo - a Deus e ao prximo.
Assim, chegamos. Os outros j nos esperavam na enfermaria.
 Havia vrios espritos. Algumas crianas estavam sentadas
 nas camas, outras pareciam dormir. Encontramos a doutora
sis, que mostrou algo que vira anteriormente e muito me 
111



marcara: alguns tinham o tronco de criana e a outra parte de adulto;
outros, a mo direita de adulto, a esquerda de criana. Corpos
mutilados, tudo isso por causa do aborto. Os mdicos davam
passes e aplicavam sonoterapia nos doentes, mas eles continuavam
 indiferentes, olhavam ao redor, mas distantes se encontravam.
 A mdica aproximou-se de Gustavo, que tinha a face adulta
 e o corpo de criana.
- Como vai, Gustavo?
- timo, irm Isis. Estou querendo voltar para minha Colnia,
 onde deixei muitos amigos.
- Isso depende unicamente de voc, irmo. Vamos ao exerccio.
 Se conseguir voltar  forma adulta, logo estar na sua colnia
 de origem.
- S com uma promessa: no quero mais saber de reencarnao;
 se vocs teimarem em me levar de volta ao plano fsico,
 fico assim mesmo como estou. Odeio Andra e Paulo, que
vocs escolheram para serem meus pais.
Nisso, Jac adentrou o recinto e foi-se aproximando, dizendo:

- No quero acreditar que o meu amigo diga to feia palavra
 - dio - que um dia ser retirada do dicionrio.
Todos ns o cumprimentamos em coro:
- Como vai, irmo Jac?
-Muito bem, irmozinhos. S no estou melhor porque
o meu amigo Gustavo est alimentando dio em seu corao.
- Irmo Jac, sabe o que fizeram os meus futuros pais?
Assassinaram o corpo que ia me servir na terra e ainda me perturbaram
 o esprito.
- Sei disso, mas  o irmo que ir ajud-los. Nada melhor
112



que um filho para dar aos pais lies que nem a vida apaga.
- Gosto muito do senhor, irmo Jac, mas j decidi: no
quero mais saber de Andra e Paulo!
- S vim visitar voc, no perteno a este departamento.
Vivo no plano fsico lutando pela no-violncia e, sendo o aborto
 uma violnciacontra os projetos divinos da procriao, sempre
 oro por todos os que o praticam.
- Ento o senhor tem piedade de quem pratica o aborto e
no das suas vtimas?
- Gustavo, oro pela unio de todos os filhos de Deus,
principalmente os mais pecadores. E aquele que pratica o aborto
  um ser que em nada cr, nem em Deus, portanto,  muito
infeliz.
Aproximei-me de Jac e falei:
- Irmo, gosto demais do senhor e fico feliz em v-lo
aqui, no sabia que estava trabalhando nesta Colnia.
- Srgio, estou em todos os lugares onde o espinho implacvel
 do dio deseja ferir a alma, e nesta Colnia os rejeitados
 fermentam o dio nos coraes. Os que praticam o aborto
no amam nem a si mesmos, portanto, irmo,  dio gerando
dio. Aqui venho sempre ajudar Camila, fao muito pouco, mas
fao com o corao repleto de amor ao meu prximo.
Contemplei aquela figura linda e inesquecvel. Para cada
ser da Humanidade Jac  uma bandeira branca de luz e paz;
onde chega, o perfume do amor invade todos os coraes.
A nossa turma ficou s observando o dilogo entre ele e
Gustavo, digno de ser narrado, mas infelizmente no tive permisso,
 somente quando Gustavo, em lgrimas, abraou o querido
 velho, dizendo:
113



- Est bem, ajude-me a voltar  forma antiga.
E Jac, em posio de ltus,  frente de Gustavo na mesma
posio, iniciou o trabalho mental. Jac, de mos juntas sobre o
peito, cabea baixa, orava em silncio. Gustavo, tambm na
mesma posio, tentava entrar em sintonia. Comeou Jac a falar,
 num tom de voz dulcssimo. Sua voz era to suave que receei
 tambm entrar em estado hipntico.
- Gustavo, a roseira perdoa a mo do jardineiro que lhe
furta a rosa perfumada; a terra no reclama paternidade quando
o agricultor a abandona, levando os cereais; os pais no amaldioam
 os filhos quando saem de casa para construir um novo lar.
A vida s tem valor se a colorimos de perdo. Neste instante,
vamos buscar, na nossa casa mental, o mdico que ganhou de
Deus o diploma da vida e optou pela morte; que ele possa ser
tocado na sua conscincia e compreenda o mal que pratica contra
 inocentes criaturas; que os aborteiros recebam de ns uma
chuva de amor e perdo; que nas suas conscincias brote a semente
 do amor. Vamos buscar Paulo e Andra e dizer-lhes que
nada se compara  misso dos pais; que, interrompendo uma
gravidez, eles esto retardando o momento glorioso de apertar
um filho nos braos.
Observava Gustavo, enquanto Jac prosseguia. Seus olhos
pareciam divisar os momentos dramticos do seu contato com o
corpo de sua me. O olhar foi ficando duro. Jac s falava em
perdo.  medida que foi falando, Gustavo foi tambm relaxando
 e adquirindo um novo olhar, menos vago e mais lcido. Eu
estava emocionadssimo, mas tinha de fazer muita fora para
no atrapalhar o trabalho. Jac acrescentou:
- Mantenha o pensamento em Deus, firme nele os seus
propsitos e busque recordar-se do seu corpo na forma adulta,
114



sem deformao; busque o Gustavo homem ou o Gustavo criana,
 irmo.
Em poucos segundos Gustavo se nos apresentou um belo jovem
 de seus vinte e sete anos; no sara da posio inicial, apenas
crescera ali na frente de Jac, recebendo farta carga magntica no
s do irmo-paz, como de todos ns que ali estvamos. A operao
foi longa e me pareceu complicada, tanto que para realiz-la contamos
 com Jac, que na ltima encarnao foi um lder hindu, conhecedor
 do magnetismo humano. Gustavo, de tanto esforo, caiu desmaiado,
 sendo socorrido pelos enfermeiros da casa. Afastamo-nos.
Olhei para o irmo Jac, que parecia esttico, nem um msculo
mexia, mesmo com o rebulio do momento: ns saindo e Gustavo
sendo socorrido. Desejava muito falar com ele, mas a porta fechouse
 e ns tivemos de seguir os nossos instrutores. Assombrado com o
que presenciara, perguntei:
- Ele sempre faz esse trabalho?
- No, s quando os mdicos no conseguem curar o abortado,
 a mandamos busc-lo. Como os encarnados nada conhecem
 do plano espiritual, no sabem o trabalho que do ao praticarem
 atos contrrios s leis de Deus. Querem aproveitar a vida,
coitados! Um dia tero de pagar ceitil por ceitil.
- Gustavo volta logo? perguntei, ainda.
- No. Sofreu duas redues perispirituais, muito perto
uma da outra, no sendo bom para o seu esprito. Ter de esperar
 um bom tempo para retornar.
- Mas h abortado que retorna em seguida.     <
- Sim, quando ele mesmo no reluta, o que no foi o caso
de Gustavo.
Calei-me, emocionado, ao recordar o nosso Jac rompendo
 a barreira do dio e mais uma vez saindo vitorioso. Ainda
115


bem que na Terra existem homens como ele, que passam pelo
plano fsico e s deixam lembranas de hombridade.
As lgrimas corriam em meu rosto; elas eram gotas do corao,
 repleto de alegria pelo mundo que encontrei e que hoje
tanto me ensina sobre o amor. Isis, vendo-me emocionado, teceu
 algumas consideraes sobre o ocorrido, comentando o mau
uso de um diploma e o que ter de pagar quem abusou do seu dom.
- Irm, objetei por minha vez, o sofrimento no ser maior
 que a maldade que ele pratica.
- Engana-se, Luiz, o remorso de uma alma  o pior inferno,
 e um dia eles o sentiro.
Chegamos diante da porta de entrada do auditrio, onde
grande nmero de companheiros ali se encontravam. Isis cumprimentou
 alguns deles e entrou, ficando junto aos instrutores.
Fomos tambm entrando devagar. Era um belo anfiteatro, dos
mais modernos. Encontrava-me um pouco triste, no tirando da
lembrana a cena de Gustavo e Jac. Irm Carmelita iniciou a
prece, que parecia dirigida a mim. Senti-me bem mais equilibrado,
 podendo ouvir o mdico designado para a palestra:
- Irmos, nobres instituies prestam servio aos necessitados,
 aos tristes, aos sofridos, mas precisamos dos encarnados
 para trazermos o doente at as colnias de socorro, sendo
este o motivo de organizarmos equipes para atuarem junto aos
grupos espritas, levando os recm-desencarnados a fim de serem
 encaminhados ao devido tratamento. Necessitamos dos
ambientes evangelizados para os primeiros socorros, elucidando
as Casas Espritas que esse tipo de atendimento precisa contar
com a bondade de cada mdium humilde. Poderemos no buscar
 a participao deles, mas os desencarnados por acidente ou
116



outra maneira violenta pedem trabalho especializado dos mdiuns
 encarnados.  uma transfuso de energia. Os trabalhos
medinicos devem obedecer a uma disciplina de amor e os obreiros
 ser esclarecidos sobre o grande valor que eles tm. No se
concebe uma mentalidade dogmtica ou mstica para os espritas.
 Todos os que efetuarem um trabalho no mundo fsico devem
 orientar seus companheiros sobre o real valor dos trabalhos
medinicos e estes, no momento, precisam ser de ajuda aos recm-
desencarnados
 O homem est desencarnando mal, sendo
esta a causa dos nossos cursos. ;
Ele parou, para logo depois continuar:
- Muitos julgam que somos contra a psicofonia, incorporao,
 enfim, a manifestao dos espritos. No  isso, no. O
que os departamentos de socorro pedem s Casas Espritas 
auxlio aos recm-desencarnados. Quanto aos grupos medinicos
onde o estudo da mediunidade se efetua, jamais iro terminar.
Fiquei quietinho na minha cadeira, louco para fazer perguntas.
 Mas ele continuou:
- As caravanas de socorro descem  Crosta a todo momento
 e esperam que cada Casa Esprita crie pelo menos um
grupo de socorro, para se tornar um hospital de Deus. Precisamos
 orientar bem os freqentadores dos Centros Espritas que
desejam desenvolver as percepes medinicas, mas somente
aguardam expresses fenomnicas, supondo erroneamente que
as foras espirituais permaneam circunscritas ao puro mecanismo
 de foras cegas e fatais, sem qualquer preparao, disciplina
 e construtividade; que desejam a clarividncia, a
clariaudincia, enfim, todos os dons medinicos, mas ainda no
dominam todos os impulsos inferiores. Por isso, o caminho da
mediunidade  longo e requer do caminhante muitas renncias e
117



muito aprendizado. Se no plano fsico temos de respeitar leis
que traam linhas de controle aos incapazes, por que o plano
espiritual estaria  merc de criaturas sem preparo? Para que o
homem no caia no ridculo, a Casa Esprita precisa orient-lo
na verdade kardequiana; caso contrrio, no teremos mdiuns
com Jesus e, sim, mediunismo. O estudo da Doutrina evangeliza
o homem e este,  medida que se aprofunda na vida do Cristo,
vai procurando mudar, matar o homem materialista, e tornando-se
 um verdadeiro esprita. Porque, se desejarmos apenas o fenmeno,
 ele nada vai acrescentar de til  nossa evoluo. O desenvolvimento
 desequilibrado dos fenmenos pode ser to destruidor
 para o esprito, como o txico que mata os centros da
vida fsica. Nada melhor do que caminhar em terreno conhecido;
 para que isso acontea, no vamos correr atrs da mediunidade,
 ela  fato natural,  uma expresso do esprito imortal,
mas exerc-la com Jesus requer que tenhamos condies sadias,
que tudo faamos para nos melhorar, deixando os planos inferiores
 da vaidade, da avareza, do dio etc., buscando a reforma
ntima para que o cu brilhe em nossa alma. Essa a razo de
lutarmos pelos grupos de socorro, onde o estudo e a ajuda aos
desencarnados vai pouco a pouco mudando o comportamento
do homem. Colocar um mdium iniciante em contato com a
espiritualidade inferior  falta de respeito aos dois; o encarnado
necessita ser doutrinado para doutrinar. O melhor  coloc-lo
junto aos recm-desencarnados, para que tenha condio de ajudar
 e ser ajudado. E este mtodo no provoca o desenvolvimento
 prematuro, ele aprimora os sentimentos, equilibra e abre a
porta dos novos conhecimentos. No queira um mdium iniciante
transformar o prximo; ele primeiro ter de se transformar em
um operrio de Jesus, afastando de si o egosmo e a vaidade.
Um bom esprita deve afastar o verbalismo sem obras e lutar
118



pela reforma ntima, vivendo em Cristo na pacincia, na renncia
 de cada dia, na prtica da caridade, no perdo s ofensas.
Ningum serve de intermedirio com a alma repleta de egosmo,
 principalmente se deseja tornar-se mdium com Jesus. Os
espritos superiores no podem manifestar-se por um aparelho
repleto de defeitos, que so as imperfeies dos mdiuns. Todos
devem buscar uma Casa Esprita quando pressentem possuir dons
medinicos que precisam ser educados. Sozinhos, nos lares, os
mdiuns so mais facilmente iludidos, e depois, s convivendo
em comunidade somos testados na pacincia e na perseverana
e saberemos o quanto ainda somos imperfeitos. Devemos
conscientizarmos de que os fenmenos so fenmenos, mas o
esprito  tudo e precisa ser respeitado. Todos somos mdiuns,
mas pouqussimos os escolhidos para tarefas missionrias.
E, num gesto expressivo, acentuou:
- Os espritos que trabalham na Crosta devem esforarse
 para levar aos encarnados as verdades divinas. Graas  Doutrina
 Esprita, tudo se torna mais fcil. Ela ensina o homem a
no praticar atos contrrios s leis de Deus, por isso os seus
operrios, os espritas, precisam saber distinguir o doente espiritual
 do obsessor cruel; precisamos de muita ateno, prudncia
 e carinho.  fcil diferenar um do outro: o doente
perispiritual no  mau,  somente sofredor; o obsessor est ligado
 ao obsidiado s vezes por anos e anos a fio, e para separlos
 necessitamos de muito amor e conhecimento.  uma cura
demorada, porque, em geral, quase todos os casos de obsesso
que ocorrem no plano fsico constituem problemas dolorosos e
difceis de serem curados. Esta a causa de merecer da Casa Esprita
 uma assistncia fraterna e paciente, porque a obsesso no
se trata somente em uma sesso medinica. Leva tempo para
conseguirmos separar, sem violentar, e ainda mais evangelizar
119



obsessor e obsidiado. No sendo assim,  como dor de dente: se
no tratar o dente, a dor volta.  um trabalho de amor a ser
realizado em clima de perseverana serena, equilibrada, de modo
a que o tempo no conte. Em trabalho de desobsesso na Doutrina
 Esprita no existe milagre de transformaes repentinas;
o grupo recebe uma terra repleta de detritos e, com pacincia,
vai trabalhando at o momento do plantio. Tarefa difcil, mas
dignos so os seus trabalhadores. Futuramente, todos os Centros
 Espritas tero somente um dia da semana para o tratamento
da desobsesso. Em grupos medinicos ficaro somente os atendimentos
 espirituais aos recm-desencarnados ou alguns doentes
 espirituais, como ovides, abortados, suicidas.
'- Desejamos a todos muito equilbrio no trabalho que
realizaro no plano fsico e que cada um recorde que feliz 
aquele que ouve o chamado do Pai, levanta e anda em direo
aos que precisam. Que Deus nos abenoe e que Jesus esteja ao
nosso lado em todos os nossos momentos, principalmente nas
horas mais difceis. Joo Nascimento.
120



Captulo XIV
VTIMAS INOCENTES
Aquela palestra me tocou o corao. Nascimento, quando
encarnado, foi um digno representante da Doutrina Esprita e
hoje luta pelos grupos medinicos com Jesus. Ofereceu-nos grandes
 lies de amor e ningum melhor que ele para transmiti-las.
Ao deixarmos o auditrio, eu como ningum desejava falar,
queria ficar sozinho para anotar o que ouvira e formular algumas
 perguntas para a prxima aula.
Isso feito, voltei ao trabalho.
Entramos em uma enfermaria, onde os abortados recebiam
 tratamento. Um beb tinha sido socorrido naquelas horas e
apresentava em seu corpo perispiritual uma chaga viva de sofrimentos.
 Abnegados espritos procuravam tratar aqueles farrapos
 humanos, vtimas de uma sociedade sem Deus. Vrios assuntos
 ali foram abordados sobre as vtimas indefesas do aborto.
 Sim, indefesas, porque se fala tanto em direitos humanos e
ningum levanta a voz contra os carrascos aborteiros. Sabemos
que muitos deles se escondem em luxuosas clnicas e hospitais
bem aparelhados. Estes locais so pontos negros na nossa sociedade
 e no existe, no vocabulrio, palavra para classificar os
matadores de esperanas, que se esquecem de que hospital 
sinnimo de socorro e amor. ;
121



Fui o primeiro a me retirar, sis, aproximando-se de mim,
falou:
- Luiz, agora vamos at outro departamento. L receberemos
 outras aulas.
Olhei-a com carinho, acompanhando-a em silncio. Quando
 adentramos o Departamento Um - cuja arquitetura lembra
o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, tal a sua beleza e cuidado
- a curiosidade j se alojara em meu esprito e, com certa impacincia,
 a tudo examinava. No auditrio deu entrada um esprito
 cujo perfume tomou conta do recinto. Fez uma bela prece e
em seguida passou a exibir filmes sobre os ltimos acontecimentos
 no plano fsico: a promiscuidade do sexo, a m situao
dos domnios carcerrios, o aumento assustador, em certa cidade
 do Pas, do homossexualismo, da droga e do lcool, dos seqestros
 e do tema deste livro: o aborto, que foi o principal assunto,
 pois o irmo nos mostrou seu crescimento nos ltimos
anos, sendo o Brasil recordista mundial desse covarde crime.
No mundo, a cada momento, tombam vrias vtimas do aborto.
No Brasil, quatro a cinco milhes de brasileiros praticam, por
ano, esse terrvel crime, onde o nmero de interrupes de gravidez
  maior do que a taxa anual de nascimento, sendo esta a
causa da espiritualidade se encontrar sobremaneira preocupada.
Grande parte do trabalho do Departamento da Reencarnao,
ultimamente, vem sendo desfeito pela falta de amor que reina
no mundo, onde esto sendo praticados, anualmente, cinqenta
milhes de abortos. No s interrompem a gravidez, como muitas
 vezes inutilizam as mulheres, que desencarnam ou ficam com
seqelas, como tumores ou perda de fertilidade. As grandes vtimas
 do aborto so a criana e a me. Foi registrado o nmero de
desencarnes que se d por ms, por dia, por hora e por minuto, e
mais as formas usadas. Vrios filmes foram projetados e a 
122



plateia, em silncio, a tudo assistia. Como pode um mdico esquecer-se
 da sua misso de salvar vidas e se propor a interromp-las
sem piedade? Essas criaturas no crem em Deus nem em si
prprias, porque se parassem para pensar, veriam que nada compensa
 ir contra as leis de Deus. , irmos, ningum sacrifica
tantas vidas quanto uma aborteira ou um aborteiro. So crimes
dos quais a imprensa no fala e pouqussimos chegam ao conhecimento
 da justia terrena. No entanto, a cada crime praticado,
 apaga-se uma estrela de bno no caminho daqueles que
matam por desamor.
Hoje, com a liberao do sexo, os casais no se juntam por
amor e sim por divertimento. Mas sexo no  esporte nem diverso,
sexo  a plenitude do relacionamento homem-mulher;  o momento
em que eles chegam ao mximo na troca de energias. O que vemos
hoje: casais iniciando um namoro atravs da relao sexual, sem
conhecer um ao outro. Por isso o Brasil de hoje carrega um trofu
to deprimente: "campeo mundial do aborto" e ainda a probabilidade
 de contar com futura esterilidade dos casais, quando sabemos
que toda a natureza brasileira  rica de fluidos magnticos, fluidos
estes preparados por Jesus para maior oxigenao do Pas, principalmente
 quando o mundo sofrer as conseqncias da prpria violncia
 do homem. Algumas guerras se aproximam, e quem ir sofrer
 mais essa violncia? A Natureza(1). Para ns, a mulher  uma
obra importante da ecologia, porque  atravs dela que se faz o
transporte plano espiritual - plano fsico.
Gritos se ouvem em defesa da ecologia e dos direitos humanos,
 e Presenciamos a mulher sendo violentada pelos meios
(1)  poca do recebimento deste livro - 1989 - ainda no havia ocorrido 
a Guerra
 do Golfo Prsico, que violentou brutalmente a Natureza.
123



de comunicao, onde ela  apenas um objeto, nada alm disso.
Porm no falam em direitos humanos, quando se mata sem piedade
 um inocente ser: o abortado. Disso tudo, o mais triste 
que os pais, por vaidade, tambm cooperam com esses assassinatos.

Para socorrer um desses casos, convidados fomos pela
equipe a descermos ao plano fsico. Uma jovem necessitava de
auxlio.
Pela manh, cedinho, adentramos a casa de Esmeralda, um
desses ricos palacetes, todo adornado de obras de arte. Na sute
da jovem nada faltava: televiso, vdeo, aparelho de som, computador,
 teclado eletrnico, violo, vdeo game, enfim, o quarto
de uma abastada jovem moderna. Quase de tudo possua, mas o
mais importante faltava: Cristo. O conforto  merecido, mas o
jovem precisa de muito mais que conforto, ele precisa de Deus,
de f, para no deixar perder a oportunidade da vida. Esmeralda
chorava baixinho, desesperada. Alisei seu cabelo. Estava pensando
 naquele dia em contar  me que estava grvida de cinco
meses, e pedia coragem, muita coragem. Ficamos orando por
ela, quando resolveu enfrentar os pais. Acompanhamo-la at o
quarto de sua progenitora, que ainda dormia, apesar da hora:
meio-dia e meia. Mesmo assim, foi despertada pela filha. 
medida que Esmeralda expunha sua situao, a me empalidecia.

- Como pde fazer isso comigo, que sempre lhe dei tudo
o que queria? O que lhe falta, menina?
Esmeralda suplicou:
- Por favor, me, compreenda, estou esperando um filho,
preciso de ajuda. ;    
124



- Voc fala isso como se fosse fcil aceitar. Esquece a
nossa posio social? Ora, Esmeralda, como podemos receber
essa criana, cujo pai  um pobreto?
- Me, por favor, me ajude!
- Claro que Vou ajud-la, Vou telefonar para alguns amigos.
 Eles me indicaro uma boa clnica e logo voc estar livre.
Esmeralda dali saiu, batendo a porta e partindo  procura
de Clio, o namorado. A me pegou o telefone e iniciou a busca
de uma "boa" clnica, ajudada por influentes amigos.
Esmeralda buscou em Clio um apoio, mas este lhe perguntou:

- Tem certeza de que o filho  meu? Voc sempre teve
vrios namorados, por que s eu posso ser o pai?
- Clio, h seis meses s estou com voc, como pode
fazer tal pergunta?
- Desculpe, mas custo a acreditar que me foi fiel, quando
sei o quanto voc  solicitada pela turma.
Esmeralda, coitada, apavorada com as palavras duras do
namorado, voltou correndo para os braos da me. Esta a esperava,
 acompanhada do marido. com argumentos fortes de "moral",
 levaram a jovem a famosa clnica de aborto, e ns, por
mais que fizssemos, no conseguamos mudar a mente daquelas
 pessoas to envolvidas e obcecadas pelas aparncias sociais..
Esmeralda, nas mos de capacitado mdico, devolvia aquele
esprito ao Departamento da Reencarnao, no sabendo o mal
que estava praticando  criana e a ela prpria.
Muitas lgrimas rolaram daqueles olhinhos. Por dinheiro,
um profissional rasgava o seu diploma de mdico, ou melhor,
apodrecia-o, com um gesto to cruel e mercenrio.
125



De repente, aconteceu o inesperado: o corao de Esmeralda
 estava falhando. Ela era portadora de uma isquemia silenciosa,
 vindo a desencarnar junto ao filho. Houve correria, desespero,
 e ns ali, tentando tambm fazer alguma coisa. No foi
possvel.
O abortado era do sexo masculino e com o choque do aborto
desfaleceu; mesmo sendo retirado pelos tcnicos, no dava sinal
 de vida, tal a sua perturbao. E Esmeralda, completamente
aturdida, no conseguia deixar o corpo fsico. A morte, para aquela
 menina, era mais que morte, era o fim.
Longe de se preocupar com a filha, a me pedia ao mdico:

- Pelo amor de Deus, doutor, evitemos o escndalo! Ningum
 pode saber que ela morreu de aborto!
Era exatamente isso o que o mdico queria.
- Pois no! Vamos transport-la para um dos quartos da
clnica e o registro dir que ela deu entrada com problemas cardacos.

A me respirou, aliviada, principalmente quando viu a criana
 ser atirada na cesta de lixo.
- No acredito - falei - que esta mulher v esquecer
esta cena: a filha desencarnada, tendo no semblante refletida a
dor do abandono, e o neto jogado fora, todo sujo de sangue,
junto com gazes e algodes. Meu Deus, quanta maldade!... Como
 possvel os pais darem tanto conforto a um filho e quando este
mais precisa, eles falharem?
Doutor Leocdio, mdico da nossa equipe, com carinho
apoiou-se em meu ombro, dizendo:
126



Vamos bem ora. Pouco fizemos, mas tentamos, no 
Verdade?  
- E Esmeralda, vai ficar a, debatendo-se dessa maneira?
- No somos tcnicos de desencarne, logo iro chegar e
vero o que podem fazer.
Queira Deus Esmeralda se recupere,  boa menina, s mal educada.
- , irmo, as Escrituras nos dizem que a transio est
prxima e com ela chegaro mais sofrimentos e inquietaes.
Por isso os mensageiros pedem aos encarnados a formao de
ncleos espiritistas srios, para que as verdades divinas permaneam,
 e que resistam s guerras destruidoras e  confuso que
vai reinar no corao dos homens. Enquanto as criaturas ficarem
 longe do Cristo, vamos assistir ao que est acontecendo:
jovens se suicidando, o txico tomando conta das criaturas. 
com pesar que defrontamos com pais e filhos drogando-se, embriagando-se,
 dizendo aproveitar a vida.
- At quando o homem matar o prprio homem?
O mdico me respondeu:
- At entender que a moeda de Csar no compra a paz
das conscincias.
Virei para trs; o corpinho do feto apresentava-se muito
machucado mas o seu esprito estava sendo levado nos braos
da doutora Mariane, em completa inconscincia.
Detive-me a olhar a bela e gr-fina clnica deste meu Brasil,
 que coopera para que ele seja, vergonhosamente, o campeo
mundial do aborto. Que Deus tenha piedade de todos.
127



Despedamo-nos da equipe mdica espiritual, quando doutor
 Mrcio Bittencourt chegou acompanhado de Llis, uma bela
jovem de vinte anos, que nos foi apresentada.
- Seja bem-vinda! saudei-a.
Ela me sorriu com simpatia.
- Estou aqui porque necessito trabalhar, adoro crianas!
-  mesmo? Estou s suas ordens, falei, aproximando-me de olhos fechados.
Carinhosamente, beijou-me a testa, dizendo:
,.;....    -Eu amo voc.
Confesso que fiquei sem graa. Pensava assust-la, mas foi
ela quem me deixou encabulado.
- Desculpe, irm, sou muito brincalho.
- No sei por que voc me pede desculpa. O Cristo no
nos ensinou o amor e o respeito? Ao abra-lo, s um pouco,
pude lhe demonstrar o quanto lhe quero.
- Que bom que voc chegou, vamo-nos tornar timos amigos.
Nisso, Hpila nos chamou:
- Vamos at uma Casa Esprita, onde estamos sendo esperados.

E assim deixamos para trs o matadouro cruel e aportamos
no local indicado por Hpila. Fomos recebidos pelo chefe da
segurana, que nos encaminhou  sala de recuperao, uma sala
circular, com bancos azuis. Ao sentarmos, uma brisa perfumada
deu-nos as boas-vindas.
128



Fui ficando sonolento. Pareceu-me que dali partimos para
longe, mas ao acordar tudo estava normal como antes. Llis demorou
 a abrir os olhos. Eu, mais curioso, a tudo examinava. O
som de uma campainha quebrou o silncio e nos levantamos.
Senti-me mais tranqilo tambm. Dali nos dirigimos a um grupo
 daquela Casa, onde iramos trabalhar na parte da tarde. Chegado
 o momento, analisamos os mdiuns; estes, muito bem equilibrados,
 aguardavam o incio do trabalho. Alguns abortados iriam
 ser socorridos. Na hora determinada, vi entrar os espritos,
corpos de crianas, cabeas de homens, e homens enfurecidos
que desejavam jogar os mdiuns no cho. Mas, imperturbveis,
nem sequer a respirao destes tomou-se ofegante. Era a mediunidade
 com Jesus em ao.  medida que os espritos daquela
 Casa trabalhavam, os abortados iam ficando calmos e muitos
deles foram levados para as colnias de origem. Alguns, porm,
nem ouviam as prelees, to grande o dio que guardavam dentro
 de si.
- Para onde esses vo?
- Para junto das famlias que os "mataram".
- Mas eles j no foram socorridos?
- Sim, mas depende da vontade deles serem levados para
as colnias socorristas ou ficarem junto aos seus algozes, 
atormentando-os.
- At quando?
- At o dia em que desejarem deixar suas vtimas. Por
isso existem grupos como este, para auxili-los a voltar ao mundo
 espiritual e preparar o retorno  carne.
- Para serem novamente abortados?
O dirigente olhou-me, meio assustado.
129



- Irmo, temos de confiar no amanh. Se hoje as mulheres
 entregam-se  volpia do sexo, queremos crer que no futuro
elas cumpriro com o dever de fmeas. Tero conscincia de
que o amor  muito mais forte que o prazer e que a criatura s 
feliz se unir o prazer ao amor. Esse dia surgir nas conscincias
das criaturas, filhas de Deus, como um claro divino, e todos
sero salvos sobrepujando a matria.
- Assim esperamos, dissemos todos, despedindo-nos.
130



Captulo XV
YVES, MAIS UMA VTIMA DO MATERIALISMO
.  Daquela sala fomos levados a outra, onde alguns irmos
nos esperavam.
A doutora Kelly iniciou a explanao sobre um filme feito
pela espiritualidade, retratando o mais recente mtodo abortivo.
Doutor Misael acrescentou alguns fatos novos.
Presencivamos os mais terrveis meios de se interromper
uma gravidez.
Ouvamos, boquiabertos, chegando  concluso de que o
homem aprimora-se cada vez mais para matar sem piedade.
Terminada a reunio, ganhamos a rua e nos dirigimos a
uma recm-inaugurada clnica abortiva, equipada com os mais
modernos aparelhos. Na sala de espera estava uma jovem, que
acabara de chegar. Olhei-a. Deveria ter uns dezesseis anos. Jovem,
 muito jovem. Parecia muito nervosa. Aproximei-me, tentando
 entrar em sua casa mental e lhe pedi: "pelo amor de Deus,
no mate seu filho, ele  um pedao do seu corpo fsico e o
prolongamento do seu esprito". Ela comeou a chorar, pensando
 mesmo em sair dali e voltar para casa. Nisso, entrou o namorado:
 um senhor de seus quarenta e cinco anos que, carinhosamente,
 ficou ao seu lado.
131



- Querido, estou pensando seriamente: ser que no seria
melhor deixar a criana nascer?
- Est louca, menina? Esquece que tenho famlia e posio
 social? E seus pais, como aceitariam um filho nosso, sendo
eu um membro da famlia? Sua irm no suportaria o golpe.
- Mas ns nos amamos!... falou a menina.
- , querida, mas o amor no  tudo, principalmente quando
 temos muitas adversidades para ultrapassar.
Eu continuava intuindo a garota, mas os argumentos do
seu namorado foram mais fortes do que os meus. Ele era o prncipe
 encantado de Isabelle e, aqui, o Luiz Srgio, apenas um
trabalhador do Senhor.
Chegou a vez da garota. com que discrio as coisas ocorriam!...
 A que estava l dentro saiu por outra porta e s chegou
na ante-sala outra paciente aps Isabelle ter entrado. Uma clnica
 muito sigilosa.
Quando a nossa menina adentrou a sala cirrgica, o doutor
Zeus e a doutora Kelly tentaram ainda sensibilizar o corao do
mdico, mas ele, materialista ferrenho, s pensava na quantia
que iria receber. O ser humano nada representava para aquele
homem, que um dia prestou juramento a Deus pela grandeza da
sua profisso. Era ali um assassino cruel, muito mais cruel e
perigoso que um salteador. Todos ns orvamos quando ele, com
sua auxiliar, iniciou o trabalho. Tentamos de tudo, mas as drogas
 e os aparelhos utilizados pelo clnico, com seu corao repleto
 de indiferena, foram mais fortes. Pesarosos, assistimos a
mais uma tocante cena. O feto se encolhia todo, chegando a
chorar. Doutora Kelly, com seu conhecimento, tentava proteglo,
 mas o esprito que habitava aquele corpo de criana sofria
uma transformao - do medo que sentia, no incio do aborto,
132



passou a alimentar um dio terrvel. Por mais que os tcnicos
tentassem, no conseguiam retirar o reencarnante. O corpo fsico
 foi jogado fora, mas, colado ao tero de Isabelle, permanecia
o esprito do abortado. Um processo hemorrgico teve incio e
dava trabalho, muito trabalho. Como no conseguramos salvar
a criana, tentvamos salvar a jovem. Ela estava muito mal.
Outros mdicos da clnica deram entrada na sala, mas quem
a salvou foram Kelly, Misael e Zeus. O cunhado mau carter
encontrava-se desesperado, no pela menina, mas temeroso de
um escndalo. Sentia-me nervoso, muito nervoso, s me acalmando
 quando vi Isabelle fora de perigo. Ela ainda ficou ali
algumas horas. Quanto ao esprito, recusava-se a ser reconduzido
para a espiritualidade. Era uma inteligncia adulta num corpo
fetal. Perguntei a Zeus:
; - O que vai acontecer com os dois?
-A garota vai ficar muito doente, pois o nosso irmozinho
reluta em abandon-la, respondeu.
- Mas no podemos for-lo?
- No, no podemos. O que nos  permitido fazer  dar
uma assistncia aos dois por um perodo mais longo. No deixaremos
 Isabelle, iremos acompanh-la, tentando retirar o
irmozinho do seu tero.
- Que esprito boboca, desejar ficar colado em quem no
lhe quer!...
-  muito fcil, Luiz, julgar algum; o difcil  viver uma
situao desta.
- Deus me livre!
A menina ainda sangrava, mas foi considerada fora de perigo
 e levada para casa. Eu, Llis e Misael fomos designados a
lhe prestar auxlio e, quando chegamos  bela casa, percebemos
133



que no seria difcil para Isabelle ficar em repouso por vrios
dias: os pais encontravam-se viajando para a Europa e ela mais
dois irmos estavam sozinhos com os empregados. O querido
cunhado lhe prestaria as devidas atenes e tudo bem. Tendo
colada a seu corpo uma mente perturbada, Isabelle comeou a
apresentar desequilbrio emocional, chorando, quebrando tudo,
acusando o cunhado. No esqueamos que ela s tinha dezesseis
 anos. Mdicos foram chamados, exames pedidos, resultado:
 um pouco de anemia e cansao mental. Mas Isabelle piorava
cada vez mais. Ouvia a voz do filho lhe dizendo: assassina! assassina!
 Ela nem mais dormia. Ns trs orvamos, enquanto Zeus
cuidava do perisprito do abortado e da sade de Isabelle, mas,
no estado em que se encontrava, o tratamento pouco xito alcanava.

J se passara uma semana, quando me propus a intervir da
minha maneira. Encostei-me no abortado, que aqui chamarei de
Yves, e lhe falei:
- Companheiro, no v que est perdendo tempo colado
em uma matria que lhe rejeita, quando no mundo espiritual ser
tratado, amado e resguardado? No percebe que est perdendo
precioso tempo? Ns, hoje, vamos embora e voc ficar lutando
com esse corpo fetal para permanecer ao lado de sua me, quando
 ela no lhe quer. Dia mais, dia menos, ser retirado da e
chorar pelo tempo perdido.
- No sairei, Vou mat-la, como fez comigo!
- Deixe disso, Yves, voc  o nico prejudicado. Hoje
Isabelle est doente, mas logo vai receber tratamento fsico e
espiritual e ficar boa. Quanto a voc, j perdeu um bom tempo.
- Engana-se, ningum conseguir tirar-me daqui, Vou
sug-la at o ltimo fluido. Sei de vrios casos como o meu, em
que a mulher nunca mais foi feliz.
134



 -  justo fazer isso? Um crime no justifica outro. Deixe
Isabelle e vamos voltar  colnia divina.
Quando dei por encerrado o dilogo, Yves parecia uma
bola, de to encolhido, e em Isabelle ocorreu outra hemorragia,
sendo levada s pressas ao hospital e, mais uma vez, o poder do
cunhado abafou o escndalo.
Ficou vrios dias internada e ns tentando ajud-la, bem
como ao Yves. Mas os dois relutavam em receber ajuda. O dio
pelo cunhado era tanto que Isabelle s desejava morrer, dificultando
 o nosso trabalho. Zeus muito fez por aqueles dois sofridos
 espritos. Isabelle morria a cada dia e os mais capacitados
mdicos no compreendiam o que estava acontecendo. Foi ento
 que Llis, aproximando-se do tero de Isabelle, comeou a
fundir-se nele. De pronto percebemos que Yves j no se encontrava
 no tero de Isabelle e, sim, no tero de Llis. Zeus aproveitou
 esse momento para adormec-lo e, num timo, Llis partiu
 com Zeus, ficando somente eu e Misael, que dava passe em
Isabelle. Aquela garota, menina ainda, j vivia to triste realidade.
 Misael cuidava de Isabelle, quando o mdico encarnado entrou.
 Que surpresa! A menina estava bem, muito bem. Convidado
 fui a me retirar. L fora, perguntei ao mdico Misael:
- O que ser dessa menina? Queira Deus no pratique
outro aborto.
- No acontecer. Jamais ela ter outro filho, ficou estril.
- Qu? Voc est falando srio?
Ele no me respondeu, s me enlaou os ombros e ganhamos
 a rua, deixando para trs um fato comum que atualmente
enfrenta a sociedade, mas que, por comodismo, ignora; um fato
doloroso de liberdade sexual, quando as jovens nem percebem
135



que esto sendo usadas e jogadas fora. Nunca a mulher foi to
ultrajada como hoje, nem no tempo de Moiss. Mas muitas jovens
 acham que esto "abafando", vivendo a vida. O que fazer?
Apresentar Cristo para a famlia, fazendo com que ela descubra
as verdades espirituais. Nos nossos dias o que os pais mais fazem
  levar seus filhos para o caminho do materialismo. Se eles
no mudarem urgentemente o seu relacionamento com os filhos,
 teremos sempre casos como este para narrar. Os jovens
ficam sem rumo quando os pais deixam de ser os seus heris.



Captulo XVI
"NO MATARS"
- Por que a preocupao? interrogou-me Misael, vendo-me
 pensativo.
-Amigo, estava pensando como os encarnados so injustos.
 Vivem dizendo que no so ajudados, enquanto a
espiritualidade tanto se esfora pela felicidade deles. Veja a Llis
o que fez por Isabelle.
Misael nada mais falou, apenas tocou suavemente em meus
ombros.
- E agora, aonde iremos?
- Juntar-nos aos outros no auditrio da Casa Esprita.
Confesso que me achava muito triste. No me conformo
dessas meninas dormirem hoje com um, amanh com outro, sem
temer as conseqncias. A sorte  que a mocidade passa rpido,
mas enquanto isso iro semeando espinhos nas suas estradas.
Ao chegarmos, l estavam os outros irmos: Alosio,
Amintas, Hpila e doutora Kelly. Sentei-me ao lado de Alosio.
- Luiz, parece que voc viu um fantasma!.., disse-me,
sorrindo.
- E vi. O fantasma do dio e da inconseqncia.
137



O auditrio estava lotado. Todos respeitosos e srios junto
aos abortados. Sem demora entrou o palestrante: doutor Antero.
A platia, silenciosa, embevecia-se com as palavras do querido
Esprito:
- Deus, Criador incriado de todo o Universo, um dia criou
o homem. Todo cuidado foi tomado, e com que carinho o Pai
plantou a semente da vida! Recordemos esta bela parbola, em
Mateus, Captulo 21, v.33:
Havia um proprietrio, que plantou uma vinha, circundou-a
 com uma paliada, cavou nela um lagar e
edificou uma torre, e entregou-a a uns lavradores e saiu do pas.
Estas palavras de Jesus levam-nos a buscar em Isaas, Captulo
 5, V. 1-2:
Cantarei ao meu bem amado o cntico do meu parente sobre a sua vinha. O 
meu amado adquiriu uma vinha,
 plantada numa colina fertilssima. Cercou-a duma
sebe e tirou dela as pedras, plantou-a de cepas escolhidas,
 edificou uma torre no meio, construiu na mesma torre
 um lagar; esperava que desse boas uvas, mas produziu
,;    ,( labruscas.
Vejam como as Escrituras precisam ser analisadas, s assim
 a Doutrina Esprita ser compreendida. No Livro dos Espritos
 encontramos, nos Prolegmenos:
Pors no cabealho do livro a cepa que te desenhamos,
 porque  o emblema do trabalho do Criador.
A se acham reunidos todos os principais elementos que
melhor podem representar o corpo e o esprito. O corpo  a cepa;
o esprito, o licor; a matria, o bago. Juntando esses preceitos,
percebemos que em todos eles encontramos uma s verdade: os
138



cuidados tomados pelo Criador com Sua grande obra: o Ser. S
mudam os nomes dados ao corpo e ao esprito, mas a verdade 
uma s: Deus, ao criar o esprito, providenciou as defesas "tomado
 de cuidados". O lagar consistia numa pedra com inclinao,
 cavando-se num plano mais baixo, local por onde escorria
o vinho. Em O Livro dos Espritos a cepa  o corpo - matria;
o esprito  o vinho. Isaas tenta nos mostrar o incio da evoluo.
 O lagar  uma pedra, mas nela est o vinho, o esprito; 
cercado pela torre (a est o Planeta), construdo para habitao
dos vinhateiros (as criaturas). Como podemos perceber, Deus
tomou mil cuidados ao criar o ser. O esprito, formado da quintessncia
 dos fluidos existentes no Universo, percorre o reino
mineral - quando a chama eterna dorme na pedra o sono preparatrio
 para uma longa caminhada. Depois, no reino vegetal
- entre folhas, flores e frutos, ela ainda sonha, j se sente til,
doando ao mundo o que tem de bom. No reino animal, o ser
criado j se prepara para rastejar, andar, saltar, voar. Nesse reino
a chama eterna se prepara para ser homem; desenvolvendo a
capacidade de equilbrio, o movimento muscular, tenta libertarse
 da fora da gravidade. Aprende a rastejar, andar, nadar e voar.
Depois chega ao reino hominal onde, aps muito aprender, recebe
 o diploma do livre-arbtrio. Como vem, quantos cuidados
tomou Deus para com as Suas criaturas! Por isso Jesus pronunciou
 esta bela parbola: Olhai as aves do cu. Mateus, Captulo
VI, w. 25 a 27:
No andeis cuidadosos da vossa vida, quanto ao que
haveis de comer, nem para o vosso corpo, o que vestireis.
No  mais a alma do que a comida, e o corpo do que o
vestido? Olhai para as aves do cu, que no semeiam, nem
segam, nem fazem provimentos nos celeiros, e contudo
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vosso Pai celestial as sustenta. Porventura no sois mais
do que elas? E qual de vs, com as suas preocupaes,
pode acrescentar um cvado  sua estatura?
Aqui, Jesus  muito explcito, quando mostra aos homens o
quanto ele  importante para Deus, pois j possui inteligncia e a
ave ainda est aprendendo a voar e a andar. O homem, que j passou
 pelos diversos reinos, ainda reluta em embelezar sua alma; embora
 j possuindo inteligncia, ainda  inculto em sabedoria e por
isso no pode acrescentar um cvado  sua estatura, principalmente
 a espiritual. O crescimento espiritual  feito de renncias e muito
amor. Hoje o homem mata os seus primeiros sonhos, quando no
respeita Deus nem as Suas criaturas. Precisamos valorizar o homem,
 dizer-lhe o quanto  importante para Deus e que no pode,
por isso mesmo, jogar fora as oportunidades.
- Hoje - continuou o nosso irmo palestrante - inconseqentes
 mdicos, que recebem a tarefa de salvar vidas, fundam
 clnicas da morte, apenas por mseras moedas; mulheres,
que um dia foram escolhidas por Deus para fecundar no seu
corpo outros corpos, matam sem compaixo. A mulher tem a
tarefa de transportar os espritos que precisam reencarnar e ai
daquelas que jogam fora essa oportunidade! O trabalho dos departamentos
 espirituais tem de ser respeitado. Estamos aqui para
que os espritos psicgrafos digam aos seus leitores: lutem contra
 o assassinato desumano que ocorre todos os dias, bem junto
a vocs. O corpo do homem  tambm importante, ele foi preparado
 para vestir o esprito que retoma  terra. Por que destrulo?
 Ser que os mdicos aborteiros ou as curiosas conhecem a
beleza dos corpos humanos? Ser que eles sabem que um feto
tem vrios corpos? E o trabalho que d ajunt-los para uma longa
 viagem? O corpo material  o corpo orgnico, sujeito  morte.
 O corpo espiritual  semimaterial, com energias e fluidos,
140



destinado a ligar o esprito ao corpo, mas que se transforma aps
a morte. Este corpo, chamado perisprito, pode ficar deformado
pelos abusos do esprito; tambm pode sofrer modificaes
exigidas por futuras encarnaes, para adaptar-se s novas formas
 e s novas determinaes genticas e hereditrias.  no perisprito
 que se encontram os centros de fora que organizam o
corpo material. O perisprito  uma usina energtica;  dele que
partem os fluidos espirituais. Destruir esses corpos, separando-os
 atravs do aborto,  violentar um trabalho divino,  rasgar
inmeras pginas do livro da vida. Se o homem buscar as verdades
 espirituais, tornar-se- menos inconseqente. O que se v,
hoje em dia,  difcil de acreditar: muitos homens matam, roubam,
 traem, apenas para servirem a si mesmos. Ser que eles
ignoram que um dia tero de prestar contas? E ai daqueles que
no aproveitarem bem a encarnao! O Senhor tornar  terra
para levar Consigo os que tiverem permanecido fiis s leis divinas,
 e uma delas : "no matars". com a liberao do sexo,
est-se tornando mais difcil a reencarnao Os casais, distanciados
 do amor, apenas se juntam para satisfazer o desejo, desejo
este muitas vezes forjado por estimulantes. Como preparar a
descida de um esprito em vasos to infectados pela falta de
moral e de amor? Como fazer germinar em um ventre materno
uma semente divina, quando esse ventre est bem longe de ser a
manjedoura de Deus? Precisamos orientar as Casas Espritas,
pedindo aos seus dirigentes que promovam campanhas
esclarecedoras sobre o aborto.
- Queramos que os encarnados soubessem - prosseguiu
 - que a conjugao entre os corpos espiritual e fsico no
se faz ao acaso, depende de um trabalho imenso, ainda desconhecido
 pelos homens. No adianta algumas mulheres gritarem
que so donas do seu corpo. Nenhum esprito  ligado a uma
141



mulher sem uma atrao especfica. No podemos esquecer que
o esprito reencarnante sofre vrias alteraes, no somente na
sua organizao perispiritual, como no seu esprito. Para retornar
 o esprito  carne, seu corpo perispiritual sofre um processo
de reduo, de concentrao, para um perfeito encolhimento.
Isso tudo ocorre no por acaso, mas obedecendo a leis. O ser
formado jamais estaria alojado no ventre materno em conseqncia
 de um acaso biolgico, e muito menos o seu plo sexual.
O esprito  o soberano que precisa reinar no tero nove meses,
onde aproveita os potenciais genticos dos pais, porm ele  o
grande rei. Por isso mesmo o esprito, sendo expulso pela me
atravs do aborto, poder ficar colado ao perisprito materno,
levando a me ao desequilbrio. O aborto  um crime perverso
que deixa gravada na conscincia de quem o pratica uma tarja
negra de remorsos. Queira Deus os homens lutem pela paz, principalmente
 a paz da conscincia. O sexo no  pecaminoso; condenvel
  o excesso, o abuso, a falta de respeito s leis morais
estabelecidas por Deus. O sexo  necessrio para que se opere a
renovao dos seres que desencarnam, mas brincar com ele  como
colocar uma arma em mos infantis: srias conseqncias adviro.
Oramos para que o homem, principalmente a laboriosa classe mdica,
 se levante em defesa dos inocentes, para que seus corpos no
mais enfeitem as cestas de lixo. Ningum recebe uma tarefa para
jog-la fora, lembremo-nos disso. Que Deus nos ampare nesta misso
 de amor e luta. Felicidades.
Meus olhos percorreram o recinto. Fitei meus companheiros
e pensei: "como deve ser triste ser assassinado pelos prprios pais!"
 difcil imaginar que Deus criou um ser simples e inocente e ele se
perdeu, inebriado, no mar infinito do materialismo.
- , Luiz Srgio - falou o jovem Alosio, interrompendo
 meus pensamentos. Hoje o que mais se v so homens duros
142



e maus, que parecem inclinados s a matar. s vezes observo o
trnsito: as pessoas, como se enlouquecidas ao volante, no dirigem
 o carro, este  que as domina; manobram perigosamente,
xingam, ultrapassam no momento errado, enfim, ningum  irmo
 no trnsito,  a lei da vantagem e do grito.
Concordei com o que dizia e depois indaguei:
- Como foi o seu desencarne?
Ele sorriu.
- No foi no trnsito, no. Desencarnei em um desastre
de avio.
Calei-me. Entendi que no desejava recordar e, para mim,
amigo  um relicrio, cuja chave se chama respeito. Compreendendo
 meu silncio, Hpila falou:
- Ainda bem que sou seu amigo. Mas o que achou da
palestra, Luiz Srgio?
- Muito boa, boa at demais, no mereo tanto.
- Olhe a falta de humildade!... Dizem sempre os mentores:
aquele que proclama humildade  porque o orgulho mora no seu
corao.
Sorrimos. Amintas aduziu, com grande propriedade:
- Comovemo-nos diante de grandes tragdias, assassinatos,
 conflitos, assaltos, seqestros, todavia um crime desumano
existe: o aborto, porque  praticado no silncio de um lar; no
mais das vezes,  de dentro dele que parte a idia do crime a
inocentes seres cujos braos frgeis no podem defender-se. Eles
ainda no falam, no gritam, apenas sofrem, ainda mais porque
quem os mata so sempre os que deveriam am-los: seus pais,
sua famlia.
143



f
 mesmo, amigo. Onde andam os defensores dos direitos
 humanos? O Brasil logo ser reconhecido como campeo
mundial do aborto. E quem vai levantar a taa covarde e suja de
sangue?
- O povo brasileiro - respondeu doutora Kelly.
144:



Captulo XVII
A INFLUNCIA DE FABRCIO SOBRE A ME
Sa, cabisbaixo, no me conformando com o descaso do
povo brasileiro, referente  matana dos fetos, embries divinos
que precisam voltar ao mundo fsico para completar o ciclo da
vida. Por que tamanha indiferena, quando tanto se fala em preservao
 da Natureza? Defendem a ecologia, os direitos humanos,
 os direitos sindicais, os direitos do consumidor, mas poucos
 levantam a voz em defesa do feto, da criana do amanh. As
aborteiras quase no existem mais. Hoje os abortos esto sendo
efetuados em clnicas bem instaladas e por mdicos que um dia
juraram salvar vidas. No me conformo com a ganncia do homem
 e com a decadncia da mulher, quando elas nasceram com
a responsabilidade de fazer dos seus filhos homens de bem e
no o que estamos presenciando. Fatos tristes, muito tristes: a
mulher mata sem piedade quem dela tanto precisa. Quando Deus
lhe ofertou o mrito da maternidade, foi por desejar uma cooperadora,
por isso ela conta com o auxlio divino. As mes tm a misso de
gravar na alma humana a bondade de Deus. A mulher que aborta
est fracassando em sua tarefa divina. Assassinando o prprio filho,
ela est matando as esperanas de Deus.
Alosio chamou-me  realidade:
- Luiz, por que a tristeza? ,;??
145



Olhei-o com carinho e apenas sacudi a cabea. No queria
falar, sentia uma vontade muito grande de chorar.
Doutora Kelly convidou-nos a retornar ao Departamento
da Reencarnao, onde Fabrcio se preparava para retornar 
carne. Chegamos logo, sendo recebidos por Constana, uma simptica
 irm, cujo perfume sentimos ao nos aproximar:
- Sejam bem-vindos!
- Muito trabalho, irm? perguntou doutora Kelly.
- Sim, ainda mais porque hoje o ser humano encarnado
no deseja assumir responsabilidades e um filho  mais que uma
responsabilidade,  a renncia da prpria vida e poucos pensam
nos outros. Mas sei que vieram acompanhar o irmo Fabrcio no
difcil caminhar da reencarnao. Vamos at ele?
Seguimos a irm, que levitava, assemelhando-se a um anjo
das histrias religiosas. No me contive, acercando-me dela:
,     - Sabe, irm, que  linda demais?
,     - Os seus olhos  que plasmam beleza em mim. Sou-lhe
grata por isso.
Continuou andando. O sorriso era a moldura do seu lindo
rosto. Encontramos Fabrcio reclinado em uma cadeira. Levantou-se,
 cumprimentando-nos. Doutora Kelly falou-lhe:
- Estamos prontos a acompanh-lo. O Luiz Srgio precisa
 escrever um livro esclarecedor e achamos prudente narrar o
seu reencarne.
- Irm, no desejo reencarnar, j avisei os irmos do Departamento
 que a famlia escolhida para me abrigar no me deseja,
  intil insistir.
- No temos autoridade para julgar o seu caso, aqui estamos
 como aprendizes, respondeu Misael.
146



Nisso, Constana, acercando-se dele, falou:
- Hoje, irmozinho, teremos outro encontro com seus
futuros pais. Lembre-se de tudo o que aprendeu aqui.
Inclinando-se, em total respeito, respondeu:
- Mesmo contrariado, estarei na sala dez, esperando-os.
- Agradecemos, Fabrcio, e lhe desejamos muita paz.
Constana afastou-se e ns a acompanhamos. Confesso
que me encontrava j impaciente, no vendo a hora do tal encontro.
 Mas ainda tivemos de assistir a vrias aulas at o esperado
 momento.
Ao chegarmos  sala dez, uma msica suave energizava o
ambiente, assim como a luz verde-gua. Fabrcio j aguardava
os futuros pais. Em determinado momento, vimo-los entrar, meio
assustados, em desdobramento perispiritual. Percebemos o olhar
de amor de Fabrcio para Marina, a jovem de dezoito anos, que
estava diante dele. O jovem que a acompanhava, Rogrio, olhouo
 com indiferena.
Constana interveio:
- Queridos Rogrio e Marina, qualquer relao sexual
tem por fim um compromisso e o de vocs  receber Fabrcio
como filho.
Rogrio gritou:
,    - Filho? Nem pensem nisso! Estamos  aproveitando a
vida.
- Muito certo. So jovens, podem aproveitar a vida, mas
o sexo no  parque de diverses. Sexo  um elemento precioso
na mquina da vida. Podemos mesmo dizer que  um rgo
divino, muito respeitado por Deus, por ser atravs do seu trabalho
147



que se fazem as ligaes entre o plano espiritual e o plano fsico.
O sexo no  s o prazer,  luz que, projetada equilibradamente,
forma um caminho para os espritos prosseguirem viagem.
- J estivemos muitas vezes aqui e vocs no desistem,
no  mesmo? falou Marina.
- Como desistir, se todos esto ligados pelos fios dos compromissos
 pretritos? No somos ns nem Deus que desejamos
o seu reencontro. Fabrcio pertence  famlia de vocs, por isso
estamos aqui, apenas para aproxim-los. H muito vocs esto
tentando acertar. Na ltima encarnao ele foi seu pai, Marina.
Na penltima o irmo de Rogrio. Por que agora o rejeitam?
indagou Constana.
- Simplesmente, porque no queremos filhos - respondeu
 Rogrio que, olhando para Fabrcio, perguntou-lhe:
- E tu, queres ser nosso filho?
      - No. Prefiro ficar aqui, onde tenho amigos.
- Est vendo, senhora? Nem ele deseja reencarnar.
Estvamos assistindo  entrevista daqueles seres que precisavam
 estar unidos pelos laos familiares. Sei que depois de
muitos minutos Constana convenceu o casal a receber Fabrcio
e ficou acertada a volta do irmo pelo ventre de Marina. Falei
para Alosio:
- Isso no vai dar certo, outro abortado...
- Oh, Luiz, nem pense nisso!
Encontros como este existiram muitos e sempre Rogrio e
Marina relutavam em receber Fabrcio, mesmo dizendo sim a
Constana.
Chegado o grande dia, Presenciamos a luta do esprito
148



desencarnado para se despojar de certos fluidos do mundo espiritual
 e assimilar outros do plano fsico. Um trabalho imenso da
espiritualidade. Tudo preparado: o mapa da vida fsica de Fabrcio
 e o adormecimento da sua mente, depois a reduo
perispiritual. Os construtores, com os tcnicos, entregaram Fabrcio,
 mais uma vez,  equipe da reencarnao. Ele agora era
um ovo, desenvolvendo-se no tero de Marina. Alojado naquele
ventre jovem, iniciava a sua vida fetal.
Como toda gravidez inesperada, ocorreram comentrios,
assombro, revolta e o desejo de impedi-la. Mas, graas a Deus,
Marina e Rogrio resolveram aceitar Fabrcio como filho e ele
ali estava protegido pelo sentimento da me.
amos agora para outro trabalho, quando doutora sis foi
chamada para prestar socorro  Marina. Encontramo-la deitada,
plida, ou melhor, cadavrica. Perguntei a Constana, que ali j
havia chegado:
- O que aconteceu?
- A irm est com suspeita de hepatite.
Misael aplicou-lhe passes magnticos, detendo-se, particularmente,
 na regio do fgado.
- Como contraiu tal enfermidade? indaguei.
Doutora Kelly respondeu:
- A mulher grvida, alm de abrigar o corpo orgnico do
esprito reencarnante, dele recebe tambm as vibraes mentais.
 A mulher se funde com o esprito do filho. Recordemo-nos
das rvores enxertadas,  caso semelhante. Nos nove meses de
gestao, a mulher grvida quase perde a personalidade. Muitas
vezes os pensamentos so do ser que ela abriga em seu ventre.
- E ela, no influenela o feto? perguntei.
149



- Sim,  uma permuta de sentimentos. Assim como Marina
atua na formao do corpo fsico de Fabrcio, ele tambm atua
no dela e a doena de Marina  proveniente da hepatite de Fabrcio,
 que foi impressa na mente de Marina. No s os corpos
esto ligados; as mentes de ambos tambm.
A partir desse instante, Isis iniciou a disperso mental, para
aliviar a doena de Marina. Eu prestava muita ateno ao quadro
 clnico, quando foi projetada, sobre a mente de Fabrcio, a
cura da doena que motivou o seu desencarne: a hepatite.
Os pais de Marina, j gostando do neto, tudo faziam pela
recuperao da filha. Tanto que, mesmo sendo orgulhosos, e um
tanto inconformados de a filha casar-se grvida, agora s queriam
 a sade de Marina.
Testemunhamos a cura de uma doena espiritual. A hepatite
 de Marina era, na verdade, a projeo da mente de Fabrcio.
E o mdico do mundo fsico estudou muitas horas o fenmeno
vivido pela paciente Marina que, de uma hora para outra, ficou
curada, no encontrando explicao para o "milagre".
Pude, ento, perceber por que muitas mulheres mudam tanto
 no perodo da gravidez.  como se elas adquirissem uma dupla
 personalidade. E feliz da mulher que abrigar em seu ventre
uma criana portadora de bons sentimentos!
Ficamos mais uns dias observando o caso e Presenciamos
a alegria de Marina  espera do filho. Rogrio desejou casar-se,
mas os pais fizeram ver-lhe que o importante em um relacionamento
  o amor e o respeito. Forar dois jovens a iniciar uma
vida a dois somente para prestar contas  sociedade  ser mais
hipcrita do que essa sociedade, que cobra santidade, quando
assiste com indiferena aos mais baixos atos de maldade, como
150



seqestros, assassinatos, explorao de menores, prostituio,
aborto, criana abandonada, velhos carentes de amor, corrupo.
Aqueles pais eram gente com "G" maisculo, respeitadores da sagrada
 famlia aqui na terra. com pais como esses, Marina e Rogrio
um dia iriam ter um lar alicerado no amor e no respeito, como
foram criados. Muitas vezes os pais obrigam as crianas a se casar,
quando elas, de h muito, "mantm" o casamento.
Samos daquela casa, desejando que Fabrcio fosse um bom
filho e Marina, uma digna me.
- sis, j falei sobre as gestantes que enjoam em outro
livro meu. Queria que voc nos elucidasse a respeito desse desconforto
 orgnico.
sis, sorrindo, respondeu:
- Isso ocorre possivelmente de um desequilbrio espiritual.
 Quando me e filho esto vivendo em sintonia, isso no
acontece. Mas se o filho no desejar comer mamo, por exemplo,
 e a me sim, a vem o enjo.  mais um fator mental. Os
dois precisam viver em harmonia. Se o esprito do reencarnante
jogar emanaes desequilibradas sobre o organismo materno,
este, ao absorv-lo, se desequilibra e vm as nuseas. A mulher
que no enjoa, ou tem um domnio maior sobre o reencarnante
ou vivem os dois num mar de harmonia; mesmo quando o
reencarnante deseja comer jil, que ela detesta, ela come para
que o filho se sinta feliz e vice-versa. Um completa o outro.
Conheci um caso em que os dois no combinavam quanto 
alimentao mas, mesmo assim, a gravidez foi tranqila, os dois
eram espritos amigos.
- Complicado, no, sis?
- Luiz, para tudo se faz curso, para ter um filho, no.
Muitas mulheres recebem um filho sem preparo algum. S na
151



espiritualidade existe essa preocupao. As casas religiosas e as
autoridades deveriam tomar rotineiros os cursos para casamento
 e recebimento de filhos, quando o jovem e a jovem completassem
 idade para isso.
- Por qu, Isis?
-Simplesmente, porque esto brincando com o casamento
 e com a maternidade. O que mais se v, hoje em dia,  casamento
 desfeito e criana abandonada, mesmo em casas confortveis.
 Muitos pais no querem sacrificar-se pelos filhos e mais
tarde colhero lgrimas e desespero. Fico muito triste quando
vejo bebs mal cuidados. Como sofrem pelas fraldas sujas e
molhadas, pela preguia dos pais! No esterilizando os utenslios
 do beb, sucedem-se as diarrias que levam  desidratao;
os bebs so entregues a serviais sem preparo, porque as mes
desejam viver comodamente e nada fazem pelo bem dos filhos.
As assaduras so constantes, porque as mes no sabem que
tm de lavar os rgos genitais aps a urina e a defecao. As
sopas das crianas so compradas em supermercados ou mal
feitas, sem o mnimo capricho, porque perfeio  tempo e muitas
 mulheres no tm tempo para os filhos. As crianas sofrem e
ns junto a elas.
- Pode dizer-nos, sis, o que torna uma criana feliz?
- Vou dizer, contrariamente, o que faz um filho infeliz e o
leva  marginalidade: faa-o sentir-se rejeitado, inferior e desprezado;
 bata em seu filho a qualquer momento, mostrando que
voc  o chefe; no mantenha disciplina; no lhe d ocupao;
minta para ele; briguem, pai e me, diante do filho; critique o
vizinho, os sogros, os amigos; v contra o professor por tentar
educar seu filho; deixe-o  frente da televiso, diante de filmes
violentos e com cenas de sexo; deixe-o longe da religio; no
152



procure saber quem so os amigos do seu filho; deixe-o ficar na
rua at altas horas da noite; consinta que trate mal os empregados;
 furte alguma coisa diante dele; seja spero com as pessoas;
no d amor e compreenso ao seu filho; no o leve a passeios,
ao cinema, ao teatro, aos concertos, no o ensine a amar a msica
 e a Natureza. Presenteie-o com brinquedos violentos, mande-o
 revidar as ofensas e quando brigar, aplauda-o, principalmente
 quando bater nos amigos; diga-lhe que precisa pisar nos
outros para vencer na vida; no o apresente ao Cristo; deixe-o
fazer o que deseja, mesmo ferindo os outros; xingue-o com palavres;
 seja avaro com o alimento que ele come; cobre dele
tudo o que voc faz ou fez por ele, enfim, Luiz, tudo isso leva
uma criana  marginalidade. A, coitada, os pais falharam na
sua educao!
- sis, voc luta pelo direito da criana, no  mesmo?
- Lutamos pela felicidade do ser e ningum pode ser feliz
 ao lado da marginalidade. A criana mal-educada hoje ser o
desajustado de amanh. Precisamos criar cursos em colgios,
faculdades, Centros Espritas, centros comunitrios e outras entidades
 sobre o casamento e a criao de filhos, porque se continuarmos
 assim como estamos o mundo vai chorar mais ainda do
que est chorando agora.
153



Captulo XVIII
A SPLICA DOS ABORTADOS
Aps breve pausa, continuei a conversa com doutora sis:
- Desculpe-me, mas  certo forar os filhos a adotar uma
religio?
- Forar, no. Entretanto, est constatado que os delinqentes
 vieram de lares sem o Cristo. A famlia tem de dar ao filho exemplos
 cristos. De nada adianta obrig-los a ir  missa, aos cultos, s
reunies espritas, se em casa falamos palavres, tratamos mal os
serviais, no gostamos dos sogros, somos avaros, enfim, vivemos
longe dos ensinamentos cristos. A famlia tem por obrigao colocar
 no corao das crianas os reais valores da vida. Um casal que
no lesa a sociedade e respeita as leis dificilmente ter um filho
delinqente. Pequenas mentiras maternas deixam marcas terrveis
na personalidade de uma criana. Somente os nobres exemplos familiares
 podero cultivar nos filhos os valores morais que levam o
homem  vitria.  obrigao dos pais ajudar os filhos a desenvolver
 um carter elevado e nobre, que permanecer para a vida eterna.
Por isso, Luiz Srgio, poucos possuem a coragem de educar um
filho, achando mais fcil interromper uma vida, buscando o aborto
como soluo.
- Como pediatra, a irm deve presenciar tristes casos,
no  verdade?
155



- Sim, meu amigo. Por isso estou-lhe dizendo que so de
grande proveito cursos preparatrios para o casamento e para o
recebimento de um filho.
- Por que as Casas Espritas no iniciam tais cursos? No
deixa de ser um tipo de evangelizao.
- Tem razo. Esperamos que parta da Casa Esprita esse
trabalho to til  felicidade do ser humano.
Interrompemos a conversa, porque fomos chamados por
Antnia, que no departamento dezesseis nos aguardava. Para l
nos dirigimos e qual no foi a nossa surpresa quando reencontramos
 os que, junto a outros mdicos, prestavam auxlio a Llis,
que me pareceu adormecida.
- O que aconteceu? Ela est doente? perguntei ao doutor Zeus.
- Sim. Ao decidir desligar o abortado de sua me, Llis
sofreu um choque.
- Choque? Ento por que fez isso? Imaginei que ela tivesse
 conhecimento desse mtodo socorrista...
- E tem. Llis juntou-se a ns para efetuar tal trabalho.
Confesso que no entendi, mas me calei. Llis ressonava
e, com espanto, percebemos que o abortado ainda estava ligado
a ela; o feto abrigava-se no ventre de Llis em busca de proteo.
 A, os mdicos iniciaram a separao, aplicando passes em
Llis e em Yves, o abortado. Ele adormeceu e foi sendo afastado
carinhosamente. Era uma operao de amor, no uma cesariana.
Yves foi retirado de Llis. Ele, que estivera no ventre de Isabelle
durante trs meses, tinha uns oito centmetros e pesava menos
de meio quilo, isto , quando ligado ao fsico.
Foi projetado um filme sobre o aborto de Yves e percebemos
 que ele ja estava engordando, e um dos trabalhos dos mdicos
156



foi apagar esta programao da mente de Yves. Na reduo
perispiritual  feita uma preparao para o esprito, que fica gravada
 na sua casa mental, principalmente a hora do parto. No
momento do aborto, quando a mulher inicia as contraes, a
mente do reencarnante julga que est na hora de buscar as membranas
 que rodeiam o colo do tero materno, atravs do qual ele
ter de passar, e tenta ganhar o espao existente, da plvis da
me. Quando ele transpe as frgeis membranas, percebe que
ainda no possui foras para vencer todos os obstculos e se
desespera, gritando por socorro. Enquanto isso, o colo do tero
se encurta e se dilata, porque  forado e, no, natural. Contrai-se
 mais fortemente o fundo do que o colo permite, de tal forma
que chega a maltratar o feto. Tudo isso leva o abortado ao desespero.
 Agora os mdicos espirituais tentavam apagar tais cenas
da tela mental de Yves.
Enquanto se trava uma luta imensa para ajudar um esprito
rejeitado, a mulher muitas vezes j est no segundo ou terceiro
aborto.
Senti por Llis um grande amor. Bendito o esprito que
trabalha unicamente para ajudar o seu prximo! Yves foi levado
para um departamento de recuperao e Llis ali ainda permaneceria
 algumas horas. Retiramo-nos.
Sa na frente do grupo. Queria respirar. Pensava: "um
aborteiro no imagina o que o espera no mundo espiritual". Ningum
 deve atrapalhar as programaes reencarnatrias, e o nascimento
 de uma criana , para a espiritualidade, um momento
de amor e respeito. ;
157



- Pobre Yves, quanta luta para renascer! Por quanto tempo  ainda ficar 
perturbado? pensei em voz alta.
- Esperamos que muito breve esteja apto a retornar, respondeu-me Kelly.
- Vocs vo mand-lo de volta quela casa de loucos?
- Luiz, Yves precisa de Isabelle e ela dele. Queira Deus
desta vez ela encontre um parceiro digno, que a ampare e ame.
'  Nada retruquei. Quando alcancei o jardim, um grupo de
abortados cantava esta cano:
"No me mate, no,
No me mate, no.
Preciso viver,
Preciso viver.
D-me sua mo,
Mezinha.
Por que no me querer?
Sou to pequeno...
Preciso tanto
Do seu ventre de mulher...
No me mate, no, ;
Deixe-me viver, ; ;
Sou um pedao do seu ser.
Tudo me parece noite,
No me faa sofrer.
Por que me quer maltratar?
S quero nascer
Venha me ajudar.
Estou cansado
De chamar o seu nome.
S quero ficar ao seu lado,



ezinha.
Minha estrela polar,
ilumine o meu cajado,
Na bondade do seu olhar.
No deixe ningum me matar,
Me abrigue em seu lar,
Mezinha."
Espritos deformados pelo aborto cantavam esta splica e
toda a nossa equipe deixou cair lgrimas de tristeza por um
mundo to materialista, que ainda mata sem piedade os sonhos
do prximo.
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Captulo XIX
REENCARNES PARA A RENOVAO DA TERRA
- Um aborteiro sequer imagina o mal que est fazendo ao
seu prximo e a si mesmo. Bastava lembrar que, se sua me o
tivesse abortado, no estaria vivendo a oportunidade da
encarnao.
Alosio, ao falar estas palavras, pareceu-me bastante triste.
 Toquei em seu ombro:
- Querido irmo, no esqueamos que todos ns teremos
de prestar contas dos nossos atos e a um aborteiro muito ser
cobrado, principalmente se ele um dia jurou perante Deus 
defender
 a vida. Mas at l ele causar muitas dores.
Enquanto conversvamos, Misael informou-nos que iramos
 a outra colnia reencarnacionista. Nem sei o que senti, mas
se isso ocorresse antes eu iria gritar de alegria; mas no momento
sentia-me muito preocupado com o rumo que os seres encarnados
 esto dando  prpria vida.
No demoramos a chegar. A Colnia era muito bonita, florida,
 clara, muito luminosa mesmo. Fomos levados ao departamento
 onde Antero e Anita nos aguardavam. Muito gentis, levaram-nos
 at o auditrio, que j se encontrava quase lotado. Uma
melodia lindssima imantava o ambiente.
161



Fizemos uma prece e no palco um irmo iniciou a palestra:
- Deus seja louvado, irmos. Feliz do homem digno que
 chamado filho do Senhor, Bondade suprema que nos criou
simples e inocentes e ainda nos ofertou a liberdade, liberdade
esta que ainda no sabemos desfrutar sem cometer injustias, e
uma das mais terrveis  o assassinato. O homem participa das
coisas de Deus, mas no  Deus, por ser Ele uno, indivisvel,
eternamente justo, fora e luz do Universo. Mas, como filho de
Deus, precisa buscar a Sua semelhana e isso s ocorre com a
perfeio, que se distanela do homem rude, mau, egosta, avaro
e orgulhoso. Todavia Deus cr em ns, por isso manda os Seus
mensageiros nos ensinarem o Caminho, a Verdade e a Vida. O
maior deles foi o nosso irmo Jesus. Quantos ensinamentos!..,
contudo ainda no os assimilamos. Vivemos atrs de fenmenos
 e gurus, quando o Filho de Deus, que Se fez homem, ensinou-nos
 o amor duplo. Mesmo assim ainda falhamos, ainda ignoramos
 o Evangelho divino e os erros se acumulam em nossas
fichas crmicas. Dentre as maiores violncias contra a lei de
Deus est o assassinato, e o mais frio e o mais covarde tem o
nome de aborto, visto que o renascimento na matria  de vital
importncia para o rpido crescimento espiritual. Em razo de
ser o corpo de carne um dos mais valorosos vnculos no caminho
 longo da evoluo, a encarnao  valiosa ddiva aos espritos
 aflitos e desesperados. Eles necessitam da escola fsica e
buscam o corpo material para resgatar suas faltas pregressas.
- Preocupados - continuou - com as rejeies que vm
ocorrendo em relao  gravidez, o Plano mais Alto buscou um
meio de amenizar a violnciapraticada contra esses espritos
que precisam de um corpo carnal. Portanto, hoje, no ano de 1989,
no se concebe que uma mulher engravide quando no deseja, a
no ser quando estuprada. Vrios mtodos de limitao de filhos
162



 foram descobertos. A cincia deu  mulher meios de evitar
a gravidez. Uns alegam razes econmicas, outros, deficincias
educativas ou doenas fsicas. Muito justo. Deus conhece a limitao
 dos Seus filhos. Porm, diante de tantos mtodos anticoncepcionais,
 como admitir a mulher engravidar, para depois
recusar a criana, buscando solues violentas para interromper
uma gravidez? No compreendemos essas atitudes, principalmente
 partindo das mes, mulheres escolhidas por Deus para
serem o vnculo desse transporte abenoado, pois graas a ele a
Terra se renova. Aniquilar a mulher  como matar as sementes,
dificultar o florescimento da Terra, quando sabemos que no plano
 espiritual existem espritos que necessitam reencarnar com
certa urgncia, espritos por demais carentes de um corpo fsico.
'- Quo selvagem e indigno  aquele que, sem piedade,
diz no a um desses irmos! O homem precisa conscientizar-se
de que a sua vida fsica  transitria, que logo estar na ptria
espiritual e ter de colocar a sua conscincia no altar de Deus e
bem-aventurado ser ele, se ela estiver em paz. Que os casais
busquem os mtodos de limitao de filhos, mas que, urgentemente,
 cesse o fogo ardente e injusto do aborto. O homem en-,
carnado precisa saber que, ao consentir no aborto, est plantando
 um campo de dor e desespero, seja no plano fsico, seja no
mundo espiritual. Muitos espritos conseguem ter assistncia,
mas existe tambm o Vale do Aborto, onde organizaes das
trevas manipulam esses espritos revoltados. Dominados pelo
dio, acercam-se dos pais que os repudiaram no plano fsico,
que os eliminaram dos lares terrenos, para tortur-los, seja quando
encarnados, seja quando desencarnados. As mulheres, principalmente,
 que expulsam atravs do aborto um filho, ignoram o
pavoroso inferno de sofrimento que as espera quando, aps a
desencarnao, esses espritos aos quais negaram um corpo vm
163



cobrar-lhes o prometido. Essas organizaes contam com a participao
 de mentes ligadas a perverses sexuais. Elas so cruis;
 espritos tenebrosos acercam-se das mulheres, provocando
dolorosas enfermidades. Muitas vezes alguns se arrependem e
buscam os ncleos reencarnatrios para voltar a esses lares, onde
foram rejeitados, em condies desumanas: deformados e retardados
 mentais. Por que muitos casais hoje matam? Porque dizem
 que no est na poca de receberem esses filhos. Mas quando
acham que j  tempo, a semente se encontra deformada.
'- Prestem ateno: em certos casos, o esprito pode levar
 anos a fio para conseguir reencarnar, mas quando isso ocorrer,
 os pais podero ter filhos problemticos. Sero sementes
que plantaram nesta ou em encarnaes passadas e que tero de
v-las germinar. O sexo no  divertimento,  compromisso, e
queira Deus todos adquiram conscincia desse fato. O aborto 
o mais covarde crime que hoje se pratica no mundo fsico e,
com pesar, sabemos que aumenta a cada instante. Precisamos
alertar toda a Humanidade que ela est na Terra para exaltar a
lei do amor e ningum merece mais ser amado do que aquele
que implora um corpo de carne para cumprir suas tarefas
reencarnatrias. Vamos, meus amigos, ajudar uns aos outros!
A platia, esttica, ouviu o irmo Lucindo. Ele se retirou e
ns ali ainda ficamos, pensativos, sobre tudo o que ouvimos.
164



Captulo XX
No ASTRAL INFERIOR
O VALE DA REVOLTA
- Srgio, agora vamos dar uma chegada ao Vale da Revolta,
 convidou-nos Isis.
Agradeci e a acompanhei em silncio. Juntamo-nos aos
outros e ganhamos estrada.  medida que nos aproximvamos
do Vale, a vibrao ia caindo. Era sufocante. Andvamos com
dificuldade. Uma neblina enfeava a paisagem. O rudo do vento
pareceu-me propcio para abafar os gritos estridentes.  certa
altura, dentro da neblina, apareceu um ponto luminoso. Destacou-se,
 ento, uma pequena cabana, onde frei Quirino nos aguardava.
 Ele e outros espritos eram os guardies do lugar. A pequena
 casa, toda iluminada, era como uma estrelinha em noite
tormentosa. Ficamos por algumas horas e nos retiramos com
suas bnos de paz.
- Os trevosos no os molestam? indaguei a Kelly.
- No, ao contrrio, respeitam-nos. Muitos, cansados de
sofrer, aqui vm pedir ajuda. Esta casa  um pequeno hospital.
Andamos ainda mais um pouco, enfrentando uma atmosfera
 asfixiante. De longe avistamos o Vale. Casas corrodas pelo
tempo e praas sem jardins davam a impresso de uma cidade
fantasma ou bombardeada.
165



Chegamos a passos lentos e s ento compreendi por que
na casa de frei Quirino recebemos um tratamento de luz, que
revestia os nossos perispritos de uma matria grosseira, capaz
de nos proteger na tarefa que amos desempenhar. At os outros
companheiros me pareceram estranhos.
Entramos na cidade, ou melhor, na vila. Pelas ruas encontramos
 mulheres correndo como loucas, com os cabelos em desalinho.
 Estavam grvidas e vamos o feto como se galopasse
dentro dos seus ventres. O mau cheiro era terrvel e o nosso
caminhar, muito penoso. Era como se estivssemos atolados na
lama. Aquela cidade parecia gelatinosa.
- Como surgiu este lugar? indaguei. No creio que tenha
sido obra de Deus!
- Claro que no. Esta cidade  composta de emanaes
inferiores, portanto, de acordo com os espritos culposos que
aqui se encontram. Saiba, Srgio, que eles no foram trazidos
para c e, sim, atrados pela vibrao perispiritual de cada um.
"Que lugar tenebroso", pensei. Encontramos um senhor
de seus quarenta anos, com o perisprito todo deformado. Mais
parecia um cabide de espritos, tamanha a quantidade de irmos
que nele se grudaram. Completamente dementado, gritava:
- Eu sou o doutor ..., deixem-me em paz, seus vampiros sujos!
Assim era aquela vila: morada de mentes perturbadas, cujos
perispritos eram compostos de toxinas, formando uma crosta
cida e viscosa, que os alucinava. Passvamos por eles, mas no
ramos percebidos.
Nossa equipe orava em silncio. Quando pude falar, perguntei:
166



- Este vale  composto s de aborteiros? >'
- Sim, e de algumas mulheres e homens que, sem piedade,
 abusaram do direito de possuir um corpo fsico.
- Mas  terrvel este lugar! Igual a este s o Vale dos
Suicidas.
- Tem razo, Srgio, so os mais tenebrosos lugares do
astral inferior, decorrentes dos crimes contra a vida. Os aborteiros
so os piores inimigos da vida, cruis exterminadores dos sonhos
 daqueles que aspiram a reencarnar.
Calei-me. Meu corao sofria ao presenciar o horror em
que vive um aborteiro no mundo espiritual. Bem perto de ns,
debatia-se, envolto por dez espritos obsessores, um aborteiro,
que chamarei de Clio. Tentamos ajud-lo, mas sua forma, que
no podemos dizer humana, tal a deformao perispiritual, toda
gelatinosa, arrastava-se pelo solo negro e viscoso, movendo-se
com dificuldade, ainda mais por carregar junto a si seus verdugos,
 tambm muitos deles ainda na forma fetal, no ponto da
interrupo da gravidez. Em Clio s havia a fisionomia sofredora,
 o resto do seu corpo no mais possua forma humana. Destacava-se
 nele o semblante sofredor. Mais parecia um verme,
lutando para se livrar dos seus verdugos, que lhe sugavam sem
piedade. Clio me pareceu um enorme feto, tendo a cabea humana
 deformada, e, colado nele, as suas vtimas. Assim como
Clio, ali estavam vrios outros aborteiros que contriburam no
s para retardar o plano de Deus para a reencarnao, como tambm
 prejudicaram seus prprios corpos.
- Quem diria que o grande e famoso mdico do passado
hoje  uma massa gelatinosa de emanaes repugnantes! O seu
perisprito deformado  to indefeso quanto ontem eram as suas
vtimas! - murmurei, perplexo.
167



Assim, fomos varando aquelas ruas, onde os seres se arrastavam
 no solo escuro e escorregadio, muitos ainda levando
as suas vtimas que no os perdoavam. Olhei para o solo e dei
graas a Deus por volitar. Nossos ps no tocavam aquela massa
 infecta do astral inferior. Perguntei a Misael:
- E aquelas mulheres? No esto deformadas...
- Elas tambm foram vtimas, mesmo assim esto sofrendo
 muito.
"Que lugar estranho, muito estranho. Aqui  pior que o
inferno", pensei.
- Eles sero socorridos?
- Quando se reequilibrarem mentalmente. S eles mesmos
 podero nutrir positivamente os seus perispritos. No se
esquea de que a aura espiritual  que capta a luz do mais alto e
uma mente ligada ao dio no se alimenta de luz, e sim de vibraes
 baixas.  como se suas rodas energticas estivessem queimadas,
 pois eles apenas se alimentam da violnciado astral inferior.
 O perisprito vai ficando necrosado pelo desequilbrio do
esprito e a veste, que nos espritos bons  luminosa, nesses verdugos
  cida, viscosa e informe.
Enquanto conversvamos, uma ave horrvel passou sobre
ns, em vo rasante.
- Que bicho  esse?!... perguntei, assustado.
Zeus respondeu:
- So as aves das zonas inferiores.
- Perdoe-me a pergunta, mas nessa ave existe um esprito
em evoluo, como notamos nas vrias espcies dos reinos da
Natureza?
168



-   De Misael veio a resposta:
- No, no existe. Deus seria injusto se colocasse uma
centelha de luz num ser to horripilante.
- Mas elas so aves...
- Essas aves foram criadas pelas mentes humanas e tm
vida curta. Elas so formas-pensamento, mas que prestam um
real servio a estes espritos, pois so elas que, para sobreviverem,
 necessitam absorver as sujeiras dos seus perispritos. Estas
toxinas que causam dores e dificultam os seus movimentos alimentam
 estas aves, como outras mais. Como v, elas, mesmo
possuindo forma horrvel, so teis a este vale.
- Meu Deus, quanto sofrimento! At parece o inferno.
- O inferno no existe. Aqui eles recebem auxlio, pois
no h penas eternas.
- Irmo, quanto tempo demoram neste sofrimento?
- S o tempo de drenar os fluidos negativos que se aderiram
 ao perisprito.
- E os nossos tcnicos no podem fazer isso para aliviar
o sofrimento deles?
-No. Os tcnicos s podem ajud-los na hora certa, quando
 eles merecem.
- Coitados! E quando isso ocorrer?
- Luiz, Deus  bom, tanto  que eles, os gananciosos,
cruis verdugos de anjos, recebem auxlio do Pai, neste vale.
Por isso, Srgio, estamos aqui, para tentar levar alguns para os
hospitais.
Fiquei meio sem jeito!
169



- Tem razo, Deus no desampara Seus filhos, ns  que
ainda no entendemos Seus desgnios. Notei amigo, que uns esto
piores que outros.
- Muitos chegam a um pior aspecto de deformao por
praticar maior nmero de abortos. Clio chegou a fazer cinqenta
 por dia.
- Qu? Cinqenta?  matar demais!
* Nisso, avistamos Leocdio. Era uma larva humana e junto
a ele vrios rostos deformados. Leocdio xingava demais. Era
bem visvel em sua fisionomia as torturas que sofrer, mas mesmo
 assim no parava de esbravejar:
- Se preciso for, voltarei a mat-los, a todos, seus fetos
imundos! Deixem-me em paz, estou cansado de t-los junto a
mim!
sis, aproximando-se de Leocdio, foi chamando pelo nome
um por um dos abortados e eles foram desprendendo-se da massa
 gelatinosa, como quando se joga inseticida numa planta e
caem os parasitas. Assim tambm foram caindo sobre o aparelho
 que sis tinha nas mos. Ela conseguiu retirar de Leocdio
uns vinte espritos, que fez adormecer com amor. Leocdio, com
voz orgulhosa, falou:
- Obrigado, colega. Agora, ajude-me a voltar a ter um corpo
humano. No sei por que Deus permitiu que esses fetos imundos
me atormentassem tanto. S fiz o que os pais me pediram, nada
mais. Sou um profissional, montei uma das melhores clnicas
abortivas, na Grande So Paulo, dando todo conforto  gestante.
No acha mais nobre tirarmos as mulheres das mos das curiosas
aborteiras? Na clnica, a mulher recebe toda assistncia, o que no
acontece em casas de curiosas. Agora, no sei por qu, vejo-me
junto a esses fetos malcheirosos. Eu, o doutor Leocdio, eminente
 mdico brasileiro...
170



 - Irmo, como mdicos, temos por dever lutar pela vida e
o irmo, quando escolheu a sua profisso de mdico, bem sabia
que teria de consagrar o seu trabalho  sade e ao prolongamento
 da vida fsica de seus pacientes. Interromper uma gravidez 
extinguir vida humana em sua fase embrionria,  tolher o plano
divino, que prepara as almas para cumprir sua etapa no mundo
fsico.
- Pensei que fosse mdica, mas pelo visto  mais uma
fantica religiosa.
- Engana-se, irmo, sou uma filha de Deus que se esfora
 para servir a todos os que de mim precisam.
- Deixemos de conversa e me ajude. Quero s a forma
humana.
- Sobre isso nada posso fazer, o seu corpo est deformado
 pelo dio no seu corao, e ele  o seu cirurgio plstico. Por
enquanto, o irmo no tem condio de moldar um novo corpo
humano. At l, ser prisioneiro dessas terrveis deformaes
perispirituais. No ser Deus, nem seremos ns, os mdicos
mensageiros, que iremos livrar-lhe dessas leses perispirituais.
O seu corpo verdadeiro, o criado por Deus, est latente dentro
dessas deformaes. S depende do seu corao ressuscit-lo.
- Mas eu no suporto mais este sofrimento...
- A quantos espritos o irmo negou um corpo? Por isso
hoje o seu  esta massa gelatinosa, composta de fluidos repugnantes.
 Se ficar livre do orgulho, os fluidos divinos logo o envolvero.

sis afastou-se, levando consigo os espritos que antes atormentavam
 Leocdio para que frei Quirino pudesse ajud-los at
171



a chegada de socorro. Assim, muitos espritos foram separados
dos seus algozes, mas nem por isso se sentiram reconfortados.
Pensei que iramos voltar, mas o grupo adentrou um ptio tambm
 de feio aspecto. Fomos recebidos por Coral, uma estranha
mulher que ali prestava auxlio. No era esprito evoludo, mas
se propusera a ajudar os outros. Recebeu-nos com respeito. Os
seus auxiliares eram todos mulheres que passaram por aquele
vale composto de aborteiros e mes assassinas. Coral nos contou
 sua vida: fora enfermeira e, por dinheiro, praticara abortos.
Quando desencarnou foi para o vale, onde conheceu a verdadeira
 dor. Ao se ver livre de algumas aderncias espirituais, se props
a ajudar os outros e dali no mais saiu. Ela, com sua equipe, prestava
 auxlio e, quando os sofrimentos aumentavam, pedia socorro.
Por isso ali estvamos. Coral caminhava com dificuldade e falava
com a lngua enrolada, mesmo assim j estava trabalhando para
Deus. Levou-nos a um pavilho, onde vrios espritos, completamente
 deformados, gritavam e brigavam entre si.
Zeus, Misael e Kelly prestavam auxlio, retirando os fluidos
negativos daqueles perispritos sem forma. Para se aproximarem
daqueles aborteiros, os nossos mdicos se revestiram de um jaleco
da cor violeta.  medida que eram cuidados, eles vomitavam sobre
os mdicos e estes, com carinho, iam-lhes aliviando os sofrimentos.
Ns, os no-mdicos, orvamos em silncio, juntamente
com Coral e seus auxiliares. ramos almas irmanadas, lutando
para caminhar na estrada estreita de Jesus.
Mais tarde, fomos convidados a nos retirar, ficando somente
 os mdicos. L fora, no pude deixar de olhar aqueles
seres disformes, quase que rolando no charco infecto. Aquele
local mais parecia um pntano da dor: nada de flores nem frutos
nem gua, s a dor e o desespero.
172



- Ser que aqui tudo  sempre assim, nublado e sem sol,
Hpila?
- Dizem que sim.
Nesse momento, passou por ns uma revoada de aves gigantescas,
 cujo rudo assustou os aborteiros. Levantei os olhos,
para melhor analis-las.
Um dos trabalhadores daquele vale esclareceu-nos:
- Elas recolhem os miasmas pesados; so os sanitaristas
deste lugar. Os habitantes daiqui no so portadores de bons fluidos,
 que fazem germinar as sementes e colorir os jardins de flores.
 Precisamos destas aves para a limpeza mental de toda a rea.
Acreditamos que um dia este vale ser transformado em uma
colnia de socorro.
- O que  preciso para que isso acontea? perguntei.
Logo veio a resposta:
- Que os encarnados se conscientizem de que ningum
pode retardar o plano de Deus.  necessrio abolir os abortos da
face da Terra. S assim no teremos os vales de sofrimento.
- Estarei, irmo, orando para que Deus nos ajude a incendiar
 com a chama do amor todos os lugares tenebrosos dos
mundos fsico e espiritual.
Abri as Escrituras e caiu Miquias, Cap. VI:
Caminho da Sahvao.
173


Captulo XXI        '
O RESGATE DE EUGNIA
Enquanto descansvamos um pouco, resolvemos ler o
Antigo Testamento, para acalmar o nosso esprito. E caiu Reis,
Captulo XXII, versculos 19-23, quando Miquias narra uma
viso que d a entender como Deus permitira ao diabo falar por
intermdio dos profetas.
Ficamos tecendo comentrios sobre o perigo de sermos
enganados e que isso somente acontece com as pessoas orgulhosas,
 desejosas de receber elogios. Um ser humilde jamais ser
vtima de espritos embusteiros.
Abri, novamente, por acaso, e caiu no Apocalipse, Captulo
 XXI, versculo 9: Esplendor e riqueza da cidade santa:
Vem e eu te mostrarei a noiva, a esposa do Cordeiro.
Pela descrio de Joo surgiu em meu pensamento a cidade
 de Braslia, apesar de as medidas serem simblicas. As maiores
 cidades do Oriente antigo eram quadradas, por exemplo:
Babilnia e Nnive. Quanto ao nome da pedra, jaspe, era para
nos dar uma plida idia da beleza da cidade prometida.
27: No entrar nela coisa alguma contaminada.
No Captulo XXII, versculo 15: , ?
175



Ficam fora os ces, os feiticeiros, os impuros, os homicidas,
 os idolatras e todos os que amam e praticam as
injustias.
Percebemos que da terra celeste sero afastados todos aqueles
 que de alguma forma tiverem agido contra a lei divina, para
os quais no haver prazeres ou gozo, mas sero lanados na
segunda morte; quer dizer que os espritos que da Terra sairo
exilados retroagiro na forma perispiritual, de acordo com a vibrao
 do planeta para onde sero levados, e sofrero a segunda
morte - a primeira morte  livrar-se do corpo fsico e a segunda,
 da forma humana do perisprito.
Chegou at ns o chamado para darmos outra incurso pela
cidade das trevas, a cidade dos aborteiros, dos espritos condenados
 pela prpria maldade de extinguir vidas humanas ainda
embrionrias.
Samos mais uma vez pela cidade, revendo aquele solo negro
e viscoso, onde seres rastejavam com seus corpos deformados, mais
parecendo larvas humanas. Senti-me meio tonto e segurei nos braos
 de sis, que me reconfortou. Fitei os irmos sofredores e,  medida
 que os olhava, dava-me a impresso de que aqueles espectros
lutavam para se livrar das deformaes, mas elas estavam vivas
demais naquelas conscincias. Esforavam-se, muitos deles, para
se locomover com desenvoltura. Ao perceberem nossa presena,
tapavam os rostos ou cuspiam, dizendo desaforos.
J havamos caminhado um longo percurso e eis que uma
mulher, segurando as pernas de Hpila, implorou por socorro:
- Ajude-me, no suporto mais viver aqui, tire esses vermes
 do meu corpo, almejo a liberdade. Nem sei o porqu de
aqui estar, junto a esses monstros! Fui, na terra, excelente 
profissional.
 Ajudei tantas pessoas...
176



Voltamos nossa ateno para aquele corpo perispiritual informe,
 tendo coladas nele suas vtimas. Ningum lhe dava ouvidos,
 quando, chorando, pediu:
- Pelo amor de Deus, tire-me daqui! Estou arrependida
de ter feito inmeros abortos. Mas eu no tinha religio alguma,
s valorizava as coisas materiais. Fui criada assim, sem Deus,
sem amor, sem humildade. Mas diga ao Cordeiro que j me arrependo
 do que fiz, quero ser salva. Tire-me daqui!
Enquanto pronunciava essas palavras, ela j estava me segurando,
 ou melhor, me afundando, porque, sentindo pena, desequilibrei-me.
 Logo os outros nos socorreram e Misael providenciou
 a maa onde Eugnia foi transportada, recebendo, antes,
 um passe magntico.
Fomos deixando para trs aquele vale de sofrimentos, onde
o odor ftido era a prova do apodrecimento mental da criatura
humana, lugar sombrio, bem apropriado para abrigar almas sem
amor e sem f. Conforme nos aproximvamos do porto, o lugar
 tomava-se mais turbulento, com animais ferozes e muitas
aves que o sobrevoavam com alarido, a nos ameaar. Silenciosamente,
 s orvamos. s vezes eu as procurava com o olhar;
queria compreender o porqu da existncia delas. Porm, aquela
 no era a hora propcia para perguntas. Aquele lugar pavoroso
 era o inferno to falado, s no possua o fogo eterno. Quando
 alcanamos o porto, despedimo-nos dos guardies daquele
lugar, espritos tambm culpados mas que, mesmo doentes, ajudavam
 a Espiritualidade Maior. Olhei-os com carinho, pedindo
a Deus pela salvao de todos.
Recitei o Salmo CIII, bem alto, em louvor quele lugar e
os guardies baixaram a cabea para me ouvir: , u
Bendize a minha alma,  Senhor.
177



Este Salmo  um hino ao Criador do Universo. Em sete quadros, conta as 
magnificncias da Criao. Cantei cada um
deles e quando terminei todos choravam, principalmente os guardas
 daquele lugar. Dessa forma, deixamos para trs aquelas almas
 sofridas, encaminhando-nos de volta  casa de frei Quirino.
Depois do que vimos, ali pareceu-nos o cu; a paz era o
perfume do lugar. Sorridente, frei Quirino logo providenciou
socorro  mulher que trouxramos. Aquela casa, que  primeira
vista mostrava-se pequena, agora percebia possuir uma confortvel
 enfermaria, onde Eugnia logo foi atendida. Primeiro tomou
 um bom banho, depois uma saborosa sopa. Reencontramo-la
 dois dias depois, j livre dos outros espritos, os quais um dia
havia impedido de retornar  carne. Perguntei ao auxiliar de
Quirino:
- Vocs conseguiram livr-la dos verdugos?
- Coitadinhos, eram to sofridos que nem tivemos dificuldade
 em separ-los!
- E onde esto?
- J foram levados para os departamentos apropriados
para esses casos.
- Onde ficam esses departamentos?
      - Na Universidade Maria de Nazar, mas aqui existe hospital
 que tambm presta auxlio a esses casos. 
Ao nos aproximarmos de Eugnia, ela dormia tranqilamente,
 porm, para surpresa minha, seu corpo ainda estava deformado.
 Livre dos verdugos, sua deformao apresentava-se
mais terrvel. Seus olhos pareciam os de uma caveira. Aproximei-me,
 vendo que despertava:
178



- Como vai, Eugnia?
- Estou tima - disse friamente.
Depois, arrependendo-se, falou-me:
- Ah, foi voc o moo que me ajudou?
- Eu, no - respondi. Quem a ajudou foram os mdicos
do nosso grupo.
- Engana-se, Srgio, falou Kelly, Eugnia tem razo.
Quando ela o tocou, seu corao a cobriu de bnos e s assim
ela teve condio de ser salva.
- Mas eu, logo eu?
- Sim. Os seus leitores o cobrem de fluidos bons e voc,
carinhosamente, reparte-os com os outros.
Meio sem graa, alisei as mos deformadas de Eugnia e
lhe beijei o rosto que, ao contato dos meus lbios, deu a impresso
 de um bloco gelatinoso, muito gelado. Retirei-me, mas os
mdicos ainda permaneceram junto  doente. Ao passar por outra
 enfermaria, vi outros seres repousando. Ao perceber que eu
os observava, irmo Quirino me falou:
- Todos voltaro um dia a possuir a perfeio da veste
nupcial. At l, tero de sofrer o ranger de dentes.
Acompanhei-o at o jardim interno onde, sabendo de minha
 admirao por orqudeas, presenteou-me com uma branca.
Beijei sua mo amiga, dizendo-lhe:
- Irmo, eu amo voc!
Sorriu e se afastou. Fiquei esperando os outros, que no
demoraram a chegar. Ainda conhecemos outra ala da pequena
casa de frei Quirino, a ala da prece, onde bondosas almas protegiam,
 atravs da orao, os espritos sofredores ali socorridos.
179



Quando terminamos, perguntei a Jos, um dos companheiros de
frei Quirino:
- Os senhores no so molestados pelos trevosos?
- Graas a Jesus, nunca o fomos. Vivemos aqui h muito
tempo e ningum nos vem assustar.
- Os senhores sempre vo ao Vale? !
- s vezes, quando algum grita por socorro.
!    -E ns, por que fomos l agora?
Quem me respondeu foi Alosio:
- Srgio, fui eu quem pediu ajuda para Eugnia, ela 
minha me.
- Sua me?
- Sim, Srgio. Apesar de tudo, ela foi uma me razovel.
-  mesmo, Alosio? ,
Kelly nos interrompeu, comunicando:
- Vamos partir, a terra nos espera.
- Irm, eu s gostaria de saber por que l no vale existem
tantas rvores feias e bichos peonhentos.
- Graas a eles, naquele lugar ainda se respira. Eles so
os filtros das emanaes ruins que partem das mentes humanas
e de todos os habitantes daquele lugar. Eles trituram os lixos
mentais da Humanidade.
- Sabe que estou surpreso com esses animais?
- Por qu? Nessas aves do umbral inferior no existe esprito
 em evoluo. Elas foram criados pelas imperfeies do
homem.
180



- Quer dizer que a mente perturbada cria e alimenta seres
monstruosos?
- No  bem assim, Srgio.
- Mas que o plano inferior vive das vibraes baixas dos
encarnados, isso vive.
- Sim, os motis, por exemplo, possuem uma aura vermelha
 que, imantada pela luxria da perverso, fornece energia
aos espritos que ainda desejam praticar sexo, mesmo j
desencarnados.  nesses lugares que eles buscam as foras sexuais
 l existentes, para suprir seus desejos desenfreados.
- Obrigado, amiga. At outro dia, irmos deste vale falei,
 fazendo continncia.
181


Captulo XXII
UM PONTO DE LUZ NAS TREVAS
Na sada, reencontramos frei Quirino que, muito gentil,
desejou-nos boa viagem. Os mdicos ficaram para trs, conversando
 mais um pouquinho com ele. Eu, Alosio e os outros fomos
 ganhando estrada. Logo depois Zeus, Kelly, Isis e Misael
juntaram-se a ns. No perguntei aonde iramos, mas tambm
no precisava, o ar ia ficando deletrio, denso e mrbido.
Aproximvamo-nos do umbral inferior. Se o solo era lodoso, o
cu era coberto de nuvens escuras, como se estivssemos envoltos
 por sombras tenebrosas. Hpila perguntou-me:
- Est com medo?
- Medo de qu, companheiro?
Ele nada mais falou, mas aos nossos ouvidos chegavam os
rudos mais estranhos. Eu no via a hora de avistar algum ser
humano, mas o cu ficava cada vez mais turbulento. Orava tanto
 a Deus que as lgrimas me faziam companhia. Nisso, um barulho
 terrvel, como se uma catstrofe fosse ocorrer, chegou aos
nossos ouvidos. Era como se um turbilho se aproximasse.
Detivemo-nos, protegidos pela orao. Um grupo passou por
ns em desabalada correria. Logo, outro atrs dele. Era uma briga
 entre bandos de trevosos. Os urros eram assustadores.
183



- Calma, muita calma, alertou Misael. Os irmozinhos   '
esto agitados, isto  comum entre eles. Aqui o dio toma conta
dos espritos.
Continuamos a caminhar at divisarmos aqueles seres endurecidos,
 que pareciam concentrados nas imediaes dos vales,
 sem um lar que os abrigasse, somente rvores e rochas. Pareciam
 mendigos, sem roupas decentes nem casas. Amintas pediu
 que parssemos e olhssemos o vale que se estendia  nossa
frente. Ningum pode calcular o horror desse lugar. Vrios espritos
 sendo maltratados, verdadeiros escravos dos mais fortes,
torturados mesmo.
,,       - Por que batem tanto nesses homens? perguntei a Amintas
 - Porque esto vingando-se daqueles que outrora abusando
 da autoridade, do poder do mando e tambm torturavam.
- E que mrito tm eles para se vingar assim?
- Nenhum, mas para mentes sem Deus a vingana  o
nico meio encontrado como um ajuste de contas, por isso
vampirizam suas vtimas.
- E o que estamos fazendo aqui? Nosso trabalho no 
com os aborteiros?
- Sim, mas isso no nos impede de prestar auxlio aos
necessitados.
Nisso, avistamos um esprito que fazia outro de cavalo.
Montado nele, chicoteava-o, dizendo:
- Anda ligeiro, seno eu te mato.
E o coitado, com as mos machucadas, ia correndo, de
quatro, enquanto o cavaleiro ria ruidosamente. Quando passaram
184



por ns, Hpila, com seu poder magntico, tirou-o de cima
da sua vtima e ele se desequilibrou, levando um tombinho. Como
esbravejou! Fiz tudo para conter o riso. Confesso que foi muito
engraado.
Aproveitando o descuido do algoz, Alosio retirou a vtima,
 que aqui chamarei de Tlio, e o resguardou junto a ns. O
homem, assustado, s implorava:
- Salva-me, mensageiro de Deus, salva-me! Nem sei por
que estou aqui, jamais o maltratei, somente cumpri a lei.
Ningum lhe dava ateno. Ele falava muito e s parou
quando Kelly lhe aplicou um passe.
O outro, ao se levantar do cho, gritava tanto, chamando a
guarda do lugar, que tivemos de nos abrigar mais uma vez na
prece. Quando percebemos, todo o vale estava em alerta. Diziam
 eles: - 
- Os Filhos de Deus esto aqui!
Mas se a guarda trevosa ficou atenta, por outro lado as
vtimas daqueles espritos tudo faziam para fugir e logo tnhamos,
 ao nosso redor, muitos deles, em estado desesperador.
Ainda ficamos mais algumas horas. O nosso grupo j abrigava
 uns quinze espritos sofredores. Pensava: "como vamos
sair daqui? Ser que algum de ns tem experincia com este
vale?" Amintas respondeu-me:
- Sempre trabalhei neste lugar. No estamos saindo da
rota de trabalho, este vale tambm est repleto de aborteiros.
Muitos deles defenderam o aborto ou criaram leis favorecendo-o.
 Eles so culpados pelo extermnio de vrias e vrias almas
que s pediam: "deixem-me viver, no me matem". Alm de
criarem as leis e as defenderem, executaram-nas sem piedade.
185



Hoje moram aqui, junto aos torturadores, aos exterminadores, 
enfim, queles que abusaram da autoridade.
O homem, quando encarnado, no imagina o que o espera
aps a separao corpo fsico-esprito e vai praticando atos selvagens.
 No seria mais fcil se todos os encarnados se tomassem
 espiritualizados? Cessariam as violncias e os homens no
sofreriam tanto nos umbrais.
No maior silncio, fomos andando  procura de um meio
de sairmos dali. O lugar ficava cada vez mais tenebroso e os
gritos, mais horrorosos. Os irmozinhos recebiam tratamento
especial e nos acompanhavam como se estivessem anestesiados,
amos vencendo os empecilhos: ora um pntano lodoso, outras
vezes insetos dos mais peonhentos. Quando j nos aproximvamos
 da porta do vale, que parecia imensa rocha, uma mulher
nos barrou os passos, dizendo:
- Tirem-me daqui, no suporto mais os torturadores!
com muita piedade, ia socorr-la, quando me seguraram
pelos braos.
- No faa isso, deixe para os encarregados do socorro!
Amintas aproximou-se, quando ela soltou estrondosa gargalhada,
 tentando abraar o socorrista, que foi envolvendo-a com
fluidos de amor. Ela os recebia como se fossem chicotadas. Gritava:

- Vo para o inferno, filhos do diabo! Deixem-nos em paz!
Amintas nos deu sinal para passarmos e s respirei aliviado
 quando ultrapassamos a gruta e nos vimos longe dali.
- Quem  ela? perguntei.
- E uma irmzinha que sempre defendeu o aborto, gritando
 para as mulheres o direito da defesa do seu corpo e de
186



dizer no  gravidez. Lder feminista, lutou pela liberao do
aborto em seu pas e hoje vive neste vale, ainda mais revoltada,
coberta de dio e maldade.
Assim, levamos alguns irmozinhos conosco; em fila indiana,
 nada falavam, mas tinham no olhar o desespero de uma
vida.
- Para onde iremos lev-los?
- Para o Hospital de Thrse - informou-me Kelly. ;"
Caminhamos ainda algumas horas at alcanarmos o abrigo,
 onde j nos aguardavam. O hospital, todo branquinho, era
um raio de luz que despontava na escurido da dor e do desespero.
 O Hospital de Thrse abriu suas portas para receber os
nossos doentes e irm Sofie nos alojou numa bela sala, florida e
perfumada, onde reequilibramos os nossos espritos. Os doentes
 foram levados para as enfermarias, onde primeiramente iriam
 receber uma boa limpeza. Ouvindo msica, procurei relaxar
e logo adormeci. Quando acordei, meio sem graa, Llis sorria-me:

- O que lhe aconteceu, Srgio?
Respondi:                                                                    
- Eu  que lhe pergunto: por onde voc andou?
Perguntas sem respostas. Eu no respondi  dela nem ela 
minha. Nesse momento, outra irm viera chamar-nos. Estvamos
 sendo esperados na sala de palestras. Irm Maria, uma bela
senhora, sorriu-nos, desejando boas-vindas. Ela resplandecia
carinho e amor. Emocionado, beijei sua mo e a olhei com imenso
respeito. Maria Jos convidou-nos  orao:
- Pai, generoso e bom, apiedai-Vos dos Vossos filhos imaturos
 e dai-lhes a oportunidade de ressarcir seus erros. No os
deixeis perdidos nas estradas escuras do dio. Clareai os seus
187



olhos para os campos do trabalho e dai-lhes coragem para plantar
 as sementes da humildade, do amor e do perdo. O sofrimento
 na Terra  imenso e ningum existe que no esteja colhendo o
fruto dos seus erros passados. Mas Vs sois o Pai bondoso e
tendes o poder de aliviar todos os sofrimentos. Confiantes, portanto,
 em Vosso amor, esperamos que, ao ouvirdes as nossas
preces, faais brotar nesses endurecidos coraes o desejo de
paz e que eles venham a praticar o bem, a fim de, mais facilmente,
 prosseguirem no caminho da evoluo. Precisamos de foras,
 alento e coragem para conseguir atingir o fim da jornada.
Tirai, Senhor, de ns, o vu que nos embaraa; purificai nossas
vidas para que sejamos dignos do Vosso amor, Pai amado. Assim
 seja.
Terminada a prece, irm Maria Jos levou-nos at a enfermaria,
 onde nem reconhecemos os antigos maltrapilhos. Quase
todos dormiam.
- Eles ficaro aqui? perguntei.
- No, meu irmozinho. Tero de seguir para o grande
Hospital de Maria, onde recebero cuidados especiais. Ns somos
 apenas uma pequena luz no caminho, aplicamos os primeiros
 socorros.
- A irm trabalha com muitos auxiliares?
- Trabalho com Sofie, Catherine, Magnlia, Paulina, doutor
 Murillo e doutor Jos Pithar.
- Que Deus os abenoe, irm querida.
Tivemos muitas elucidaes e irm Maria nos contou o
que se passa naquele vale. Eles tambm vo at l prestar auxlio.
 Quantos, no corpo fsico, julgam que quem desencarna descansa!...
 Esses espritos lutam pelos que sofrem, dando-nos valorosas
 lies de amor.
188



Irm Maria projetou para ns um filme sobre o socorro,
onde a equipe de Thrse prestava auxlio queles estranhos espritos.
 Nele vamos almas torturadas, debatendo-se em substncia
 viscosa. O lugar era impressionante. Um no se importava
com o outro, mas os anjos divinos tudo faziam para auxili-los.
A irm explicava-nos que naquele vale estavam confinados
muitos espritos esclarecidos intelectualmente, mas sem elevao
 moral. A "morte" no foi encarada como um fato normal,
para eles foi um golpe terrvel e fazem dos seus impulsos inferiores
 a razo de vida do lugar. Oferecem, uns para os outros, suas
energias desequilibradas e se tornam um bando de espritos sofridos.
 Naquele filme mostrado por irm Maria, divisamos os
lugares onde no nos foi possvel chegar.
- Quem so eles? perguntei.
Ela me respondeu:
- Aqueles que s levam vantagem quando no corpo fsico.

, meus irmos, o vale do sofrimento, composto de espritos
 esfarrapados, esquelticos, era uma dolorosa realidade. Irm
Sofie, aproximando-se de mim, disse:
- O homem tem tudo para ser feliz, mas nunca est contente
 com o que possui, mas depois, ter de colher o que plantou.

Terminado o filme, despedimo-nos daqueles irmos, levando
 no corao o amor de agradecimento a Deus, por Ele um
dia ter-nos criado.  lamentvel que o homem no reflita sobre
a vida e amontoe iniqidades na sua bagagem, trazendo para o
mundo espiritual uma rede de dio e egosmo que o mantm
prisioneiro nesses vales de sofrimento. Enquanto o homem no
se tornar bom, existiro esses lugares tenebrosos.
189



Volto a repetir, as Casas Espritas precisam conscientizarse
 da educao doutrinria. De nada adianta reerguermos templos
 e no curarmos almas. A Doutrina  a gua viva que d ao
homem encarnado o passaporte para a paz. Os Centros precisam
ressuscitar os mortos, dando a cada freqentador a certeza de
que s a caridade salva; que enquanto buscarmos as Casas Espritas
 e continuarmos presos aos bens materiais, longe estaremos
ainda de amarmos a Doutrina Esprita, que  o Cristo esperando
por ns. S existe obsesso porque o homem ainda no  bondoso.
 Se a Doutrina nos ressuscitar, seremos libertados e a liberdade
 se chama paz.
190



Captulo XXIII
COLNIA AZUL - CIDADE-E ESCOLA DOS
NASCIDOS MORTOS
No consigo ficar indiferente ao ver algum sofrendo. Presenciar
 as conseqncias do erro humano foi demais. Aquele
lugar mexera comigo. Pensava: "por que o ser no procura viver
bem, respeitando o espao do seu prximo? Seria tudo mais fcil."

- Mas as pessoas gostam de sofrer, falou Llis, novamente
 junto a ns.
Aproximando-me de Zeus, perguntei:
- Irmo, observei no Vale que, mesmo sendo portador de
pesadas vibraes, alguns espritos volitavam. Julgava eu que
s fosse possvel volitar os espritos bons.
- Luiz, a volio  conquista dos que desenvolveram o
poder mental, e mesmo aquele possuidor de fluidos pesados,
devido  sua baixa vibrao, pode volitar seja desenvolveu sua
potncia mental. Se o irmo prestou ateno, percebeu que
volitam com dificuldade, a imperfeio cortou suas asas. Mas
em um lugar onde muitos se arrastam,  uma glria dar um vo,
mesmo que rasante.
191



- Sabe, Zeus, eu ainda sinto dificuldade em volitar, gostaria
 que me desse uma aula para transmitir aos meus leitores.
-A volio se processa atravs da ao dinmica da vontade,
  ela que atua sobre a energia mental. Para isso, precisamos
 educar a mente. A disciplina fortalece a mente e esta,
energizada, pode alcanar os pontos desejados.
- Voc aconselha o homem a desenvolver sua fora mental?

- No no sentido do que estamos falando. De nada vale
ao esprito sua fora mental, se ela est desequilibrada. O bom
seria se o homem desenvolvesse a mente para o bem, a sim,
quando liberto do corpo fsico, transformar-se-ia em um pssaro
 livre e feliz.
- Notei que aqueles que ali volitam sentem-se como reis.
Zeus sorriu.
- Por isso  bom todos estudarem e desenvolverem o corao;
 s o amor d ao homem a paz. Se conhecer o seu metabolismo,
 o homem chegar ao ponto mximo de fortalecimento da
mente, que lhe vai ajudar muito ao libertar-se do corpo fsico.
Entretanto, fortalecer a mente para escravizar algum  como
cursar uma faculdade de Medicina e depois se tomar aborteiro.
No tem valor algum.
- Recordo-me sempre da dificuldade que tive em volitar
e hoje percebi que muitos dos trevosos volitam...
- , Luiz, eles volitam, mas no saem do lugar, so aves
de asas cortadas.
Nada mais falamos.
O vento soprava forte, quando Llis, com sua voz
aveludada, cantou esta cano:
192



Maria, Maria, Me amada,
No me deixes cair em tentao. :
; ,;        Quero ser digna de Ti,
Acolhe-me em Teu grande corao,
; Livra-me do egosmo, >
Da vaidade e da avareza. ; ;
Segura, Maria, minha mo
Leva-me pra longe da tristeza, <
Quero ficar ao lado de Jesus, irmo,
Maria, Maria.
Pareceu-me que todo o lugar se curvou, em respeito  Me
de Jesus.
 medida que Llis cantava, uma ondulao colorida nos
envolveu. Aprontei-me para orar por todos os que precisam.
Quando reabri os olhos, notei que uma nova Colnia despontava:
 era a Colnia Azul. Llis, intrigada com a minha indiferena,
 indagou:
- O que aconteceu, por que a tristeza?
--Nada, apenas me sinto cansado. Vou descansar um pouco.
Hpila intercedeu, dizendo:
-- Est bem, podes descansar, mas enquanto ficares descansando
 deixars de aprender.
Nada falei, porque j pedamos abrigo  Colnia e seus
portes floridos abriam-se para nos acolher. Descortinou-se aos
nossos olhos um jardim em flor, onde os miostis compunham,
junto s rosas, um buqu divino. A Colnia era pequena, mas
muito florida. Quem nos recebeu foi Carlito, levando-nos para a
ala nove, onde Francis nos esperava.
193



- Sejam bem-vindos  nossa Colnia. Espero que tenhamos
 elevao para bem acolh-los.
Examinava cada detalhe daquele belo lugar, curiosamente,
 sendo advertido por Alosio:
- Cuidado, muito cuidado, a curiosidade  um
desequilbrio mental.
- Desculpe,  que a gente vem de um lugar to triste, que
 difcil acreditar que aqui no umbral exista esse pedao de cu.
Francis conversou com os mdicos e pediu a Joaquina para
nos levar at o campo das violetas. Segui o grupo sem muito
entusiasmo, mas  proporo que nos aproximvamos, o perfume
 ia-nos inebriando, sob a luz do Sol no muito intensa; passamos
 por uma cascata, cujas guas cristalinas nos reconfortaram.
Todos estavam alegres, s eu no estava bem, a tristeza me corroa
o corao; permaneciam em minha casa mental as fisionomias
desesperadas do Vale. Misael me aplicou um passe e logo me vi
livre da tristeza. Chegando ao local das violetas azuis, fomos
bem recebidos por Constana, que nos dava explicaes de tudo.
O salo era composto de muitos beros e carros de beb. As
crianas eram bem pequenas, mas muito bem tratadas pelas enfermeiras.
 Estava curioso para saber algo sobre elas, quando irmo
 Loureno esclareceu:
- Estes irmos foram abortados inconscientemente pelas
mes por excesso de medicamentos, fraqueza uterina ou mesmo
cncer, ou a prpria vontade dos bebs que no queriam voltar 
carne.
- E pode isso ocorrer?
- Sim, em muitas ocasies a gravidez  efetuada, mas
no consegue atingir os nove meses. Este recanto fortalece os
fetos para nova descida  carne.
194



- Por que ocorrem estas rejeies?
- Como j disse, vrios fatores as originam, porm o mais
comum refere-se aos bebs que no querem reencarnar. Muitos
por terem sido rejeitados.
Perguntei se podia pegar Lisandra no colo e, ao faz-lo,
gritou tanto que quase sa correndo.  difcil de acreditar, mas
ali estava, no plano espiritual, uma colnia de crianas, uma das
maternidades divinas. Todo o grupo admirava o lugar, que nem
parecia estar alojado no umbral, tal a paz ali reinante. Depois de
visitarmos o ptio, fomos levados at a sala de estudos, onde se
preparava mais uma reencarnao. Comentei com Alosio:
- O departamento  fogo, est em muitos lugares, por
isso a "negada" no pode bobear.
Todos fizeram fora para no rir e confesso que fiquei envergonhado,
 porque a irm Joaquina acrescentou:
- Deus  bom, por isso Ele no cansa de nos chamar ao
trabalho.
A equipe passou a examinar os pronturios daqueles espritos
 que foram abortados por vrios fatores. No desencarne,
como na reencarnao, o esprito passa por uma experincia
marcante.  como um salto bem alto de um plano para outro.
Assistimos aos filmes projetados e um deles relacionava-se com
Lisandra. Vimo-la em tamanho normal, uma senhora de seus
sessenta anos, sendo unida ao tero materno e este, composto
de fortes correntes eletromagnticas, ia reduzindo-a. O esprito
de Lisandra, aconchegado ao seio materno, iniciava o trabalho
divino da formao do seu corpo carnal. Mas percebemos que o
esprito, mesmo com a veste perispiritual reduzida, enfrentava
195



momentos dramticos: na sua mente, bem viva, encontrava-se
guardado o passado e o que ocorrera em encarnao anterior.
Notamos a indeciso daquele esprito: Vou ou no Vou, e na mente
de Lisandra surgiam fatos que a levaram a desistir da nova
encarnao. Ento, tudo fez para retornar ao plano espiritual.
Assistimos naquele filme ao bloqueio mental de um esprito que
no desejava mais renascer. Ele, o esprito,  que aglutina sobre
a veste perispiritual os elementos que daro vida ao fsico. Bloqueadas
 as energias, o fsico vai ficando doente e a me aborta.
- Que danadinha!...
- Isso mesmo, Luiz. O esprito no sabe o mal que est
fazendo a ele mesmo. Esta Colnia tenta ajudar estes irmos.
Graas a Deus s estamos tendo vitrias.
- Irm, todos eles foram inimigos dos pais?
- No. Muitos destes espritos sofreram no corpo fsico
doenas cruis, abandono ou mesmo aborto.
- Desculpe esta pergunta, mas se existem outros meios de
reencarnao, por que estes espritos doentes voltam dessa maneira?
 J Presenciamos a reduo perispiritual feita pelo prprio esprito,
 o esprito comandando a sua reduo e chegando ao ponto desejado.
 Tudo isso pela fora mental. E por que, sendo Lisandra um
esprito repleto de neuroses, no usaram tal mtodo?
- Muito boa a sua pergunta, Luiz Srgio, e fcil de ser
respondida, interveio sis. Recorde que o esprito de Lisandra,
por estar perturbado, no possui fora mental suficiente para
ajudar os tcnicos na sua reduo perispiritual. No se esquea
tambm de que, no seu livro Lrios Colhidos, voc demonstrou
que cada caso de desencarne  um caso. O mesmo se d no
reencarne. Em ambos h um choque biolgico, mas devemos
dar graas a Deus por viv-lo.
196



Ficamos ainda muito tempo na Colnia e antes de nos retirarmos
 caminhamos para um jardim muito florido e perfumado,
deliciando-nos com a paisagem. Desejei rever Lisandra e ela me
sorriu como se me pedisse desculpa. Abracei-a com carinho,
demonstrando-lhe o quanto a queria. Outros contatos ainda tivemos
 com os abortados. Despedi-me de Francis, beijando sua
mo.
- Irm, quando eles voltaro ao plano fsico? perguntei.
- Esto programadas duzentas reencarnaes para este
ms.
- Tudo isso?
- Meu filho, isso  o mnimo que j tivemos. Esta Colnia
 tem recebido mais irmos do que os que encaminhamos para
o corpo fsico. Os abortos violentos tambm tm atingido estes
seres.
-  mesmo, irm, e eles precisam tanto de uma veste carnal.
Ela sorriu, perguntando-me:
- Irmo, vai embora s?
- No - falei, olhando ao meu redor.
S ento percebi que estava sozinho. Pedi desculpas a
Francis e sa em busca dos outros. Mas o lugar era um convite ao
passeio. As casas pareciam colgios muito bonitos, todos eles
ornados pelas flores, onde predominavam as roxas, azuis e brancas.
 Os lagos emolduravam aqueles edifcios-escolas. Parei para
apreciar as crianas que corriam a brincar. A luz era to suave
que me recordei do outono em Braslia. Estava inebriado, feliz
da vida, quando ouvi meu nome:
- Srgio.
Era Kelly que me chamava docemente. Ao me aproximar
dela, indaguei:
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- Todas essas crianas so abortadas?  <
- Sim. -
 Mas elas me parecem to belas, alegres e felizes; do a
impresso de que amam este lugar!...
- Sim, amam tanto que relutam em voltar  terra.
- Irm, estou meio confuso: estas crianas so as chamadas
 "nascidas-mortas"; as que no chegaram ao trmino da gestao,
 no  mesmo?
- Sim, Luiz.
- E por que elas me parecem diferentes?        .:,
- Porque nesta Colnia-escola esto banhadas pela luz do Evangelho.
- Mas  crime a me abortar... no ser crime tambm o
esprito interromper sua gestao?
-Aquele que pratica um aborto no  doente; estas crianas
 so espritos doentes que, ao terem contato com as verdades,
 entram em estado de desespero; aqui esto sendo tratadas
para reencarnar bem e para isso esto sendo instrudas por excelentes
 mestres. Note que no crescem, atingem apenas um certo
tamanho. Elas vm para c para aprender em primeiro lugar as
coisas espirituais, s depois  que recebero a educao terrena.
Quanto maior o aproveitamento da criana, mais depressa ser
levada a nova reencarnao. No se esquea de que todas elas
so filhas da Terra e, mesmo recebendo no plano espiritual auxlio
 com excelentes mestres, faltam-lhes experincias terrqueas
e tero de voltar para adquiri-las.
- Noto, Kelly, que aqui o livre-arbtrio funciona, no  mesmo?
198



- Sim, meu amigo. Agora vamos embora, o grupo nos
espera.
Assim, fomos deixando para trs aquelas alamedas floridas,
 uma cidade-escola, onde as crianas recebiam de Jesus aulas
 divinas. Mesmo sendo uma colnia dos "nascidos mortos",
mostrava-se bem viva; o vozerio alegre das crianas soava em
nossos ouvidos como um grito de liberdade. A Colnia Azul era
um pedao do manto de Maria agasalhando aqueles espritos
infantis, e a luz brilhante que pairava sobre o aconchegante lugar
 partia, certamente, dos olhos iluminados de Jesus. As cascatas
 que banhavam aqueles corpos diminutos s podiam vir das
guas da vida eterna. Um dia Jesus mostrou  Terra a importncia
 da gua, banhando-Se no Jordo, oferecendo-nos a lio de
que precisamos dela para tirar as marcas encardidas da imperfeio.
 Ele, Ser puro, mergulhou nas guas para nos ensinar que
precisamos mergulhar para renascer em novo ser.
Reencontramos os outros e logo as dificuldades surgiram,
porque j no estvamos na Colnia Azul e sim varando as barreiras
 violentas dos umbrais.
Em certo momento paramos, e a voz de Zeus se fez sonora
aos nossos ouvidos, em prece comovente:
- Pai, amado Pai. S bendito, Senhor, porque criaste todas
 as Tuas criaturas, concedendo-lhes o poder do conhecimento.
 Abriste o cofre da sabedoria e entregaste a cada um dos Teus
filhos a chave. Perdoa-nos, se ainda no a usamos, se ainda os
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nossos ps resvalam no lodo das nossas iniqidades. D-nos,
Senhor, a coragem, a perseverana para andarmos em Tua direo,
 mesmo lutando contra as adversidades. No nos deixes cair
nas estradas da tentao. D-nos a proteo de Pai para que os
nossos espritos possam galgar o monte da conscincia tranqila.
 Se por acaso a vaidade cegar-nos, faze, Senhor, com que a
luz do teu corao retire este argueiro cruel que aprisiona e destri
 o ser. Deus de infinita sabedoria e bondade, d-nos a serenidade,
 o amor e a f; que cada um de ns possa adquirir o poder
da humildade para decolar em Tua direo, levando na bagagem
os ensinamentos do Teu Filho muito amado, Jesus Cristo. Sabemos
 que nos aguardas e que, como bom Pai que s, preparas
para todos ns um banquete repleto de bnos. Esperamos estar
 bem vestidos, dignos das Tuas mos abenoadas. Simples e
inocentes no poderemos mais ser, mas esperamos estar cobertos
 com a luz da reforma ntima para que no momento em que
nos fitares sintas em ns um novo ser, como sempre desejaste.
Pai, faze de cada um dos Teus filhos uma estrela, pequenina que
seja, mas cujo brilho enfeite o Reino de amor e paz que criaste
para todos os seres, orgnicos e inorgnicos, filhos do teu corao.
 Ns te amamos, Senhor.
200



Captulo XXIV
No Pouso DA ESPERANA
A prece foi o remdio de que necessitvamos e, graas a
ela, nossos passos ficaram mais firmes, dando-nos condio de
lutar contra muitos obstculos que enfrentaramos. Enquanto
seguamos, analisava meus companheiros e os admirei demais;
conceituados mdicos e excelentes tcnicos da Espiritualidade
Maior ali estavam, enfrentando, na maior simplicidade, vibraes
 violentas das zonas umbralinas, ao passo que no mundo
fsico basta a pessoa ter uma vida melhor para procurar as mordomias.
 Zeus, vendo-me a fit-los, sorriu, dizendo:
- Vamos recordar os Provrbios, Capitulo 28, versculos
18 e 19:
Aquele que anda em simplicidade ser salvo; porm
o que anda por caminhos perversos cair por sua vez.
Aquele que lavra a sua terra ter fartura de po, mas o
que ama a ociosidade estar cheio de misria.
Baixei os olhos e fui recitando alguns provrbios, que calavam
 fundo em minh'alma.
Os minutos pareciam eternos. Nos caminhos que convergiam
 para os umbrais, sempre encontrvamos caravanas de
trevosos e muitas vezes tivemos de "fugir" deles. J estvamos
quase chegando  Estao das guas, quando deparamos com
201



algumas mulheres, que davam boas gargalhadas. Eram dez. Examinei-as;
 seus trajes eram muito parecidos com os de "certas
meninas": saias curtssimas e blusas decotadas, brincos que iam
at quase a cintura, enfim, a aparncia que o encarnado v quando
 cruza com jovens vulgarmente vestidas. Todos passavam por
elas de cabea baixa, ignorando-as; eu, como as estava observando,
 despertei a ateno e elas, brejeiras, foram aproximando-se
 de mim, dizendo:
- Oi, garoto, como vai?  novato aqui?
Confesso que no sabia o que responder. Alosio Socorreu:
- No, ele trabalha para Zara. ; "      ;
Ao ouvir este nome, recuaram.
- Perdoe-nos, no est mais aqui quem falou.
E foram andando de costas, olhando-nos assustadas.
pois que sumiram na estrada, perguntei a Alosio:
- Quem  Zara?
- Antes de saber quem , agradea-me por t-lo livrado delas. ;,
- Mas quem disse que eu queria me ver livre?
Todos riram e Misael retrucou:
- Por isso no, elas foram para o vale do prazer, se desejar,
 ns lhe ensinamos o caminho.
- Desculpe, doutor - falei baixinho.
- Sabemos que est brincando.
Ainda indaguei, intrigado:
- Por que me enxergaram?
202



- Ns, Luiz, para penetrarmos nestas regies inferiores,
tivemos de revestir os nossos perispritos de fluidos densos, para
esconder nossa procedncia, ocultando as aparncias do plano
em que vivemos. O irmo, atravs da curiosidade, chamou a
ateno sobre si e se fez visvel.
Nada mais desejei saber.
O lugar ia ficando terrvel, o silncio quebrado apenas por
brados, uivos e gargalhar sinistro. J estvamos no "vale da dor". '
A vegetao, diferente, apresentava arvoredos com folhas vermelhas a 
balanar agressivamente; algumas rvores lembravam
animais pr-histricos. Confesso que o papai aqui tremia mais
que aquelas furiosas rvores, sis segurou minha mo, dizendo:
- Deus no desampara Seus filhos.
O aspecto era o de uma guerra, ora coberto de nvoa, ora o
vento zunindo terrivelmente nos nossos ouvidos; outras vezes
parecia que ia acontecer um terremoto. Recordei-me de uma atrao de 
parque de diverses, a "casa do terror": a cada minuto
uma surpresa. E uma delas foi observar o contraste ali existente:
casas que nos assombravam, umas pauprrimas, outras luxuosas. Compreendi 
que, alm de governar aquele lugar, Zara controlava e administrava 
algumas coletividades sombrias subjugando vrias mentes encarnadas  
distncia.
- Por que eles no esto deformados? perguntei.
- Se prestar ateno, vai notar que so diferentes.
Ao penetrarmos naquela cidade, podamos perceber que o
sexo e os vcios dominavam, e infeliz daquele que para l fosse
atrado, pois vamos que muitos eram escravizados, principalmente as 
mulheres. Vamos imaginar que era uma cidade da prostituio
203



 e que de l partiam as caravanas de mulheres para perturbar
 os encarnados.
- Vamos at Zara?
Misael respondeu:                     , ^ 
- Impossvel. Estamos aqui apenas para retirar uma irm
que abusou por demais do sexo e hoje, dominada pelos torturadores
 de Zara, clama para ser socorrida.
- E onde ela est?
- Uma equipe de socorro j nos forneceu o local.
E assim fomos andando. J nas proximidades do lugar indicado,
 constatamos a pobreza e a falta de higiene, lembrando-me
 certos lugares da terra. Em dado momento, vimos, deitada
no cho, uma mulher com os cabelos em desalinho. Ao fitar
seus olhos, quase morri de susto: era uma pessoa conhecida minha,
 que no me reconheceu e gritou:
-- No me maltrate! No Vou  terra participar de orgias!
Eu quero esquecer o que fiz de errado, deixe-me em paz! falou,
tapando os olhos com a mo e permanecendo deitada no solo.
Senti vontade de abra-la, mas deixei que os outros a socorressem.
 E assim foi feito. Envolvemo-la em fluidos
tranqilizadores e nos retiramos. Pensei: "como vamos vencer
os guardas e os lacaios?" Mas a nossa caravana nem sequer era
notada pelo estranho povo daquele vale. Romilda, amparada por
mim e por Alosio, parecia dopada.
- Levaremos s ela ou vamos a outras pocilgas prestar
socorro? inquiriu Kelly a Misael.
- Eu gostaria de tirar mais gente daqui, completei.
- , Luiz, todos ns gostaramos, mas  terrvel a condio
 de vida destes espritos. Mesmo assim, subjugados, eles
204



resistem a serem levados para as colnias de luz. Daqui partem
muitos espritos que se comprazem com o encarnado no sexo e
nos vcios. Para eles a desencarnao no ocorreu, adoram as
festinhas regadas a p e a sexo. E muitas vezes desequilibram
famlias e fanticos religiosos.
Romilda arrotava, como se estivesse bbada. Olhei-a, intrigado,
 obtendo a resposta: ela sempre se embriagava junto a
um encarnado e tambm gostava de comprimidos. Prometi a
mim mesmo voltar e conhecer Zara.
- Vai hospedar-se no seu rico palacete? indagou-me Alosio.

- Est com cime, nego?
- No, Luiz, pode reinar em paz.
Tudo era brincadeira, pois j principivamos a respirar aliviados.
 Quando chegamos a um certo local, Romilda foi alojada
em uma das maas. At ali comportara-se como se fosse um
rob, sustentada mentalmente por Amintas. Tambm ele precisou
 tomar um passe aps t-la acomodado.
- Ensine-me esse trabalho. !        !
- Como no, venha c. ' <
Aproximei-me de Hpila. ;
- Como qualquer rgo, o crebro  suscetvel de educao
 mediante exerccios persistentes, graduais e cuidadosos. 
um trabalho simples, mas para efetuar o que no comeo parecer
 impossvel, torna-se preciso muita dedicao. Ademais, h
um perigo: se no imperar a mais elevada pureza de pensamento,
 palavras e atos, nada ser efetuado. Para penetrarmos em
outra mente, antes temos de educar a nossa. H necessidade de
colocar o paciente em transe e, para que isso ocorra, ns tambm
 temos de alcanar outra dimenso.
205



- Obrigado, amigo, mas prefiro ser apenas um aprendiz
de Jesus. Um dia talvez eu chegue a ter uma grande fora espiritual.

Ele alisou minha cabea, num gesto amigo. Depois partimos
 em busca de uma Casa de socorro. Logo avistamos o Pouso
da Esperana, que nos surgiu como se fosse uma bela nave espacial,
 pois era todo redondo, assim como o seu belo jardim. O
que impressionava na sua base era que ele no estava fixado ao
solo, podendo mudar de local a qualquer momento.
- Por qu? indaguei.
Kelly me respondeu:
- Porque muitas vezes eles tm de fugir, tal a violncia
dos ataques. ,
- DeZara? ^
- No s dela, como de outros trevosos.
Assim, adentramos o Pouso da Esperana, onde fomos recebidos
 pelo irmo Zeferino, que prontamente providenciou alojamento
 para a nossa irm. Eu o acompanhei e o primeiro socorro
 foi um bom banho em uma pequena cascata. Percebi que aquelas
 guas estavam repletas de energia e davam foras  doente,
que se encontrava muito fraca, sendo a gua um excelente tnico.
 Eu e Amintas ajudvamos o irmo, enquanto os outros eram
recebidos pelo dirigente daquele Pouso. Romilda foi muito bem
tratada. Logo se aconchegava em um leito limpinho, cujos lenis
 mais pareciam raios de luar, e dormiu, como se h muito
no o fizesse.
- Srgio, na hora que ela acordar vai julgar-se no cu,
comentou Amintas.
206



- E no deixa de estar, graas a Jesus ns estamos aqui.
Ele  o canio de Deus pescando as almas sofridas no mar da
dor. Eu adoro Jesus e no me canso de louv-Lo.
Amintas sorriu, talvez me julgando infantil, mas nem liguei.
 Samos e cumprimentei o cu, dizendo:
- Mestre, eu O amo muito, sabia?
Ele me ouviu, porque uma folha de rvore beijou-me o
rosto.
- Luiz, s um grande sujeito.
Apalpei-me.
- Voc acha, amigo? Ora, muitos me chamam de baixinho...
- s uma grande alma.
- Obrigado, respondi.
amos caminhando, quando encontramos Kelly. Informou-nos ela que 
estvamos sendo esperados no salo gren. Ns a acompanhamos. No pude 
deixar de admirar a beleza do auditrio.
 No ramos os nicos ali sentados, outros caravaneiros tambm
 l estavam. O local, todo gren, era oval; do cho eram
projetadas luzes nas cores amarela e alaranjada, que davam ao
teto uma colorao diferente. O auditrio era hermtico. Uma
suave msica completava a vibrao do ambiente. Nisso, deu
entrada uma irm de seus quarenta anos que, aps bela prece,
iniciou a palestra.
- Que Deus seja louvado por todos os Seus filhos. Aqui
estamos para tratar de um assunto muito desagradvel: o desrespeito
  vida. Hoje o que mais se faz na terra  matar. Mata-se,
sem piedade, o feto e o ser adulto, como se faz h muito com os
animais. Defrontamo-nos com inmeras dificuldades,
207



por quanto o homem est retardando os planos de Deus, por isso, os Seus
trabalhadores precisam urgentemente orientar as criaturas, cultivando
 o hbito do amor ao prximo. Quem ama no mata.
Nesses crimes, quem mais est sofrendo so as crianas, que
sofrem no ventre e, muitas vezes, violentadas so pelos prprios
pais. O que fazer para ajud-las? Orientar o homem, conscientizlo
 de que todos ns estamos no mesmo estgio de vida, um necessitando
 do ombro do outro. S assim teremos condio de
secar a torrente de lgrimas que est correndo sobre a Terra. A
maior responsabilidade recai sobre os que manipulam o fermento
da mediunidade. Precisam eles orientar as criaturas para a reforma
 interior, para a necessidade da caridade; sem ela somos rvore
 sem raiz, casa sem teto. Cada aprendiz do Evangelho tem
de apresentar Jesus ao seu prximo, principalmente se esse prximo
  jovem. Se ns no orientarmos a juventude, breve estar
caduca pelos remorsos. Hoje a mulher se entrega ao namorado
com tamanha naturalidade, que nos causa espanto. Ela no se
valoriza e se isso continuar, em futuro prximo, no mais teremos
 crianas para alegrar nossas vidas. Os pases precisam elaborar
 um trabalho de assistncia social, onde as pessoas sejam
alertadas para as grandezas de Deus. Nunca se viu tantas "mortes"
 prematuras. O homem est abusando por demais da sua liberdade.
 Ningum, quando no corpo fsico, se preocupa em arrmazenar amor; quase 
todos pensam apenas em usufruir algo de
Deus e ainda zombam dele. Esperamos que os trabalhadores de
Deus possuam conscincia do valor da vida e que tudo faam
para bem servir ao prximo. Contamos com o auxlio de todos.
Muito obrigada. Anne.
Logo depois, vieram as aulas. Uma delas sobre a fora
mental, a necessidade dos dirigentes de instituies espritas
orientarem seus freqentadores sobre o real valor do
208



pensamento. O doutor Joo Vicente falou sobre o desdobramento mental.
Se um homem pensa fixamente que est presente em determinado
 lugar, ele l estar, no vestido de um de seus corpos - pois
o homem permanece no seu corpo fsico - apenas a forma
mental que, ao ser projetada, no fica mais sob o seu domnio. E
esta forma-pensamento pode auxiliar muito, penetrando nos
hospitais, nos campos de guerra, nas prises, enfim, ela  de
grande utilidade para os aprendizes de Jesus. Um Centro Esprita
 pode ajudar muito a espiritualidade, desde que ele seja bem
orientado. O homem encarnado ainda no se conhece, mas ele 
um deus, que precisa da coroa da perfeio para realizar grandes
 coisas. O palestrante ainda falou sobre a necessidade da disciplina
 evanglica, a qual s se consegue atravs de um desempenho
 srio na Casa Esprita.
Ainda recebemos muitas aulas. Ao trmino, veio o professor
 Jos e junto a ele fizemos a prece de encerramento.
Na sada, observava ainda aquele estranho auditrio.
- O que repara tanto, Luiz?
- No entendi por que ele projetava aquela luz o tempo
todo.
- No se esquea de que este Pouso fica numa zona de
vibraes muito pesadas, e se eles no tomarem providncias,
os vales trevosos captam as aulas aqui ministradas.
- Notei que as aulas no foram s para ns.
- Tem razo. Assistimo-las a convite dos irmos daqui,
mas elas so destinadas aos trabalhadores deste Pouso.
Como nada podemos perder, l estvamos ns.
209



Aprontvamo-nos para partir, desta vez para a Crosta. Todas
 as vezes que me preparo para aterrissar no solo firme da
Terra minhas pernas tremem pelo receio de defrontar-me com
fatos muito tristes. No Pouso da Esperana conhecemos muitos
irmos, mas gostei mesmo dos irmos Zeferino e Alexandre.
Lembrei-me de que prometera a mim mesmo voltar e conhecer
Zara. Irmo Zeferino aconselhou-me, ao captar este pensamento:

- Irmo Luiz, no se preocupe com o dia de amanh, Zara
ter o seu dia e no vai demorar muito.
Fiquei quietinho, orando em silncio para Deus, o Ser mais
perfeito do Universo.
210



Captulo XXV        '
LAOS FAMILIARES INTERROMPIDOS
Despedimo-nos do Pouso da Esperana e logo estvamos
no plano fsico visitando a Casa Esprita. com prazer, revimos
os queridos amigos, juntando-nos aos seus trabalhadores para
prestar auxlio a vrios desencarnados, principalmente por acidente.
 Os mdicos Joo Vicente e Jos Murillo tudo faziam para
amenizar as dores, e  medida que prestavam auxlio, muitos
doentes eram encaminhados para os hospitais de Jesus, na
espiritualidade. Notei a quantidade de jovens e perguntei ao irmo
 Joo Vicente:
- O que est acontecendo, por que os jovens esto
desencarnando cedo?
- Os jovens esto suicidando-se por falta de elucidao
evanglica. Os pais esto dando tudo para seus filhos, menos
educao divina, e as crianas esto se afundando no materialismo,
 distanciando-se das coisas de Deus. No dia em que eles se
conscientizarem de que a juventude passa rapidamente por nossas
 vidas, sabero plantar amor. Hoje a maioria dos jovens est
plantando desespero. A Aids, que aniquila o corpo e desespera a
alma, prolifera-se velozmente, e quantos jovens, por mseras
moedas, esto se prostituindo! O automvel, que foi criado para
o conforto do homem, tomou-se arma perigosa aos imprudentes.
 Ao entrar em um veculo, muitos perdem a noo do dever,
211



que  respeitar o seu prximo - correm sem disciplina, fazem
manobras violentas e, diante disso tudo, ainda se julgam os tais.
Um jovem cauteloso com as leis de Deus no abusa do seu direito
 de cidado. Hoje, Luiz Srgio, muitos jovens pensam que
jamais iro envelhecer e, sem carter, gastam o dinheiro dos
pais e ainda os envergonham.
- Mas, doutor, j vi muitos jovens espritas tambm praticando
 atos indignos de desrespeito ao prximo.
- Sinto contest-lo. Espritas no, jovens que conhecem
a Doutrina, mas ela no est nos seus coraes. A Doutrina Esprita
  Cristo em ao, aquele que se diz esprita muitas vezes a
conhece mas no a pratica. O jovem esprita abraa o sacerdcio
 da f, da esperana e da caridade. Ele no fuma, no bebe,
no pratica atos obscenos, no violenta o seu prximo, apenas
luta para que a sociedade onde vive seja mais digna. Estamos
falando aqui de esprito que est em nova roupagem, porque,
para ns, no existem jovens nem velhos e sim espritos que
precisam evoluir.
- Irmo, ali no quarto seis vimos muitas crianas que desencarnaram
 com drogas. Todas so consideradas suicidas?
- Sim, qualquer "morte" provocada  suicdio. O irmo
fala da sala seis, mas quero mostrar-lhe a sala oito, que abriga
vrios adolescentes de doze a dezesseis anos, todos eles
desencarnados pela droga, pelo aborto ou por acidente, levados
por uma sede imensa de liberdade. As moas, muitas, esto em
busca de algo que ns, os espritos, no sabemos o que seja.
Olavo diz que a cruel represso do passado foi gravada nas suas
mentes e hoje elas julgam que foi rompido o tabu e querem aproveitar
 o mximo possvel. Nessas orgias exacerbadas pela droga,
 encontram a morte prematura, que tanto as faz gritar por
212



socorro. A jovem moderna, sem educao religiosa, est atropelando
 o "destino", forando os acontecimentos. Est-se tornando
 mulher muito cedo e tambm chegando cedo aos sofrimentos.
 Vamos at a sala oito.
Fiquei um pouco pensativo.
- Posso, doutor Zeus?
- Se o irmo desejar, mostrar-lhe-emos as doenas. Se
voc, Luiz, assim o quiser, fazemos votos que a aula seja proveitosa.

No pensei duas vezes, logo estava eu junto ao doutor Joo
Vicente, na sala oito, que vamos chamar de enfermaria, onde
vrias meninas gritavam sem cessar. Todas elas, amarradas s
camas, recebiam um banho de luz azul. O ambiente recendia a
carne queimada, muito forte. Fitei aquelas faces, algumas
lindssimas, outras deformadas pelo dio que havia em seus
olhos. Nos rgos sexuais de Eurinda, uma das assistidas, notava-se
 uma cor escura. Perguntei ao mdico o que acontecera
com ela.
- Prostituiu-se muito cedo. Era garota de programa e,
nesses encontros, contraiu uma doena terrvel que nem a Medicina
 soube explicar.
- Irmo, por que elas no exigem que seus parceiros usem
preservativos?
- Muitos homens no os aceitam, da o aumento da Aids
e de outras doenas sexualmente transmissveis.
- Mas isso  um crime, doutor!
- , Luiz Srgio,  crime desumano, que os sanitaristas
ignoram. A prostituio juvenil  terrvel e aumenta a cada dia.
Olhei uma outra, Suzane, e ela ps a lngua de fora para
mim. Joguei-lhe um beijo de carinho; ela cerrou os olhos e vi
213



uma lgrima molhar seu rosto de menina-moa. Perguntei o que
fizera.
- Abortou dez crianas. ?
- Dez? Mas ela deve ter uns dezesseis anos!...
- Mesmo assim, j  portadora de uma ficha repleta de
faltas e de violao s leis de Deus.
- O que as leva a entrar nessa vida?
- Falta de orientao. Para elas, o dinheiro da prostituio
  seu nico meio de sobrevivncia. Mas muitas entraram na
droga por intermdio tambm do sexo; os namorados, traficantes
 e viciados levaram-nas ao vcio e depois  prostituio. Est
vendo aquela outra ali?  a Clia, desencarnou com Aids. Contraiu
 a doena atravs de um colega do seu irmo. Namorou-o e,
como quase todos os namoros de hoje, o sexo estava includo.
No sabia ela que ele era bissexual e, numa das relaes, a doena
 alojou-se no seu organismo.
- Mas ela parece to recatada...
- Sim,  uma boa menina, mas, como boa parte da sua
gerao, praticava o sexo descontroladamente. Ela tambm desejou
 entrar na onda de uma sociedade sem Deus.
- Sabe, doutor, os pais tm um pouco de culpa, no  mesmo?
- Temos a incumbncia de curar, de amenizar, de encaminhar
 os doentes, mas quem pode julg-los so eles mesmos e
creio eu que cada um sofre por demais. No  fcil sentir o apodrecimento
 do seu prprio corpo e o desespero na alma.
- Daqui, para onde eles iro?
- Para os prontos-socorros da espiritualidade, at serem
transportados para algum dos inmeros hospitais de Jesus.
214



- Ainda bem que os trevosos no os pegaram...
O doutor Joo Vicente atendeu o chamado de um dos mdicos
 que prestavam assistncia queles doentes e, gentilmente,
me agradeceu a companhia, dando por encerrada nossa conversa.
 Despedi-me:
- Um abrao, amigo, e seja sempre um operrio de Jesus
em ao.
Fitou-me com uma bela expresso de carinho e aduziu:
- Seja tambm feliz, Luiz Srgio.
Voltei para junto dos outros, pois teramos trabalho numa
clnica aborteira, onde a especialidade do "doutor" era assassinar
 fetos de quatro a seis meses de vida uterina. Para l nos
dirigimos.
A clnica ficava num bairro de classe mdia alta. O "doutor",
 muito conceituado pelos seus clientes, sentia-se um deus.
Tudo muito limpo. Quem a visitasse, nem poderia imaginar que
o "doutor" Argemiro praticava tais crimes levado pela ambio,
sem o menor constrangimento. Esperavam-nos vrios espritos,
mdicos, irms de Maria, enfim, diversos trabalhadores do Senhor.
 Uma bela senhora segurou as mos de Misael, dizendo:
- No deixe minha neta fazer o aborto, no deixe!
Misael lhe respondeu:
- Estamos aqui para trabalhar, ore a Deus para que a sua
neta tenha conscincia do que vai fazer.
Aquela mulher estava transtornada. Era o av da menina
que estava reencarnando e a av sofria por presenciar o
desequilbrio daquela que tanto amava. Quando a nossa equipe
215



entrou na sala cirrgica, a neta da senhora j estava sendo preparada.
 Zeus fez de tudo para o mdico desistir. Provocou-lhe
tontura, nsia de vmito, tremor nas mos. Entretanto sua ganncia
 era bem maior e rapidamente foi feita a operao cesariana.
 Sim, meus amigos, cesariana. O feto ainda nasceu vivo,
mexendo com os pezinhos. Mas, ao invs de ser acolhido em
incubadora, foi friamente assassinado por aqueles que ali estavam.
 Mesmo jogado fora, permanecia com vida. Nossos mdicos
 tudo faziam para socorr-lo, at poder retir-lo do frgil corpo
fsico. O tempo que aquele feto se debateu em busca de oxignio
 foi um dramtico pedido de socorro. Aproximei-me de sis e
indaguei:
- Por que no o separa logo do corpo fsico?
- Esperamos que ocorra um milagre, que algum se arrependa.

Mas, nada. O "mdico" j costurava o pequeno corte da
cesariana. E a jovem logo estaria na onda da moda, pronta para
mais uma gravidez.
- Que tranqilidade!.., falou para a enfermeira o "mdico".

No sabia ele que no plano espiritual ns tentvamos conter
 a av, que, abraada ao corpo da frgil criana, gritava:
- Perdoe, querido, ela no sabia que era voc! Perdoe!
Mas o feto urrava de dio. Logo Presenciamos sua transformao,
 que se operou parcialmente: de uma frgil criana
para um homem j idoso. Os mdicos aguardavam, mas ele mal
podia sustentar a cabea de homem no corpo de um feto de cinco
 meses.
- Eu Vou mat-la! dizia Euzbio. Eu Vou mat-la!
A av suplicava:
216



- No, no! Ela no quis voc, porque  muito jovem
ainda...
Tentou levantar-se, mas as pernas eram mnimas; ele olhava
 a neta ainda sonolenta e gritava:
- Assassina! Assassina! Assassina!
Kelly o adormeceu, mas qual foi a nossa surpresa: a pacata
vov aproximou-se do mdico aborteiro e disse, com muita raiva:

- Voc vai sofrer muito, eu vingarei o meu velho, voc
nunca mais ter paz.
Eu no sabia se acalmava a senhora, ou assistia  retirada
do feto. Cheguei perto da v e falei:
- Vamos embora. Eu gosto muito das vovs, tenho a mais
bela de todas. No gostaria de v-la sofrer. Venha comigo.
- No, eu Vou obsidi-lo at ele no agentar mais. Vou
chamar todos os que ele fez sofrer, e no lhe darei mais sossego.
- No faa isso. Vamos passear l fora - falei, acariciando-lhe
 os cabelos.
Ela aceitou o meu carinho, mas ao passar pela neta, gritou:
- Assassina, vai morrer seca e podre!
A menina captou aquele desespero e comeou a gritar.
-Viu como  fcil lev-los  loucura? disse a av. A conscincia
 deles  o passaporte para que todas as suas vtimas venham
 obsidi-los. O dio que tm no corao  morada para os
espritos vingativos.
- Mas voc, vov, no  um esprito vingativo, tenho f
217



de que no seu corao o dio no vai alojar-se. Ela me abraou, 
soluando.
- Leve-me embora para a minha colnia, quero esquecer
que um dia eu tive uma famlia. Quero esquecer...
Abracei-a. Antes, lancei um olhar suplicante a Misael, indagando:

- O que fao?
Misael sacudiu a cabea, em sinal de assentimento.
- Leve-a para a espiritualidade.
E assim, logo estvamos na Colnia das Rosas, onde a
querida vov foi recebida por irm Estefane. ; ,
- Querida, foste  terra mesmo sendo advertida das conseqncias,
 e agora, que me dizes?
- Perdoa-me, irm, no tive equilbrio suficiente para presenciar
 o dio que fermenta no plano fsico. Ao ver o meu velho
sofrer, esqueci tudo o que aqui aprendi e virei um bicho defendendo
 a cria e a famlia. Esqueci, irm Estefane, que todos somos
 irmos e que a nossa famlia  a Universal. Quero ir para a
ala de tratamento.
Virou-se para mim:
- Obrigada, Luiz Srgio, jamais o esquecerei. Estarei sempre
 orando por voc, meu jovem, esperando que todos os seus
sonhos se concretizem. Jamais Vou esquec-lo, s lhe peo que
no se esquea de mim.
- Jamais, minha irm, Vou esquec-la. E lhe prometo que
tudo farei para que sua neta encontre o Cristo e se torne uma
218



mulher digna, para novamente merecer a confiana de Deus e
receber um filho, que dela necessitar para toda a vida.
Em seu olhar transparecia a dor que lhe ia na alma.
Ela parecia no acreditar nas minhas palavras, mas segurei
a minha Bblia e me despedi da Colnia das Rosas, levando junto
 a mim o perfume da esperana de que no amanh as mulheres
no mais sero vtimas de si mesmas, para levarem at a presena
 de alguns carniceiros o que carregam dentro de si, o tesouro
da continuao das espcies: um filho, o filho da sua carne e do
seu esprito; algum que Deus lhe ofertou para que os seus dias
no fossem de tdio; algum que volta para completar o aprendizado
 da vida fsica, algum que o seu corpo de mulher abrigou em nome do 
Criador. >
Abenoada sejas tu, mulher, que lutas contra a fome, a
doena, o abandono e inmeras dificuldades, para conceber um ,
filho no teu ventre. s uma embaixatriz de Deus na Terra e todos ns te 
louvamos, agradecidos.
Abri o nosso livro querido e caiu esta bela passagem: Ecle-        |L
sistico, Captulo 38 - Mdico terrestre e celeste:
1 - Honra o mdico, porque  necessrio; porque o       
Altssimo  quem o criou. 2 - Porque toda a medicina       
vem de Deus, e receber donativos do rei. 3 - A cincia
do mdico exaltar a sua cabea, e ser louvado na presena
 dos grandes (...)
219


Captulo XXVI
INSEMINAO: os Novos TEMPOS
Voltei a reencontrar o grupo e mais uma vez estvamos
diante da crueldade do homem. A clnica mdica mais parecia
um consultrio comum; ningum diria que era um matadouro.
Ficamos na sala de espera conversando com Samuel, um dos
socorristas dos abortados. No me contive e perguntei:
- Irmo, vocs tentam impedir o aborto?
- Algumas vezes tentamos dissuadir as gestantes mas o
nosso trabalho no  esse e sim dar assistncia aos espritos violentados
 pelos encarnados. O ato  sempre muito rpido e, alm
do mais, repito, ns no fomos preparados para isso. Mas h
irmos que esto prestando esse trabalho evanglico. Eles tentam
 desesperadamente, e s vezes at o conseguem, tirar a mulher
 da mesa cirrgica.
- Verdade? Que beleza!
Enquanto obtnhamos esses informes, vimos chegar uma
menina aparentando quatorze anos, mascando chiclete, mais
parecendo um tique nervoso, acompanhada de uma bela mulher,
 elegante mesmo, que fumava nervosamente. Dirigiram-se
 enfermeira, que as mandou esperar. Sentaram-se. A garota,
completamente alheia ao seu problema, continuava a mascar o
seu chiclete. Alguns espritos socorristas aproximaram-se para
221



conversar com as duas. A me olhou a filha, dizendo:
- Est com medo?
A resposta veio somente por um sinal com a mo: mais ou
menos. O grupo doutrinava as duas. De repente, a garota deu
um pulo na cadeira.
- Sabe, estou frita de medo, Vou me mandar.
- Qu? e a me a puxou pela blusa. Est louca! Como
pretende ter um filho, quando nem sabe quem  o pai? Primeiro
voc vai  se formar.
A garota no retrucou, continuou a mascar o chiclete, desejando
 ir embora. A enfermeira ajudou a me, segurando Andra
que, mesmo intuda pela equipe de socorro, no mais quis o
filho. Entrei em pnico. Tentei, com a me, o mdico, a menina,
a enfermeira, por todos os meios, evitar o aborto, quando Zeus
me segurou o brao, dizendo:
- Luiz, acalme-se. A liberdade  um dom de Deus. O homem
 no tem o direito de obrigar quem quer que seja a ser bom.
- Meu Deus, mas essa menina vai-se comprometer, estragar
 sua sade!...
- Irmo Luiz Srgio, ela est com um clnico.
- Clnico? Para mim  um carniceiro!
Ele esboou um sorriso e ns, orando, testemunhvamos
mais um assassinato frio e cruel. Tudo acontecia normalmente,
at notarmos que algo estava errado. Os nossos mdicos correram
 a ajudar Andra, que em minutos respirava com dificuldade
e por mais que o aborteiro fizesse, ela foi separando-se do corpo
fsico. O auxlio ao feto de trs meses, entretanto, continuou,
222



mas sua me, na flor da idade, voltava ao mundo espiritual de
maneira trgica. Andra ainda lutava para no abandonar seu
corpo fsico, mas este, pouco a pouco, ia perdendo fora. Sofrer
 uma parada cardaca. Apesar dos esforos do mdico para
reanim-la, Andra viu-se desligada e ligada, ao mesmo tempo.
- Por que aqui no permanece de planto uma equipe do
desencarne? perguntei.
- Porque a espiritualidade no pode prever que
desencarnem todas as mulheres que aqui vm para abortar. Existem
 equipes para socorrer o feto.
- E Andra, por que est to ligada ao corpo fsico? Ela 
suicida?
- No  suicida. Ela sofreu um assassinato, s isso. E
nesses minutos s nos resta aguardar.
Mal terminou de falar, deu entrada a equipe de socorro,
para prestar assistncia ao beb e  me. Mesmo assim, demorou
 um pouco o desligamento de Andra. O mdico tentou dar
explicaes  me, mas esta ficou furiosa, desejando processlo.
 Ns fomos saindo devagar, pois no tnhamos mais o que
fazer ali. Afastamo-nos, levando na lembrana a destruio de
um ser.
- Triste, Srgio? indagou-me Misael, ao ver meu ar desolado.

Respondi:
- Arrasado. Ser que o carniceiro vai ser preso?
- Creio que no. Esta clnica est muito bem protegida
pelas aparncias sociais.
- E a me de Andra, no vai dar parte do "mdico"?
223



- No, porque ela est muito comprometida e depois,
Andra, para todos os efeitos, preparou-se para ser submetida a
uma operao nesta clnica, ningum entra nela para abortar.
Uns vm retirar plipos, tumores, miomas, tero, ovrios, enfim,
 ningum vem para matar filhos.
- Chique, hem? Muito chique. Queria s ver a cara desses
 sabidos quando forem enfrentar a Conscincia Maior. Ningum
 fica eternamente no corpo fsico. Coitados!...
- Tem razo, Luiz. Infelizes daqueles que abusam do livre-arbtrio.

- Mas at l eles continuaro aprontando e levando a dor
a muitos coraes.
- Luiz, com Andra estavam dois espritos. Eram gmeos.

- O qu? Ento o mdico "matou" trs sonhos!...
- Sim, embaraou o caminho dessas almas at Deus.
Coitado, vai virar gelatina!... Quem pratica o aborto visa
apenas o enriquecimento e, apegado ao ouro, no v o tempo
passar. A cada segundo que deixamos de embelezar o esprito,
ele sofre a deformao, e coitado daquele que no armazenar
amor no seu celeiro!
Andra foi levada ao mundo espiritual junto a um de seus
filhos, que relutava em sair do seu ventre. O fato me intrigou e
perguntei a Zeus:
- Como fica o caso do feto alojado no perisprito de
Andra? Vai ser retirado  fora?
- No. Se ela desejar e se for bom para o seu crescimento
espiritual, ela ter o filho por mais seis meses alojado em seu
ventre e a criana nascer na maternidade espiritual. Porm, se
224



ficar revoltada e no desejar a criana, teremos de separ-los.
S a Andra caber a escolha.
- Ento, se ela plasmar a criana no seu ventre, esta crescer
 no mundo espiritual?
- Como Deus  bom, se Andra desejar, ela ser me no |
plano espiritual.
Era muito para minha cabea. Cheguei ao Centro Esprita
e fui descansar, mas nada me tirava da mente a cena do aborto.
Recordei a estatstica colhida pelo Departamento de Reencarnao, quando 
se constata que cerca de quatro a seis milhes de
brasileiras se submetem a um aborto a cada ano. Entre essas ||
mulheres, pelo menos um tero so adolescentes, com idades
variveis de doze a vinte anos. Sabemos tambm que dez por cento das 
mulheres que provocam o aborto morrem ou se tornam vtimas de graves 
seqelas, como peritonite e supurao
dos ovrios. A esterilidade  freqente em mulheres que sofreram
 abortos mal realizados, principalmente quando as trompas
ficam obstrudas.
Eu pensava, pensava... Como pode a sociedade ficar impassvel
 a tantos assassinatos brbaros, fingindo ignor-los?
Alosio convidou-me a orar e, como bom entendedor, compreendi que s a 
prece acalma um esprito em desequilbrio.
No outro dia, bem cedo, estava eu no auditrio esperando
meus irmos e, com prazer, os recebi, amando a cada um deles.
Depois de uma breve preleo sobre a vida, feita por Misael,
fomos informados de que iramos a um determinado hospital,
onde um mdico, com M maisculo, dava  mulher e  sociedade exemplos de 
carter e respeito ao sacerdcio da Medicina.
Enquanto alguns homens covardemente matam sem piedade,
outros lutam pela vida.  nossa frente surgiu um belo hospital,
225



belo no sentido das vibraes de amor e respeito que o circundavam.
 Sim, meus irmos, ali, uma equipe de alguns mdicos
cooperava para a vinda de espritos para o plano fsico. Trabalhavam
 com afinco para que houvesse a fecundao. O hospital
era modesto, mas possua modernssimos aparelhos que pareciam
 ter vindo da Espiritualidade Maior.
Acompanhamos a consulta de Sabrina: entrevista, pedidos
de exames, enfim, vrias etapas. Iniciado o tratamento, percebemos
 que a ovulao da nossa irm fora estimulada com doses
hormonais. Pelos exames fica-se ciente, com preciso, do momento
 em que o vulo fica maduro. A o mdico faz a devida
colheita atravs da vagina, com o auxilio de ultra-sonografia.
Aps a retirada dos vulos, eles permanecem cerca de seis horas
 numa estufa. Depois de coletado o smen, d-se a inseminao
numa pequena cuba. Foi o que aconteceu com Sabrina.
Assistimos  fertilizao, no esquecendo de dizer que no
local os construtores espirituais, atentos, ajudavam os encarnados,
 tendo como dirigente o doutor Nagi. Esses construtores efetuaram
 a escolha do espermatozide e este, ajudado pelos tcnicos,
 recebia impulso extra atravs da fora magntica de todos
os construtores. Olhares fixos no espermatozide, eles o iluminavam
 com tamanha fora mental que quase no percebemos o
momento do encontro, tal a rapidez com que tudo acontecia.
O vulo, iluminado por uma fora superior, estava  espera
 do veloz viajante - o espermatozide.
Foi feita ento a unio dos gametas masculino e feminino,
formando agora uma s vida.
Nagi me pareceu um artista, tocando com suas mos dadivosas
 aquele facho de luz, como se desse ao ovo os ltimos
retoques. Todos ns orvamos em silncio, enquanto o ovo
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fecundado era recolocado na estufa, cuja temperatura era controlada
 por gases coloridos.
Durante algumas horas, a vida estaria fora do tero.
Tcnicos divinos, encarnados e desencarnados, vibravam
numa s faixa, a do amor, para que aquele esprito pudesse voltar
  terra, ao contrrio daqueles que impiedosamente aniquilam
embries e fetos. H Mulheres e mulheres; umas desejam ter
filhos, outras nem se tocam para a sublime misso de me.
Confesso que eu nem piscava; as lgrimas rolaram pelo
meu rosto no momento em que Sabrina, protegida por Jesus e
pelos mdicos dos dois planos, recebeu o filho no seu ventre.
Nagi ajudava os mdicos na transferncia do embrio; aquela
relquia - o embrio - era colocado amorosamente no tero
de Sabrina.
O trabalho no parava ali, as equipes encarnadas e
desencarnadas iam continuar vibrando para a gestao chegar
ao fim em completo xito. Nagi  um dos mdicos do departamento
 da fertilidade e eu quis conhecer sua equipe: a irm Salete
 andrologista; o doutor Alexandre, geneticista, e outros mdicos
 que no me foi dado acercar-me deles, pois outra inseminao
seria feita.
- E agora, ainda h perigo de um aborto, doutora Salete?
- Sim, pode ocorrer. Mas temos f de que o organismo
material v alimentar bem o nosso irmozinho. Esperamos que
ele tenha fora suficiente para atuar, mesmo encontrando-se em
forma reduzida, e que parta em busca dos elementos que o fortaleam
 no plano fsico.
- Obrigado, irm.
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Assim, deixamos aqueles construtores da vida. com que
amor olhei a equipe encarnada e no me contive: beijei a mo
do chefe. Ele sentiu a vibrao e se emocionou, mas ainda mais
o meu corao, por constatar que ao mesmo tempo em que pssimos
 profissionais assassinam, os verdadeiros mdicos lutam
pelo direito de se viver. Benditas as equipes que cooperam com
o departamento da fertilidade! Que Deus as abenoe!
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 Captulo XXVII
A OPORTUNIDADE DA VIDA ENCARNADA
Aproveitando pequena pausa nos trabalhos, conversava 
com o doutor Zeus: ;
- Enquanto alguns homens criam mtodos de "mortes",
outros lutam pela vida. ||>
- Tem razo. A sociedade ainda desconhece o trabalho
cientfico dos bebs de proveta, concebidos in vitro
Fomos caminhando pelas ruas da movimentada cidade,
olhando os transeuntes. Observando um e outro, indagava para
mim mesmo como pode o homem no acreditar no mundo espiritual e viver to 
apegado  matria. Ser que algum ainda no
viveu o momento da despedida na estao da morte? No creio.
Todos os seres deste Planeta j compareceram a um funeral.
Chegamos a um belo palacete onde Maria Rita chorava
desesperada: a filha, Telma, estava grvida e o jovem pai da
criana se encontrava internado numa clnica de recuperao de
toxicmanos. Maria Rita conversava com a filha:
- Por que, minha filha, voc fez isso? Ns sempre lhe
demos tudo, voc abusou da nossa confiana.
- Mame, estou com quinze anos e todas as colegas da
229



minha idade j possuem vida sexual intensa. Eu s tive o Paulo
Jos, dei azar, esqueci de tomar a plula...
- E agora? O que posso fazer  lev-la at o doutor Lauro
e pedir-lhe um conselho. Vamos providenciar o aborto escondido
 do seu pai, pois ele no ir compreender essa gravidez. Voc
ainda  uma menina. Ir sofrer muito. Concorda comigo?
- Para mim tanto faz, s quero que o Paulo se recupere
logo.
Me e filha conversavam, mas ainda no sabiam que Paulo
 Jos estava com os dias contados: contrara Aids atravs das
picadas de cocana. Cocei a cabea, penalizado. Estaria aquela
menina condenada, assim como o seu beb? A doutora Kelly
respondeu  minha indagao:
- Muitas vezes os tcnicos acodem a tempo de isolar o
vrus, antes de ocorrer a fecundao.
- Mas com esta garota, eles conseguiram fazer algo?
- Sim. Nem a criana nem a me contraram a doena,
mas tememos que venham a sofrer as conseqncias de um
mundo repleto de preconceitos.
Ficamos mais uns dias prestando assistncia a Telma. Quando
 Paulo Jos piorou, avisaram a namorada que ele estava 
morte. Ao receber a notcia, a garota entrou em pnico e chorou,
no pelo namorado, mas pelo pavor de ter contrado a doena.
Comentei com Hpila:
- Antes de qualquer alerta sobre a Aids, deveriam as autoridades
 lanar uma campanha implorando queles que j estivessem
 desconfiados de ser portadores da sndrome, de evitarem
 a contaminao. Por que a Aids aumenta? Porque o portador
 da doena nada faz para evitar a contaminao de terceiros.
Muitos parecem at sentir prazer em contaminar multides.
230



 - Eu tambm acho. Todos aqueles que pertencem a algum grupo de 
comportamento de risco deveriam evitar um contato
 mais ntimo. Vemos maridos, noivos, namorados passando
a doena sem piedade para esposas e filhos.
- Que carma para quem faz isso, hem?!...
- Carma? Mais que carma. Quem no respeita o prximo
sofrer o "ranger de dentes".
Todos ns ali estvamos orando para que Maria Rita tivesse
um bom esclarecimento para no prejudicar a filha, que chorava em         
desespero. Pensei: "esses jovens so gozados: aprontam e depois
correm para o colo dos pais quadrados. Poucos possuem fora moral
 para enfrentar as conseqncias de seus atos".
Telma e Maria Rita tinham procurado o doutor Lauro e "
este, quando soube que o pai da criana agonizava num hospital,
 achou mais prudente o aborto. Telma fez o teste e, graas a
Deus, o resultado foi negativo. Mesmo assim, Maria Rita no
confiou no exame e levou a menina para abortar, como se, com
esse ato, pudesse apagar da lembrana Paulo Jos e a doena
que o consumia. Hoje Telma aborta; amanh arranjar outra gravidez.
 Est com quinze anos; at os trinta, quantos abortos far?
Desta vez a doena no penetrara no seu organismo, mas com a
vida livre e desequilibrada que levava, no sei, no.
- Por que no evitamos este aborto, Kelly?
- Porque nada iria fazer Maria Rita e Telma receberem
uma criana que no fosse saudvel. O homem, Srgio, brinca
com o sexo, dele abusa sem o menor respeito e, nesse
desequilbrio, vai semeando a dor. 
Conhecera mais uma reencarnao violentada; ali, simplesmente descartado, 
o diminuto corpo, como que fosse mero pedao de carne, no uma vida, e os 
enfermeiros divinos
231



prestando assistncia a mais um rejeitado.
Me e filha voltaram para casa, como se nada houvesse
acontecido, todavia na alma de Telma estava gravado o crime
cruel que cometera.
Paulo Jos desencarnou e Telma foi estudar na Europa. O
esprito que seria seu filho voltou para a Ptria-Me, onde recebia
 tratamento especial. Matam sem piedade e a Aids  mais
uma desculpa.
Fui alcanando a rua, querendo respirar, mas dentro de mim
sentia vontade de gritar aos jovens, pedindo, pelo amor de Deus,
que no faam loucura, mantenham a dignidade e sejam felizes.
Mas, que nada. As garotas andam quase nuas e cedo j so
freqentadoras dos motis da vida. Umas, por dinheiro, para
vencer na vida; outras, para aproveit-la, todas morrendo a cada
minuto, pois quem perde a inocncia morre pouco a pouco. Por
que as autoridades no elucidam as jovens sobre os perigos que
podero correr? Os filmes, as novelas no ensinam o desrespeito
  famlia, a violncia, o consumo de drogas e de lcool? As
meninas so as mais fceis presas desse modismo. A verdadeira
mulher-irm, mulher-me, mulher-filha est desaparecendo.
Hoje, a maioria est sendo fmea, somente fmea.
- Est amargo, Luiz.
- Estou, sim, muito amargo. Como posso ficar alegre
quando presencio pessoas que amo entrando nessa de sexo livre?
 Vejo o desrespeito  famlia, ouo sussurros de dor e tristeza...

- Bem, agora vamos voltar ao mundo espiritual.
- Acabou o nosso trabalho aqui?
- Sim, s falta visitarmos as casas-lares e os hospitais
espirituais para ver como esto os rejeitados.
232


- Gostaria de visitar essa menina, filha de Paulo Jos.
Ser que ela nasceria com o vrus?    
- No, ele foi isolado pelos construtores espirituais. Amanh iremos at 
l, hoje, cada um est livre para visitar suas colnias e casas.
Nada falei, queria ficar quieto, longe de todo o mundo.
Sentia um vazio dentro de mim, era a dor de ver muitos homens
e mulheres jogando fora a grande oportunidade da vida encarnada e 
desconhecendo Deus, que  bondade.
Assim, fui para minha casa. Que emoo senti ao chegar
ao meu chal todo florido! A tia Ana e o vov me receberam
com afetuosos abraos. Olhei tudo com admirao e agradecimento.
 Enquanto esperava o tempo passar, para me refazer, peguei meu violo e 
cantei esta cano:
No corra, meu jovem,
No corra, no.
Cuidado com a contramo
Hoje vejo voc correndo
...      E tudo querendo,
Sem meditar.
Cuidado, meu jovem,
A vida vai-lhe machucar.
No corra, no corra, no.
L fora pode ser bonito
Mas o que est escrito
Est em nosso corao.
No corra, no corra, no.
Lute para viver com Deus
Junto a cada um dos seus
No corra, no corra, no.
Cuidado, no ande em contramo.
233



Depois do merecido descanso, voltei ao grupo de ajuda
aos rejeitados. com imensa preocupao ao presenciar tantos
assassinatos, esforava-me para melhor compreender a alma
humana, principalmente quando presa da matria. Antes de sairmos
  luta, fomos at a Praa da Luz e l oramos e entoamos
hinos em louvor a Deus. O meu esprito viu-se reconfortado.
Entreguei-me de tal maneira  prece, desejando que ela me tirasse
 todas as preocupaes, que me encontrava esttico.
- Srgio, vamo-nos juntar ao grupo, despertou-me Llis.
Nada disse, s a segui. O grupo preparava-se para descer
mais uma vez ao plano fsico. Confesso que gostaria de ir mais
uma vez  Colnia dos Rejeitados, queria ver a luta dos enfermeiros
 divinos com estas criaturas que os encarnados matam
sem piedade. Hpila, captando meus pensamentos, falou-me:
- Srgio, hoje iremos at o plano fsico tentar conscientizar
 as autoridades a tomarem providncias urgentes contra as
clnicas abortivas.
- Ser, irmo, que vai surtir efeito?
- A falta de esclarecimento espiritual faz do homem um
ser sem corao. Se desde o bero ele fosse elucidado sobre a
vida e a morte, no veramos tanto desrespeito  vida, mas muitas
 religies s sabem atacar o Espiritismo como se a Doutrina
fosse uma fbrica de fanticos religiosos. Ela tem o carter religioso
 devido aos movimentos da caridade e o aspecto filosfico
para a reforma ntima do homem.  tambm cientfica, pois ensina
 ao homem a fisiologia dos seus corpos para se conhecer e
se respeitar. Infelizmente, isso no se aprende na escola e em
poucos lares  chama viva. Se todos os encarnados recebessem
orientao segura do mundo espiritual, no cometeriam tantos
234



crimes. O homem finge ignorar que um dia ter de repousar em
um tmulo; no so os espritos que criam os cemitrios ou as
enfermidades, todos esto sujeitos  doena e  "morte". Por
que culpam os espritas, chamando-os de feiticeiros? Simplesmente,
 porque a Doutrina apresenta verdades que preferem desconhecer.
  mais fcil abraar o vcio, do que a f, que o coloca
em igualdade com os seus semelhantes. Se o jovem desde cedo
aprendesse a respeitar as leis de Deus, tambm respeitaria as
leis da sociedade. Muitas famlias s ensinam os filhos a amar a
Mamom e a lutar pelo seu prprio espao, nem que para isso
tenham de plantar dores, lgrimas e tristezas. A filosofia de vida
que os espritos nos ensinam torna-se de difcil aceitao quando
 possumos um esprito egosta, avaro, orgulhoso e fraco.
Realmente,  mais fcil atacar a verdade do que viv-la.
'- Quer um exemplo simples, Luiz Srgio? O homem,
quando dirige um veculo, em geral, julga-se dono da situao:
ultrapassa, d fechadas, grita, diz palavres, faz gestos obscenos,
 enfim, esquece que Deus ofereceu o conforto para tornar
menos dura a vida na terra, onde cada ser est de passagem,
cumprindo apenas uma tarefa encarnatria. Voc conhece algum
 que tenha ultrapassado duzentos anos no corpo fsico?
Portanto, por que fugir da verdade, ignorar que um dia teremos
de deixar o corpo de carne para trs e fazer a viagem de regresso
 espiritualidade? Por que zangarmos com quem est tentando
acertar atravs da Doutrina Esprita e no buscarmos os devidos
esclarecimentos? No precisamos nos tornar espritas, ou melhor,
 conhecedores da Doutrina consoladora, o que precisamos
 nos melhorar e tornar a Terra um planeta de paz. Se no nos
interessa o que nos vai acontecer depois da "morte", que possamos
 viver como encarnados com toda a dignidade. Se no 
235


queremos respeitar as leis de Deus, ao menos respeitemos as leis
da sociedade que adoramos, porque, se existem seqestros, assassinatos,
 furtos,  porque o homem  egosta. Se todos lutassem
 pela fraternidade entre os seres, da Terra seria banida a dor.
A cada dia o homem mais se apega ao materialismo e julga-se
um rei, pisando, matando e traindo o seu prximo e a si mesmo.
Os hospitais esto lotados de seres com as mais variadas doenas,
 que existem para que o homem se conscientize da fragilidade
 do seu corpo fsico e deixe um pouco de pensar na matria,
buscando a vida espiritual, nica vida eterna que possumos. O
esprito existe,  s buscarmos em ns mesmos e indagarmos de
onde viemos e para onde iremos. Como pode a natureza ser to
bela? Desde o nascimento at a morte, tudo tem uma razo de
existir e todos ns temos de obedecer ao plano de Deus. Ignorar
a morte e a importncia da vida  ser demais covarde, pois ela
palpita em ns desde o tero materno. Se Jesus pedia ao homem
"busque a verdade e ela lhe salvar", por que fugimos das coisas
 boas e buscamos cada vez mais a dor e o remorso?
- Um dia, Hpila, perguntei a Jac o que ele achava das
guerras. Ele me respondeu: "por que matar, se a doena mata?"
Ele tem razo. Todos ns teremos de devolver  terra o corpo de
carne e queira Deus que nesse dia j estejamos libertos dele.
Sabemos que muitos materialistas, ao desencarnarem, apegam-se
 ao seu corpo fsico relutando em enfrentar a verdade. s vezes,
 amigo, sinto vontade de gritar para todos os maus, os avaros,
 os orgulhosos, os egostas: "parem, meditem, procurem o
esclarecimento sobre a verdadeira origem do homem e no errem
 tanto! Busquem os depoimentos daqueles que venceram a
"morte"; livrem-se, enquanto  tempo, de tudo o que os distancia
 de Deus. Os vales de sofrimento so terrveis e se no corpo
236



 fsico buscarmos as volpias do sexo, dos vcios, da vaidade, do
dio, da vingana, teremos por companheiros os piores espritos
 e eles viro nos buscar no tmulo para, com eles, desfrutarmos,
 mesmo desencarnados, dos vcios de que ramos prisioneiros.
 E a inicia-se a tortura de uma conscincia."
Silenciei, para em seguida acrescentar:
- Perdoe, amigo, mas hoje estou preocupado com os encarnados,
 principalmente com os jovens que vivem somente
apegados  matria. Muitos nada realizam de til, s dizem que
esto aproveitando a vida. Pobres coitados! Um dia tero de
trabalhar para poderem parar de sofrer.
Hpila, sorrindo, respondeu-me:
- Tudo no Universo obedece a leis precisas que a tudo
comandam, para uma nica finalidade: a evoluo.
- Mas o homem gosta de viver em desarmonia, sem reparar
 o que existe ao seu redor.
-  isso, amigo. Vamos em busca do homem.
No plano fsico, amos at um lugar onde os jovens se divertiam.
 No entendi. O nosso grupo era de socorro aos rejeitados...
 agora, buscar os locais de consumo de drogas achava eu
que era tarefa dos Raiozinhos de Sol. Mas, que nada! L os
mdicos olhavam aqueles meninos consumindo cigarro, maconha,
 lcool, cido e ela, a branquinha, com tanta tranqilidade,
como se estivessem chupando pirulito.
- E as autoridades nada fazem?
- Acho que falta no Brasil um apelo popular, vindo das
mes, num grito de socorro.
A faixa etria era de quatorze anos para cima. Meninos,
garotas, jovens e senhores, todos eles consumindo txicos. Interpelei 
Alosio:
237



 O Brasil deve tambm levantar o trofu do pas da droga?

- Provavelmente, Luiz Srgio. Adroga est tomando conta
do Pas. Se as autoridades no abrirem os olhos, logo ser difcil
conter o seu domnio.
Bem ali, no centro daquela grande cidade, o txico era consumido
 com a maior tranqilidade. Meninos pobres disputavam
guimbas de maconha e tambm cheiravam cola de sapateiro.
Primcias de uma sociedade sem esperanas. Os mdicos examinaram
 seus corpos fsicos e, pelo olhar desanimado que lanaram,
 compreendi que dificilmente aqueles consumidores de
droga agentariam muito tempo. De repente, uma menina comeou
 a passar mal. Corremos para perto dela e percebi que seu
ventre abrigava um feto de aproximadamente quatro meses. A
compreendi o porqu da nossa ida quele local. A turma encarnada
 demorava a prestar assistncia  jovem, que j se debatia
em grande desespero, quando resolveram lev-la ao hospital mais
prximo.
Enquanto o corpo fsico recebia o tratamento terrqueo, o
esprito de Liliane lutava contra os trevosos que, agarrados a
ele, disputavam as emanaes da coca. Triste quadro. O mentor
espiritual da jovem tudo fazia para livr-la dos vampiros, mas a
sua mente, impregnada de vibraes baixas, permitia que aqueles
 espritos inferiores a dominassem de tal maneira que nos
vimos quase impotentes diante deles. Como brigavam entre si!
Liliane, sentindo-se asfixiada pelos vampiros, gritou:
- Jesus, Jesus, me salve!
Nesse exato momento pudemos ajud-la, ns e o seu mentor
espiritual. Os mdicos encarnados no sabiam que junto a eles
uma equipe de Jesus esforava-se para Liliane no desencarnar;
238



mas um trevoso quase a arrancara  fora do corpo fsico. A
gengiva de Liliane era o ponto preferido dos doides
desencarnados. Quando ela voltou ao corpo, este logo reagiu,
graas  ajuda de Zeus, Kelly e Isis - esta ltima cuidava da '
criana, que foi isolada da overdose de coca e de lcool.
- Ela deseja o filho? perguntei.
- Ignora que est grvida, mas agora, depois do aperto,
dificilmente far um aborto.
- No sei, no. Elas esquecem cedo.
- Engana-se. Liliane jamais vai esquecer a disputa dos 
trevosos, lembrar sempre aquelas mos lutando pela sua posse,
mas tambm o lado bom: Jesus e Seus mensageiros, dizendo:
"volte e salve a sua alma para viver em paz". (
Fui o primeiro a sair daquele local; os mdicos ali ficaram. ,
Busquei o jardim do hospital, onde orei por todos os viciados:
- Deus, Vs criastes o Universo, com suas galxias e planetas, tudo 
obedecendo a uma disciplina. Tudo, Senhor, existe
graas a Vs. E o ser humano, Senhor, por que no disciplina a
sua mente para as coisas boas? Fazei, Senhor, com que o viciado se 
conscientize do seu valor, se ame, correndo da destruio 
dos txicos, que ele viva longe do vcio, que mata sem piedade.
Onde estiver um viciado, fazei com que a Vossa luz o cubra,
ocultando-o dos traficantes. Se alguns deles chegarem ao plano
espiritual antes do tempo, no permitais que espritos menos
esclarecidos os levem para as suas organizaes. Ajudai, Senhor,
 a todos, dando-lhes foras para dizer "no" antes que seja
tarde. No os deixeis, Senhor, perdidos nos vales da sombra e
da morte; dai-lhes a razo, a luz e o amor, para que tenham
fora para bem discernir e no se deixarem levar pelas iluses
do momento. Amparai-os hoje e sempre, Senhor.
239


Captulo XXVIII   ; ;
A SEMENTE HUMANA DEVE CONTINUAR
Samos dali levando no corao o agradecimento a Deus.
Sou muito grato a Ele por ter-me ofertado a vida.
- Srgio - disse Zeus, agora vamos at a nossa Casa
Esprita para entregar um relatrio  equipe de Nagi.
Como a conferncia s se iniciaria  tarde, muitos aproveitaram
 para descansar. Eu no; achei mais prudente visitar a
Casa e com que prazer reencontrei vrios amigos, chamando-me
 a ateno a enfermaria repleta de doentes. Ningum pode
imaginar o que se passa do outro lado de um Centro Esprita.
Julgam que s a parte fsica funciona, no sabendo que na parte
espiritual o movimento  imenso, com seus departamentos Llotados.
 No posto de emergncia, encontravam-se trs jovens
recm-desencarnados por acidente de moto. "To jovens!", pensei.
 Fatalidade, alguns diro; mas alm da lei do carma existe a
imprudncia, a sede de dominar a "mquina". Alisei a cabea
daqueles meninos e orei por eles e seus familiares, que deveriam estar 
sofrendo muito. Conversei com Mariette, Magnlia e
Priscilla, que prestavam ajuda aos recm-desencarnados, aguardando os 
grupos de socorro, para encaminh-los s casas transitrias.
241



- Irm Magnlia, este posto vive lotado, no  mesmo?
- Sim, ultimamente os desastres coletivos requerem o
nosso socorro e esta Casa  de real ajuda aos desencarnados.
Participei da prece e me emocionei quando Priscilla abriu
o Novo Testamento e muito bem explanou os seguintes trechos:
- Bem-aventurados os que choram - isto no se refere
queles que vivem lamentando-se ou que andam irritados, de
mau humor. Isto se refere aos que sentem verdadeira tristeza
pelos erros cometidos e que suplicam a Deus o Seu perdo. O
Senhor tambm nos diz:
Tomarei o seu pranto em alegria, e os consolarei, e
os alegrarei na tristeza, em Jeremias, Captulo XXXI, v. 13.
Bem-aventurados os mansos. Aprendei de mim, que
!    sou manso e humilde de corao, e encontrareis descanso
para vossas almas, em Mateus, Captulo XI, v. 29.
Ningum melhor que o Mestre ofertou exemplos de amor
e humildade. Foi to manso que no retribuiu as ofensas recebidas
 dos Seus algozes. Se Cristo viveu as Escrituras, por que no
fazemos o mesmo? O manso, embora maltratado, no retribui
as ofensas recebidas. Bem-aventurados os misericordiosos. Ser
misericordioso  tratar os outros melhor do que merecem. Devemos
 ter misericrdia para com os erros alheios, sem criticlos;
 todos ns somos filhos de Deus. E Paulo foi muito feliz ao
nos ensinar em sua Epstola aos Efsios, Captulo IV, v.32:
Sede uns para com os outros benignos, misericordiosos,
 perdoai-vos uns aos outros, como tambm Deus nos
perdoou em Cristo.
242



Priscilla dava queles doentes lies divinas, e muitos deles
 choravam ao encontrar-se com Deus. Felizes daqueles que
pregam o amor ao prximo, dando-lhes a oportunidade de conhecer
 Jesus. O explanador do Evangelho tem de se conscientizar
 de que o exemplo  a luz do esprito.
Despedi-me dos amigos e cheguei ao salo onde o doutor
Nagi ia receber o nosso relatrio sobre o que fizramos junto
aos rejeitados. Antes, assistimos a um filme do departamento,
algo sobre a fecundao, o momento em que o espermatozide
e o vulo formam o ovo, a corrida de milhes de espermatozides
buscando uma nica clula, e os outros, que no a atingiram,
formando o grupo protetor do ovo. Tambm assistimos a esses
fluidos se interpenetrarem, no pelo processo da ovulao, mas
fazendo parte da vida do ovo, espalhando-se por ele, formando
uma aura protetora, como se fosse um ovo quebrado, sendo a
gema, o ovo, e a clara, os espermatozides mortos.
O filme mostrava o perigo de burlarmos as leis da Natureza.
 No agentava de curiosidade e falei  doutora Kelly:
- Est certa a teoria: nada se perde, tudo se transforma.
At mesmo os espermatozides que no alcanam o vulo so
aproveitados, a partir deles  que tem incio a formao do duplo
 etrico do reencarnante.
243



-ANatureza  sbia, Luiz Srgio. Sabemos ns que quando
 a ejaculao  fraca, a mulher tem dificuldade de engravidar.
- E esses caras matando sem piedade, apenas movidos
pela ganncia!...
Nisso, Nagi entrou no auditrio e ns, cabisbaixos, oramos
 em silncio, aguardando o seu pronunciamento.
- Deus seja louvado. Pedimos ao Criador amparo para as
Suas criaturas, para que o homem se liberte da ignornciae desperte
 para as verdades espirituais, somente assim cessar a violncia na
Terra. Ela existe, porque o homem est cego de egosmo,  espera
dos bens temporais. Ignora a fraqueza fsica, a destruio do corpo
fsico e foge das verdades da alma; acha mais fcil lutar para construir
 um mundo irreal, do que fortalecer o esprito para viver em
paz. Cada vez mais, busca o conforto, nem que para obt-lo tenha
de destruir sonhos, violentar esperanas e matar sem piedade. Enquanto
 isso o Senhor faz descer  Terra, de vrias maneiras, os chamados;
 e o homem, ainda que convivendo com a dor, a lgrima e o
desespero, no os escuta, continua apegado s coisas perecveis,
sua nica razo de viver. Como  possvel o ser encarnado julgar-se
dono da Terra? A Histria narra a passagem de muitos homens que
se destacaram, mas tiveram de tudo aqui deixar quando partiram,
levando apenas o que fizeram de bom, ou de mal, registrado em
suas conscincias. Mesmo assim, cuida o Senhor das Suas criaturas,
 apesar de algumas s desejarem servir a Mamom, porque este
no nos pede candura, respeito, amor ao prximo e caridade. Mamm
faz crescer em ns a vaidade, o egosmo, o orgulho, a maledicncia.
Ele  terrvel. Coloca em nossos olhos a venda chamada ignorncia,
que faz com que distantes fiquemos dos verdadeiros valores, os
valores espirituais. Posio social, fortuna, poder, beleza, nada 
eterno, tudo deixamos no plano fsico, menos o que  de Deus: o
244



nosso esprito. Feliz daquele que se apresenta irradiante de valores
morais diante do Senhor. Se o homem desfruta as belezas terrenas,
bem ao seu lado, visveis, palpveis, esto os lugares de sofrimento:
os hospitais, os cemitrios, as ruelas das cidades com os viciados, a
prostituio, as crianas abandonadas, os mendigos, a fome, a dor e
o desespero. Fingir que no os percebe  egosmo e queira Deus os
orgulhosos despertem, ainda no plano fsico, para no sentirem na
alma o peso do remorso quando chegar sua vez de prestar contas ao
Senhor. Ningum est preso ao invlucro carnal somente para se
divertir, para viver a vida; todos os encarnados tm de obedecer aos
planos de Deus. Vimos  terra para cursar a universidade da vida,
aprendermos a ser bons. Se aqui chegamos e faltamos s aulas, fugimos
 do aprendizado, ignorando o maior dos mestres: Jesus Cristo.
 No tendo fora para colocar os ps nas Suas pegadas, preferindo
 o falso mundo da matria, teremos pela frente longos dias e longas
 noites longe do "paraso", que representa a paz da conscincia.
'- Somos pequenos obreiros do Senhor, sempre partindo em
busca de trabalho. Hoje estamos empenhados em segurar as mos
dos aborteiros, dizendo a todos eles: "no matem, deixem viver os
pequeninos!" No sabemos se seremos ouvidos, mas tudo faremos
para que as mulheres fujam desses monstros sanguinrios que, por
dinheiro, tentam intervir nos planos divinos da reproduo dos seres.
 Eles so cada vez mais numerosos, mas Deus, conhecendo-os
intimamente, porque tambm so Seus filhos, organiza equipes,
como a nossa, para prestar auxlio aos rejeitados.  um trabalho
banhado de dor e desespero, mas cada um do nosso grupo pode
dizer a si mesmo: 'graas Te dou, meu Deus, por tudo o que venho
recebendo'.  nossa frente, o interior do homem, reflexo das suas
deformaes espirituais levadas pelo egosmo e pela vaidade.
Defrontamo-nos com irmos duros, cruis, terrivelmente orgulhosos,
 mas tambm acolhemos em nossos braos espritos em forma
245



diminuta, indefesos, cobertos pela luz protetora do Senhor.
'- Foi-nos concedida a oportunidade de conhecer os construtores
 divinos, os tcnicos da reencarnao, as casas-lares, os mdicos,
 os cientistas, os abnegados enfermeiros, enfim, estivemos no
'cu' e no 'inferno' e chegamos  concluso de que Deus sopra em
todos os lugares e o Seu hlito de amor perfuma desde o paraso at
os charcos do dio e da maldade. Deus  bondade e, graas a Ele,
ns todos formamos uma corrente de f, lutando pelos retardatrios
que teimam em ficar abraados aos tesouros da terra, julgando que
o brilho das moedas de Csar  a verdadeira felicidade. No sabem
eles que o homem, para voar, tem de estar livre dos apegos da matria,
 transformar-se em esprito e verdade; s assim ele voar, livremente,
 como Deus o criou. Enquanto o ser humano adornar-se de
prpura, de seda, de ouro, de pedras preciosas, apegar-se s moedas,
 enfim, aos bens materiais, ficar preso  matria e sujeito s
vicissitudes da vida. E sofrer, porque, para ele, os bens temporais
so a nica meta a ser atingida.
'- O mundo do Senhor  uma plancie de esperanas, onde
as cascatas de luzes, as rvores floridas de bnos, os campos
verdejantes e perfumados de virtudes esperam o ser, dando-lhe a
verdadeira felicidade.  a volta do homem ao "paraso" celeste,
onde no entra o adeus, a dor, a doena, a lgrima; no "paraso", o
homem ressurge no seio paterno, amparado pela luz do amor, enfim,
  o filho prdigo de regresso ao lar, sendo comemorada a sua
volta com a festa da verdadeira alegria.  o dia esperado por
todos os espritos Ministros de Deus; at l, eles tero de requisitar
 espritos como ns, ainda repletos de imperfeies, mas
conscientes das verdades divinas, para compor os seus exrcitos
 de ajuda, que partem em direo aos sofridos, levando como
passagem a luz do Evangelho de Jesus.
246



'- Muitas horas estivemos diante de irmos nossos que abusaram
 da liberdade divina, o livre-arbtrio, e constatamos os seus
sofrimentos, as suas deformaes perispirituais e, mesmo assim,
oramos por eles, pedindo um despertar mais rpido, porque o que
desejamos  ver a famlia de Deus toda reunida, s assim Ele reinar
 no "paraso" junto a todos os Seus filhos. Enquanto isso, Ele
mandar sempre os Seus emissrios levarem as mensagens de alerta
 a todos aqueles que cumprem pena no reformatrio terrqueo.
Qual o pai que viver feliz deixando para trs vrios filhos nos vales
 de sofrimento? Ningum poder ficar distante deste trabalho.
'- Estamos diante do abuso do aborto, constatando que muito
 ainda se mata na Terra, principalmente espritos indefesos que s
pedem: 'deixem-me viver'. Em qualquer trabalho que estejamos,
no esqueamos de buscar os rejeitados para dar-lhes o nosso amor.
Eles so milhares em todo o mundo. Ignor-los  um crime quase
to cruel quanto praticar o aborto. Vamos, irmozinhos, buscar sempre
 no fundo da alma o remdio para esse cncer que est tomando
conta de todo o Planeta. Se cerrarmos os nossos olhos, veremos
pequeninas mos no ventre materno pedindo socorro e por mais
que nos apressemos em socorr-las, os carniceiros chegam antes e
as estraalham com indiferena e ignorncia. Sabemos ns que os
abortados so irmos nossos pedindo vida uterina, vida fsica.
'- Foi muito bom trabalhar com todos, espero reencontrlos
 sempre. No deixem de recordar que em cada corao Deus
 presena; em alguns, Ele brilha atravs das virtudes, em outros,
 Ele est encoberto pela nvoa da imperfeio, mas em todos
 os seres, orgnicos ou inorgnicos, Deus  presena. No
meu corao Ele canta uma cano de ninar para todos os espritos
 que tm de sofrer a reduo perispiritual para poder nascer
de novo, pois o homem morre para nascer e nasce para crescer
em bondade e sabedoria. O ser humano  uma semente que a
247



ningum  dado o direito de impedir de germinar. O ser  luz
que no se consegue apagar; pode-se evitar que ela irradie no
cu ou na terra, mas apag-la, jamais. Felicidades, amigos. Nagi.
Ficamos alguns momentos de olhos cerrados, orando. No
palco, coberto de luz prateada, Nagi era um filho de Deus em
trabalho. A platia, em total silncio, agradecia a Deus a oportunidade
 concedida, para, logo em seguida, entoar este hino no
qual as nossas vozes, em sublime harmonia, eram um cntico de
louvor a Deus:
Vida, vida, vida dada por Deus,
Vida, vida, vida dada por Deus. ||
Eu respiro, graas a Vs, ']
Eu respiro, graas a Vs.
O meu corpo  divino,
Coberto de luz, ';
Todo ele se movimenta.
Graas Vos dou, Senhor
Eu penso, eu sorrio, eu sou to Vosso,
Meu Deus, '^
"' ' Sou gente, mas j fui uma flor
Que germinou do Vosso amor.
Meu Deus!
Enxergo, escuto e ando, graas a Vs,
> Meus Deus!
O meu corpo  um relicrio, graas, Senhor.
Sede de minha alma imortal
Sei que voltarei ao Paraso
 Vestido do traje nupcial.
Abraado por Vs serei,
Pai amado, Ser divinal. !
248




Em seguida, foi surgindo no palco o cortejo dos rejeitados,
 cantando esta cano:
No me mate, por favor
Eu preciso tanto de voc
Sou filho do Senhor,
Matar, por qu? }
S lhe imploro respeito,
Carinho e amor
Sou seu por direito, ? 
No me mate, por favor. ; 
Sou to pequenininho
Uma semente a germinar
Estou to sozinho
No pode me matar. ,
Deixe-me viver .
No seu ventre de mulher,
Eu preciso nascer, 
Diga que me quer.
Estou to guardadinho
No seu ventre de mulher ()
No mate, no.
Sou o pedacinho ;>
Do seu coraozinho
Me chame "filhinho"
No me mate, no.
Deixe-me nascer ,
Sou o perdo
.;, Preciso crescer.
Uma chuva de rosas orvalhadas de luz banhava o ambiente,
 enquanto as crianas cantavam. Na Casa de Maria, visivelmente
 emocionados, ouvamos os cnticos da vida.
249



- Por que os rejeitados se encontram aqui no Gfentro?
perguntei. ;   ,    ,
- Eles iro reencarnar em breve, Srgio. Esperamos que
ningum os mate.
- Meu Deus, como poderemos fazer uma campanha ferrenha
 contra o aborto?
- com as Casas Espritas unindo-se em orao, apresentando,
 uma vez por semana, um palestrante bem informado sobre
 o aborto, divulgando as mensagens dos abortados. Enfim,
contribuindo para destruir o trofu de campeo mundial do aborto
que paira vergonhosamente sobre o Brasil.
- Se os espritas no levantarem campanha acirrada contra
 o aborto delituoso, logo teremos a liberao deste crime covarde
 e cruel. Todos os mdiuns iro receber mensagem dos
abortados pedindo socorro, e est nas mos dos diretores dos
Centros a campanha contra o aborto.
- Tem razo, Srgio, se as religies no se unirem em um
grito de protesto, logo estaremos presenciando os crimes contra
a vida e nada mais podendo fazer - disse-me Anlia, que nesse
momento adentrou o ambiente.
- Irm, o aborto ser liberado no Brasil?
- Liberao, no creio, porm mascaramento, sim.
- Como? Explique-me.
- O brasileiro  muito inteligente, vendo que no consegue
 legalizar o aborto, ir procurar um meio de fazer a lei ser
aprovada pelo Congresso de modo a no chocar a populao;
buscar termos cientficos e a ser o fim, estaremos presenciando
 os assassinatos em massa em nossa Ptria. O homem ainda
ignora a beleza que  viver. Se cada encarnado buscasse em si
mesmo a presena divina, encontraria a verdade da vida. N
250



ningum conhece o seu interior, o corpo fsico  mquina que nem
mesmo o dono conhece o seu funcionamento, portanto, existe
uma fora maior que a criou. O desgaste dessa mquina, por
mais que dela se cuide, acontecer um dia, porque ela no 
eterna. Eterno  o seu condutor, cujo nome  ESPIRITO. Ent3o,
por que o homem encarnado se considera dono da vida? Vive
praticando atos que ferem os preceitos divinos, e um dos mais
terrveis  o assassinato. Ningum tem o direito de matar, pois
um dia todos tero de desvestir a indumentria carnal. A vida  o
maior dos direitos e a deciso sobre ela s pertence a Deus e
Ele, sendo bom, no mata. O aborto  um assassinato premeditado
 e quem o pratica ter de prestar contas a Deus.
- Irm, mas existem mulheres sem condies de criar seus
filhos...
- Existem sim, Srgio, mas no so essas mulheres as
que mais abortam, mas as das classes mdia e rica. A sociedade
tem por obrigao criar condies para que as pessoas no faam
 opo pelo aborto. A culpa de uma criana ser abandonada
 de uma sociedade sem Deus. Por isso ns, os espritos
desencarnados, pedimos aos Centros Espritas que pratiquem a
caridade, sem ela seremos tmulos caiados por fora, mas infectos
por dentro. O estudo leva o esprito a buscar o seu prximo,
porque quando reformulamos nossa vida encontramos Jesus. Ele
no est enfeitando os templos de pedra. Ele caminha at hoje
ao lado dos oprimidos, dos doentes, dos famintos, dos
desabrigados. Quem deseja servir o Cristo tem de vestir a tnica
da verdade e semear as sementes do amor por onde passar. No
acreditemos naqueles que s querem dirigir o seu semelhante.
Tomemos o exemplo de Jesus, que no nos chamou de servos e,
sim, de amigos. Todas as Casas Espritas deveriam sair  rua em
busca dos desvalidos e transformar os seus locais de trabalhos
251



espirituais em Casas do Senhor, onde ningum sinta vergonha
de bater  porta. Sobre o aborto no encontramos justificativa
que o favorea.
- E aqueles que so portadores de deformaes?
- Os fetos com defeitos fsicos ou mentais merecem tambm
 viver e muitas vezes mais que os normais. Eles voltam, porque
precisam de amor para possurem novamente corpos sadios. Para a
espiritualidade, vida  sempre vida, e ningum, mesmo sob a proteo
 de uma lei feita pelos homens, tem o direito de matar.
- E os estupros?
- Nem assim. Para a mulher verdadeira no importa de
que modo foi concebida a criana, importa que ela  sua e que
tudo deve fazer para que o seu filho cumpra a tarefa divina que
lhe foi destinada.
Quantas lies trazia-me Anlia!
- Quando encarnada a irm teve filhos?
- Tive sim, Srgio, fui me de muitas crianas. Eu as amei
como se minhas fossem. Elas no nasceram do meu ventre, mas
do meu corao.
Despedimo-nos, mas o perfume do corao de Anlia permaneceu
 junto a ns. Esta grande mulher labutou na Doutrina,  muito
conhecida no meio esprita, em So Paulo, onde viveu o Evangelho
de Jesus, e em todo o Brasil. Uma grande mulher. Alm de tudo,
uma das maiores educadoras de que se tem notcia.
Assim, voltamos para as colnias da espiritualidade. Antes,
 fomos at o Departamento do Trabalho, onde reencontrei
252



Saturnino. com detalhes colocamos os irmos a par do que vinha
 ocorrendo no plano fsico. Convidados fomos a comparecer
ao salo nobre "Bezerra de Menezes" e ali recebemos a visita de
frei Luiz e Loreta. Muito carinhosos, agradeceram-nos a ajuda,
e Zeus falou em nosso nome:
- Irmos, ningum pode imaginar o que vem ocorrendo
no plano fsico. Se as autoridades no tomarem providncias
urgentes, logo no mais existiro crianas encarnadas. Deparamos
 com a violnciados pais, a indiferena das mes entregando
 os filhos s babs e estes morrendo de carncia afetiva. Presenciamos
 na camada mais pobre da populao os prprios pais
estuprando os filhos. E ainda algo mais grave: alguns pases
servindo-se da ganncia do homem, fazendo com que estes seres
 sem Deus lhes entreguem pequenos seres para serem sacrificados,
 em busca de seus rgos. Os pases pobres devem defender
 as suas fronteiras, conscientizando-se de que a criana carente
 tambm pode ser feliz e ningum tem o direito de matlas.
 As autoridades precisam urgentemente defender as crianas,
 no s as j nascidas, como as que esto pedindo para reencarnar.
 Muitos fatos ainda sero revelados.
Frei Luiz lamentou:
-  triste, muito triste, o que vem ocorrendo no plano
fsico. Oramos diariamente pela paz de todos, mas ela fica distante
 enquanto o homem no amar como Deus nos ensinou em
Jesus. Queridos irmos, espero contar com todos neste trabalho
de socorro  criana; vocs, que presenciaram o desespero delas,
 sei que jamais esquecero de correr em seu auxlio.
- Frei Luiz - perguntou Llis - por que as autoridades
no socorrem as crianas, oferecendo-lhes escola, hospital, enfim,
 protegendo-as?
253



- Porque, minha irm, criana para muitos  ser sem personalidade,
 quase sem alma. No sabem que na criana a sensibilidade
  mais apurada e que ela precisa de amor para crescer
em paz.
- O que me assustou foi a violnciamoral praticada contra
 as crianas, aduziu Llis.
- Logo, se Deus quiser, uniremos nossos sonhos fazendo
deles belas realidades, teremos uma infncia feliz e uma juventude
 sadia; at l, vamos socorr-las, no importa se numa manso
 ou num casebre. Elas necessitam de algum que as defenda,
no com armas, ou violncia, mas tratando-as como irms necessitadas
 de amor e respeito.
- Frei Luiz, e o trfico de crianas que est ocorrendo na
frente de toda a sociedade, e ningum faz nada?
- Engana-se, Luiz Srgio, logo explodir um tremendo
escndalo e conheceremos quem est utilizando esses seres inocentes
 para as suas ganncias pessoais. At l, vamos orando;
nunca o mal venceu o bem. Agora preciso retirar-me, meus filhos,
 desculpem - acrescentou, fitando-nos com aqueles olhos
que pareciam sorrir.
Ele e Loreta recolheram-se. Ns, o grupo composto de
Misael, Zeus, Alosio, Amintas, Kelly, Hpila, Llis e eu, ali
estvamos depois de mais um trabalho na Crosta da Terra.
Comeamos a nos despedir uns dos outros. Quando abracei
Hpila e Alosio, os meus olhos marejaram de lgrimas, ramos
 amigos despedindo-se. Fiquei sozinho. Olhei para o alto
e me pareceu que o orvalho de Maria fazia-me companhia.
Analisei todo aquele local to conhecido por mim. Quantas
vezes viera at ele em busca de trabalho!... Tudo me pareceu
254



muito familiar e recitei esta prece: *
- Senhor Jesus, por bondade, a pregao do Evangelho
foi confiada a homens falveis e no aos anjos, para que compreendssemos
 que precisamos conviver com a dor, o erro e
o desespero, para sermos animados a crer que o poder  de
Deus e que s auxiliando o prximo poderemos auxiliar-nos
tambm; e que devemos compadecer-nos dos ignorantes e "_
daqueles que erram. Agradecemos, Senhor, aos Teus Benfeitores Espirituais 
que nos oferecem trabalho, trabalho este de
Te apresentar s almas perplexas pela dvida, opressas pelas         
fraquezas, dbeis na f. Chegamos a elas como homens que
somos mas colaboradores dos anjos celestes, para levar at
os homens as verdades deste mundo onde vivemos. Eles se }
comprazem, Senhor, de poderem falar por meio de nossa voz,
pois sopraremos onde um livro nosso se fizer presente. Como
chamaste os pescadores da Galilia, Senhor, chamas ainda os 
trabalhadores de boa vontade, e feliz de quem Te ouvir. 
Desejo, Senhor, que aqueles que me buscam possam compreender
 as minhas palavras e que cada um seja aquinhoado com o
poder divino, e que Tu, Senhor Jesus, possas habitar em cada         
corao, para que o homem se tome proficiente no bem. No          
me deixes sem trabalho, Senhor, quero sempre abraar cada          
companheiro, lembrando-lhes que quando Tu chamaste os       
apstolos, conhecias as limitaes de cada um deles, mas no
dia-a-dia, contemplando a Tua ternura, aprenderam as lies
da humildade e da pacincia. Abriram o corao e tornaram-se
 no somente ouvintes, mas cumpridores das Tuas palavras.
Portanto, Mestre Amado, sei que no Te afastars de ns por
causa das nossas fraquezas e dos nossos erros. Senhor, peoTe
 por toda a Humanidade, principalmente pelos mais
255



endurecidos, para que eles despertem; que as vendas do orgulho e
da ganncia se desprendam de seus olhos e que Tu, Senhor,
surjas, mais uma vez, em busca de todos os Teus irmos. Assim
 seja. ,,,;,..
Saturnino me aguardava. Abracei-o e fomos saindo. Quando
 chegamos ao ptio, ele me falou:
- Luiz Srgio, se desejares um novo servio, procura-me
daqui a quinze dias. Pedi a Maria que sejas porta-voz de um
novo livro.
Quase pulei de alegria, mas somente o enlacei, chorando
de felicidade por ter um dia encontrado Jesus e ter tido Ele pacincia
 com os meus erros, abrigando-me na Sua Seara.
- At breve, irmo.
>    Ele me respondeu:
- At logo mais, quando as revelaes voltaro a compor
um novo livro.
 Fui saindo, acenando-lhe, quando dei um encontro com o
querido Palrio.
- Que  isso, menino! Ainda no aprendeu a andar devagar?

- Palrio! Voc continua meu amigo e protetor, hem?
Pegue-me em seus braos-asas e me conduza ao pas dos sonhos.

256



- com todo prazer eu gostaria de te levar para o Paraso,
mas antes temos de lavar a nossa veste no sangue do Cordeiro;
depois, s depois,  que chegaremos l. At ento, vamos pegar
o basto do trabalho e aplainar o caminho.
Assim, eu e o amigo Palrio voltamos para nossa casa.
A voc, leitor, que esteve comigo neste pequeno livro, agradecido
 fico por tanto carinho e o convido para um novo aprendizado.

At l.
Fique com Deus.
Eu amo voc. ;
Luiz Srgio
257


Obras do Esprito Luiz Srgio "
O mundo que eu encontrei - Psicografado por Alade de Assuno e Silva
Novas Mensagens - Psicografado por Alade de Assuno e Silva
Intercmbio - Psicografado por Alade de A. e Silva e Lcia M. S. Pinto
Na esperana de uma nova vida - Psicografado por Irene Pacheco Machado
Ningum est sozinho - Psicografado por Irene Pacheco Machado
Os miostis voltam a florir - Psicografado por Irene Pacheco Machado
O vo mais alto - Psicografado por Irene Pacheco Machado
Um jardim de esperanas - Psicografado por Irene Pacheco Machado -
Mos estendidas - Psicografado por Irene Pacheco Machado
Conscincia - Psicografado por Irene Pacheco Machado 
Chama eterna - Psicografado por Irene Pacheco Machado
Lrios colhidos - Psicografado por Irene Pacheco Machado ._
Driblando a dor - Psicografado por Irene Pacheco Machado
Deixe-me viver - Psicografado por Irene Pacheco Machado 
Dois mundos to meus - Psicografado por Irene Pacheco Machado 
Cascata de luz - Psicografado por Irene Pacheco Machado
Na hora do adeus - Psicografado por Irene Pacheco Machado
Universo de amor - Psicografado por Irene Pacheco Machado
Amigo e Mestre - Psicografado por Irene Pacheco Machado .
Ensina-me a falar de amor - Psicografado por Irene Pacheco Machado
Mais alm do meu olhar - Psicografado por Irene Pacheco Machado ^
Obras de autores diversos psicografadas por IRENE PACHECO MACHADO '
Dilogo com Jesus - Pelo Esprito Francisca Theresa
Reflexes de Jac - Pelo Esprito Jac 
Ns amamos voc - Por Espritos diversos
Reflexes de Jac II - Pelo Esprito Jac ^
Por que as lgrimas? - Por Espritos diversos
Alicerce da F - Pelos Espritos Lzaro Jos e Joo Batista
Sonhos & Realidades - Pelo Esprito Jac
Uma rosa em meu caminho - Pelo Esprito Roslia 
Coraes amigos - Por Espritos diversos -
Cntico de paz - Pelo Esprito Jac
As flores tambm choram - Pelo Esprito Jac 
O Gnesis - Pelo Esprito Ceclia (Srie A Bblia na Linguagem Esprita - 
Vol. 1) 
xodo - Pelo Esprito Ceclia (Srie A Bblia na Linguagem Esprita - 
Vol. 2) ,
Levtico - Pelo Esprito Ceclia (Srie A Bblia na Linguagem Esprita - 
Vol. 3) , '
Nmeros - Pelo Esprito Ceclia (Srie A Bblia na Linguagem Esprita - 
Vol. 4)
Deuteronmio - Pelo Esprito Ceclia (Srie A Bblia na Linguagem 
Esprita - Vol. 5)
Obras de autores diversos
O Barco de Maria - Maurcio Maa Soutinho
Conquista do Reino - Joo J. Moutinho
A Longa Estrada - Jab Sousa Silveira e Maurcio Maia Soutinho '
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 Nesta 21a. obra, Luiz Srgio traz importantes orientaes para
a juventude, abordando temas que tambm muito interessaro pais e
educadores: evangelizao infanto-juvenil, famlia, drogas, gravidez
precoce e muitos outros. Este livro  um grito de alerta para o homem
encarnado, pedindo-lhe que lute pela dignidade e para livrar-se do
apego s coisas materiais.
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Gnise
Primeiro volume da Srie A Bblia na Linguagem Esprita,
explica cada passagem do livro Gnesis sob a tica esprita,
constatando que aquilo que os livros doutrinrios nos ensinam se
encontra em cada uma das pginas do mais importante livro do Planeta-
 a Bblia.
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Quarto volume da Srie A Bblia na Linguagem Esprita,
explica cada versculo do quarto livro do pentateuco bblico: Nmeros.
 Mais do que simples enumerao de algarismos, esta  uma obra
repleta de fatos espritas, narrados nas obras bsicas da Codificao.
Adquira tambm os demais volumes da Srie A Bblia na Linguagem
Esprita.
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Esta obra de Luiz Srgio relata cada versculo do Sermo da
Montanha, o cdigo moral da Humanidade, e tem como objetivo
mostrar ao leitor esprita a fidelidade do Cristo ao Antigo Testamento,
 quando, no Sermo do Monte, disse aos escribas e fariseus: no
vim destuir a lei e os profetas, mas dar-lhes cumprimento (Mateus,
aP-     > v-       ) ATENDEMOS PEDIDOS PELO REEMBOLSO POSTAL
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MAURCIO MAIA SOUSA SILVEIRA
Este volume, de leitura valiosa para todos aqueles que
adentram a Doutrina Esprita, rene histrias da profcua mediunidade
 de Irene Pacheco Machado, suas experincias na longa estrada da
mediunidade e das coisas espirituais.  um livro repleto de lies das
mais pura moral evanglica, contendo profundos ensinamentos sobre
educao medinica.
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Esta obra relata captulo por captulo de O Evangelho Segundo
 o Espiritismo, lies ministradas por dois Espritos abnegados
a um grupo de almas que desconheciam o Cristo amigo.  um livro
para todos aqueles que gostam de estudar e compreender O Evangelho
 Segundo o Espiritismo, caminho que nos conduz ao Mestre.
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Empolgante obra que narra a epopia da construo de uma
Casa Esprita, tendo sido escolhida para esta tarefa a mdium Irene
Pacheco Machado. Volume repleto de ensinamentos, que narra a luta
de Espritos em ensinar praticamente tudo, lutando contra hbitos
viosos, arraigados h sculos a almas carentes de evoluo.
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Terceiro volume da Srie A Bblia na Linguagem Esprita,
explica cada versculo do Levtico sob a tica esprita, constatando
que aquilo que os livros doutrinrios espritas nos ensinam se encontra
 em cada pgina do mais importante livro do Planeta - a Bblia.
Adquira tambm os demais volumes da Sria A Bblia na Linguagem
Esprita.
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 com o propsito de contribuir na seara esprita, o autor procurou
 organizar este trabalho, num esforo inteiramente
despretencioso, dirigido queles que se dedicam ao estudo do Evangelho,
  luz da Codificao, por porporcionar-lhes novos prismas atravs
 dos quais as lies de Jesus podem ser analisadas.
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 Este livro relata as experincias de Roslia, um doce Esprito
 encarregado de distribuir o amor na Terra. Suas histrias so repletas
 de ensinamentos de caridade e fraternidade, mostrando como o
amor pode vencer barreiras e transformar coraes endurecidos. Uma
rosa em meu caminho destina-se a todos aqueles que procuram uma
palavra amiga.
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Este  um livro no qual Jac, seu autor, deixou fluir seus
pensamentos, que chegaro at o leitor num grito de socorro, pedindo
a cada um que o ler: lute pela no-violncia. Atravs de frases que
expressam o amor, a paz e a serenidade, somos levados a procurar
viver em harmonia, amando a Deus e ao prximo como a ns mesmos,
 caminho seguro para chegar at o Criador.
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Esta obra traz Luiz Srgio em seu estilo inconfundvel de
transmitir tudo o que aprende no mundo espiritual. Agora, brinda seus
leitores com explicaes sobre a passagem do Esprito pelos reinos
da Natureza, palmilhando a rota do princpio espiritual. Vamos adentrar
esse universo e aprender mais sobre educao medinica, organizao
 e funcionamento de Casas Espritas e muitos outros assuntos.
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Adquira, atravs do reembolso
postal, outros livros editados pela
Livraria e Editora Recanto:
Por que as lgrimas? psicografado
 por Irene Pacheco Machado,
contm mensagens de desencarnados,
 comprovando a sobrevivncia
 do Esprito frente  morte do
corpo de carne, atravs de detalhes e
particularidades inerentes a cada comunicante.
 Um livro que deve ser
lido por todos aqueles que j tenham
dado adeus a um ente querido na
"estao da morte".
As  flores  tambm  choram
psicografado por Irene Pacheco
Machado. Mais uma obra de Jac,
com sua filosofia de vida, proporcionando
 ao leitor momentos de
grande aprendizado, expressos em
cada pensamento.
Uma rosa em meu caminho
psicografado por Irene Pacheco
Machado.  o livro perfumado de
uma vida. Nele, irm Roslia, antiga
religiosa, narra as suas experincias,
de grande proveito para todos.
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Digitalizado e corrigido por:
Marcos Ricieri

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DEIXE-ME VIVER
Luiz Srgio
11. Edio 2003
Todos os direitos de publicao e reproduo
desta obra esto reservados 
Casa Esprita Recanto de Maria - REMA



Esta edio: do 86. ao 90. milheiro.
Srgio, Luiz (Esprito).
Deixe-me Viver / Luiz Srgio ; psicografa:
Irene Pacheco Machado. - Braslia : Recanto,
2003.
272p. 21 em.
1. Espiritismo. 2. Aborto. 3. Reencarnao
Machado, Irene Pacheco. II. Ttulo.
CDU 133.9
ISBN 85-86475-15-7
Capa e ilustraes: Maurcio Maia Soutinho
(Renoir - "Amamentao" - Museum os Fine Arts)
1." edio- 1992
